Quando havia o Orkut, frases e mais frases de Clarice eram citadas na plataforma.
Veio o Facebook, o Instagram, O Twitter (que virou X) e a escritora continuou como uma verdadeira campeã em citações por milhões de brasileiros.
Verdade que a maioria nunca leu um livro dela, mas bastava alguém gostar de uma frase colhida na internet, e pronto, estava reproduzida, pra todo mundo ver ou ler.
VIDA DIFÍCIL
Clarice nasceu num lugar de nome difícil de escrever e pronunciar: Tchetchelnik, na Ucrânia.
Mas seus pais, judeus, vítimas de perseguições, principalmente dos russos, fugiram para o Brasil quando a futura escritora ainda era um bebê.
Sua mãe, Mania Lispector, foi estuprada pelos antissemitas.
Quando engravidou, do seu marido Pinkouss, Mania já tinha passado por essa violência.
Pegou sifílis e já veio para o Brasil doente. Aqui viveu poucos anos.
Os Lispector passaram por muitas dificuldades inicialmente em Maceió e depois no Recife.
Clarice, a caçula, tinha duas irmãs: Elisa e Tânia.
Quando Mania morreu, coube a Elisa ser irmã e mãe ao mesmo tempo, ajudar o pai (que no Brasil adotou o nome de Pedro) a criar as meninas.
Não dava para imaginar que um criança que saiu da Europa fugindo da guerra e da perseguição aos judeus, que passou necessidade, juntamente com toda família, se tornaria um dos grandes nomes das letras nacionais.
Clarice e família foram morar no Rio de Janeiro quando ela tinha 15 anos.
Mas o Recife ficaria para sempre em suas memórias e influenciaria sua obra.
A Praça Maciel Pinheiro, a Rua da Imperatriz, o Colégio João Barbalho e o Ginásio Pernambucano, vias e escolas no centro da capital, fizeram parte de sua infância e jamais seriam esquecidos.
Antes de começar a escrever, a ucraniana que se tornou brasileiríssima contava histórias para a mãe doente.
Aos 13 anos descobriu a literatura. Leu Machado de Assis, Monteiro Lobato e outros autores nacionais. Leu também Sartre, Simone de Beauvoir e Virgínia Woolf. A esta última seria comparada, por estudiosos de literatura.
Clarice Lispector trabalhou como jornalista e publicou 18 livros, dentre os quais Perto do Coração Selvagem (o da estreia, aos 23 anos), A Hora da Estrela, Água Viva, A Paixão Segundo GH e Laços de Família.
A Hora da Estrela e A Paixão Segundo GH foram adaptados para o cinema.
Abaixo a foto da casa em que Clarice morou no Recife, no bairro da Boa Vista. O projeto para transformá-la em museu deve ser concretizado este ano.


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