O INÍCIO DA HISTÓRIA - Em 1961 Jânio Quadros se elegeu presidente do Brasil com 5,6 milhões de votos, derrotando o marechal Henrique Lott.
Sete meses depois o presidente renunciou, alegando que "forças ocultas" o impediam de governar.
Os conservadores tentaram impedir que o vice-presidente, João Goulart, assumisse o poder.
Um golpe que vinha sendo tentado desde 1954, para derrubar Getúlio Vargas, ganhou combustível para prosperar.
Mas Jango, como era chamado o vice, assumiu, porque os políticos progressistas, com respaldo da mobilização popular, abortaram os movimentos golpistas.
O novo presidente, porém, não demorou muito no cargo, em 1964 os militares, empresários e setores conservadores, com apoio americano enfim conseguiram dar um golpe de estado bem sucedido.
Durante 20 anos o Brasil viveu sob uma ditadura.
Foi estabelecida a censura à imprensa, oposicionistas foram cassados e exilados, algumas centenas de militantes, muitos ainda jovens, foram torturados e/ou mortos.
As eleições para prefeitos das capitais, governadores dos estados e presidente da República foram proibidas.
Os governantes passaram a ser escolhidos pelo QI, o quem indica dos generais.
A REDEMOCRATIZAÇÃO - Na década de 70, com o general Ernesto Geisel, começou um lento processo de abertura.
Nos anos 80 o movimento por realização de eleições diretas tomou as ruas do país.
Em 82, embora com regras que favoreciam o governo, foram realizadas eleições diretas para os governos estaduais.
Dois anos depois a movimento pelas diretas para presidente mobilizou milhões de pessoas em todo o Brasil.
Mas uma emenda apresentada na Câmara dos Deputados não passou.
O regime, no entanto, já estava muito desgastado e dois anos depois o poder militar foi derrotado no Colégio Eleitoral e os deputados elegeram Tancredo Neves presidente da República.
O político mineiro morreu antes de começar a governar e seu vice, José Sarney tomou posse e ficou cinco anos no comando político do país.
A ELEIÇÃO - Em 1989 foi enfim realizada a primeira eleição direta para presidente, depois da instalação do regime ditatorial.
Os principais candidatos foram Mário Covas (PSDB), Leonel Brizola (PDT), Ulisses Guimarães (PMDB), Aureliano Chaves (PFL), Lula (PT) e Fernando Collor (PRN).
Políticos experientes, provados na luta, Covas, Brizola, Ulisses e Aureliano tiveram votações ridículas.
Lula e Collor, com discurso de renovação foram os mais votados e passaram para o segundo turno.
Fernando Collor, filho de Arnor de Mello, um político alagoano que matou um colega no Congresso Nacional, foi prefeito biônico de Maceió e governador eleito do Estado de Alagoas.
Usou o governo para se tornar conhecido nacionalmente usando a pirotecnia para vender a imagem de "caçador de marajás". Jovem, bonitão, acenava com o combate à corrupção.
Luiz Inácio, o Lula, natural de Caetés, quando esta cidade era distrito de Garanhuns, foi forjado nas lutas sindicais, em São Paulo.
Assustava as elites e a classe média com o discurso à esquerda, a promessa de lutar pelos trabalhadores e o povo em geral.
A IMPRENSA - Na época era grande a força de jornais como o Estado de São Paulo, O Globo, a Folha de São Paulo e as emissoras de TV, principalmente a Rede Globo.
Essa mídia poderosa alimentou o fenômeno Collor. Ele saiu de irrisórios 4% para líder das pesquisas.
Venceu o primeiro e segundo turnos, embora Lula tenha chegado perto da vitória.
O ex-governador de Alagoas fez de tudo para vencer e conseguiu, com a colaboração da grande imprensa.
Coordenação do candidato da direita chegou a pagar a Mirian Cordeiro, mãe de uma filha do petista fora do casamento, para falar mal de Lula no horário eleitoral.
Collor presidente em poucos dias deu um susto na população, confiscando o dinheiro das contas correntes e da poupança dos brasileiros.
Seu governo foi cercado de escândalos, a economia continuou mal, como no tempo de Sarney e depois até um dos seus irmãos, Pedro Collor, denunciou a corrupção do grupo instalado no poder.
Fernando Collor entrou para a história como o primeiro presidente do Brasil a ser afastado por um processo de impeachment.
2018 - Quase 20 anos depois a história, ou a farsa, se repetiu. Um militar e deputado medíocre, Jair Bolsonaro, se candidatou a presidente por um partido pequeno, o PSL.
Não precisou da TV Globo diretamente, como Collor. Suas ascensão começou com o golpe parlamentar que derrubou a presidente Dilma Rousseff, reeleita com mais de 50 milhões de votos.
Surgiu a Lava Jato e um juiz parcial, Sérgio Moro, comandou o processo para tirar Lula da eleição e levá-lo à cadeia.
As redes sociais, a indústria de fake news, levaram Bolsonaro a uma vitória folgada contra o candidato do PT, Fernando Haddad, escolhido para substituir Lula, preso em Curitiba.
Como o governo de Collor, o do capitão do exército foi um fiasco.
Em quatro anos não fez nada de relevante. Alimentou o ódio, dividiu o país, foi negligente na pandemia, conivente com a corrupção e apesar de usar a máquina escandalosamente não se reelegeu.
Lula, aos 76 anos, tornou-se o primeiro político brasileiro a ganhar três vezes a disputa pela presidência.
Collor tornou-se insignificante. O outro personagem da direita está inelegível, mas vive a espernear e aparecer na mídia, sendo admirado por um bando de ignorantes, loucos e oportunistas.

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