KLEBER MENDONÇA SE TORNA UMA CELEBRIDADE SEM PERDER O JEITO SIMPLES

Sônia Braga em Aquarius

Kleber Mendonça Filho, pernambucano de 56 anos, em pouco tempo fez história no cinema brasileiro.

Os filmes que realizou até agora têm tido reconhecimento da crítica e do público, tendo a consagração vindo no último sábado, dia 24, quando "O Agente Secreto" recebeu dois dos principais prêmios do Festival de Cannes, na França.

Kleber tem no seu currículo o curta metragem "Recife Frio", de 2009, pouco conhecido, mas premiado.

"O Som ao Redor", longa de 2016, recebeu elogios da crítica especializada, foi exibido na Europa, levou muita gente aos cinemas do Brasil e teve público expressivo nos streamings. 

"Aquarius", de 2016, estrelado por Sônia Braga, foi eleito o melhor filme estrangeiro pelo Sindicato Francês da Crítica de Cinema.

É mesmo um filmaço. Se impressionou na Europa, sensibiliza mais ainda os brasileiros, principalmente os pernambucanos.

O longa se passa quase todo em Boa Viagem e além de abordar a questão da especulação imobiliária nas grandes cidades reflete sobre a vida das pessoas na terceira idade, tocando ainda na questão do relacionamento com os filhos.

As músicas que entram na trilha sonora de "Aquarius" são um show aparte.

Começa e termina com a canção "Hoje", de Taiguara, uruguaio que se radicou no Brasil e fez muito sucesso nos anos 70.

Tem uma cena belíssima com Sônia Braga dançando ao som de "O Quintal do Vizinho", de Roberto  Carlos. Não é das melhores canções do artista, a letra é meio tola, mas ficou bem legal no filme.

Outro bom momento é quando o vinil roda com a música "Pai e Mãe", grande canção do repertório de Gilberto Gil. Ainda tem versos de Lupicínio Rodrigues, a voz de Alcione e de Altemar Dutra.

BACURAU 

Kleber Mendonça não se repete. Cada filme seu é diferente.

"Bacurau", de 2019, é pura ficção, embora reflita sobre a realidade. É uma mistura de drama futurista com faroeste, retratando a invasão de uma pequena vila por americanos e sulistas que se acham superiores a gente pobre, humilde do lugarejo nordestino.

"Retratos Fantasmas", filme de Kleber Mendonça de 2023 reflete sobre a degradação dos grandes centros urbanos, tendo como base a cidade do Recife, a partir do final dos anos 70.

Quem viveu na capital pernambucana na década citada vai se identificar totalmente com a história.

Mesmo quem vivenciou as transformações em outras cidades como Salvador, Belo Horizonte ou São Paulo irá se tocar com "Retratos Fantasmas", pois certamente em outras metrópoles a história se repetiu.

Acreditamos que a cada filme Kleber evolui. Embora não tenhamos assistido ainda "O Agente Secreto" imaginamos que ele superou os trabalhos anteriores.

O cineasta demonstra simplicidade nas entrevistas à imprensa, marca presença nas redes sociais e passa a impressão de um sujeito que a gente conhece de perto, bom de conversa e sem estrelismos.

Em pouco tempo ganhou o status de astro. Parece destinado a representar tão bem Pernambuco no cenário nacional quanto Alceu Valença, Lenine, Luiz Gonzaga e porque não citar Ariano Suassuna, que é paraibano,  mas se tornou recifense e pernambucano de coração.

Um comentário:

  1. Rapaz, de tantas produções do cinema brasileiro, quantos filmes bons, excelentes, inesquecíveis... Mas o tal do BACURAU. Que filme é aquele? Parece até que é a gente ali com eles, é a nossa região, suas caracterísiticas, alguns personagens tenho certeza que foram inspirados no Perfil de nossso povo. Enfim, BACURAU é dos ETERNOS.

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