A MÃO PESADA DA JUSTIÇA E UM CERTO BLOGUEIRO


Uma notícia dada em primeira mão, ontem à tarde, pelo blog Comando Policial, se espalhou  rapidamente por Garanhuns.

A justiça determinou a prisão do blogueiro Kleber Cisneiros. 

Como se chegou a essa decisão, drástica, tão lamentável para todos que vivem do ofício de informar?

O condenado, podemos escrever assim, já havia sido punido antes pelo menos três vezes por um juiz, por divulgação de conteúdo considerado calunioso ou difamatório.

Uma das condenações se deu a partir de uma ação movida pela Secretária de Educação do Município, professora Wilza Vitorino.

É que o blogueiro fez uma live em que usou peruca e outros apetrechos para fazer uma imitação grosseira da secretária, tentando ridicularizá-la.

Sentindo-se ofendida, Wilza foi à justiça reclamar os seus direitos, pedindo inclusive indenização por danos morais.

O juiz Francisco Milton condenou o infrator a pagar indenização a ofendida no valor de R$ 5 mil. Também determinou uma retratação, estabelecendo multa de 200 reais por dia, caso a ordem fosse descumprida.

Cisneiros parece não ter levado a sério a decisão do magistrado. Não compareceu as audiências, deixou de pagar a indenização e as multas.

Por esse motivo é que o representante da Justiça decretou a sua prisão.

O assunto repercutiu em toda a cidade, nos blogs, redes sociais, nas repartições públicas e na reunião da Câmara Municipal.

Vereador Luizinho Roldão, presidente do Poder Legislativo, usou da tribuna para abordar o assunto.

Lamentou o ocorrido, revelou que quando tinha relações de amizade com o blogueiro o aconselhou a trabalhar com ética e responsabilidade, mas disse que infelizmente não foi atendido.

Em nome da antiga amizade, o vereador ofereceu apoio, disse que estava à disposição para ajudar o rapaz no que fosse preciso.

"Todo mundo merece uma segunda chance na vida, pode reparar seus erros", justificou Luizinho Roldão.

Mais tarde, com toda repercussão do caso, Kleber gravou um vídeo pedindo perdão e desculpas a secretária de Educação de Garanhuns.

Justificou não ter atendido a justiça antes porque estava sem ter quem lhe desse assistência jurídica.

O episódio ocorrido na Suíça Pernambucana repercutiu em outras cidades da região.

Em Terezinha, Clóvis Manfrini, que tem formação superior em jornalismo, defendeu o diploma para o exercício da profissão, como era exigido no passado.

Na sua opinião, hoje pessoas desqualificadas exercem o ofício sem qualquer responsabilidade, criando fake news, acabando com reputações e deixando sem credibilidade o trabalho da imprensa.

Para Cláudio André, blogueiro e radialista que atua há anos em Bom Conselho e Palmeira dos Índios, o problema não é o diploma em si.

"Existem profissionais sérios, que mesmo sem curso superior em jornalismo honram a profissão. Infelizmente um blogueiro como esse de Garanhuns nivela o jornalismo por baixo", argumentou Cláudio.

O fato é que ser jornalista (e não apenas blogueiro) exige conhecimento, responsabilidade, compromisso com a verdade.

O rádio, um site, um jornal, um blog não pode ser usado como veículo de agressão, vinditas pessoais, veículo para se chantagear médicos, empresários, políticos ou até religiosos.

Neste caso, a nossa ver, a justiça agiu com correção. Que o caso sirva de lição. Não apenas para Cisneiros, que já mexeu com meio mundo em Garanhuns, mas para todos nós que trabalhamos nessa árdua profissão.

Um comentário:

  1. PAULO CAMELO: Há dois grupos hegemônicos, de Direita (Sivaldo e Zazá) na cidade, os quais dominam cerca de 50 mil eleitores. O bloguista, em tela, oscila entre esses grupos. Na Eleição de 2020 o bloguista, em tela, estava com Sivaldo, hoje com Zazá. Além do mais o bloguista, ora penalizado, tem um bom público em suas lives, as quais sempre detonam alguém e são despolitizantes. Na atual sociedade não solidária os algozes (palestrantes e platéia) desempenham um papel importante na absorção dessas lives. Ou melhor: enquanto houver público simpático as hostilidades, o terreno estará sempre fértil para novos ataques. Quanto aos "fake news (boatos)" existem milhares de jornalistas graduados que gostam dessa prática, a exemplo: Globo + Jovem PAN + os lavajatistas, etc. A graduação é importante, mas não é sinônimo de ética, educação, conhecimento, etc. Ok, Moçada!

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