Por Junior Almeida
Uma festa de arromba! Assim podemos definir o
baile de formatura dos novos médicos entregues ao país pela Universidade
Federal de Pernambuco, Campus Caruaru, realizado na última sexta-feira, 18 de
agosto, na casa de eventos Arena Caruaru.
Em um enorme salão de festas totalmente lotado, a
felicidade estava estampada nos semblantes de 68 formandos e seus convidados, e
com toda razão. Depois de seis anos de estudos em uma das universidades mais
renomadas e, portanto, concorridas do Brasil, os novos médicos e seus
familiares tinham mesmo era que extravasar. Vez por outra, flagrava-se um ou
outro doutor dando “virote” nas mais variadas bebidas da festa. Que felicidade!
Durante a entrada dos novos médicos no palco,
cada um, acompanhado de familiares e amigos, fazia uma performance. Uma rápida dancinha
aqui, outra ali, apresentava os doutores à plateia. Tudo ia nos conformes, com
um forró aqui, um funk ali, um brega acolá, quando o público explodiu em palmas,
gritos e assobios, com a entrada do formando Danilo Ferreira, que deu toques políticos
à cerimônia, ao fazer homenagem à universidade pública, ao SUS e,
principalmente, ao presidente Lula.
Como hoje em dia não faltam celulares nem
cinegrafistas amadores, a cena foi registrada e postada nas redes sociais.
Viralizou! Até o memento da conclusão deste texto, às 15:30 horas desta terça-feira
22 de agosto, sem contar com WhatsApp, Facebook e outras redes, apenas
em um dos perfis do Twitter, mais de 220 mil pessoas já tinham assistido
à performance do médico Danilo Ferreira, enquanto no TikTok, mais de 1,2
milhão de pessoas já tinham visto o vídeo, onde o formando usa o boné do PT,
óculos com o nome do atual presidente, e a toalha de Lula, como se essa fosse
uma capa de super herói e, juntos com seus familiares, dança fazendo o “L” de
Lula nas mãos.
Ficamos curiosos em conhecer o novo médico,
principalmente por ele ousar em sua homenagem em um meio tão antipetista como é
a classe médica. Entramos em contato com ele, que gentilmente nos atendeu,
enviando-nos sua história de vida. Abaixo, Doutor Danilo Ferreira, por ele mesmo:
Meu nome é Danilo Ferreira, tenho 32 anos
e sou natural de Vitória de Santo Antão, mas morei boa parte da minha vida em
Gravatá. Sempre sonhei em cursar medicina, inicialmente por influência da minha
irmã, que também sonhava, e depois eu mesmo me interessei pra área. Sou filho
de Ivanildo e Gilvanda, pequenos comerciantes da cidade de Gravatá.
Sou irmão de Viviane, professora de biologia e,
hoje enfermeira. Sempre tive uma vida simples em Gravatá. Meus pais nunca
tiveram boas condições financeiras, mas nunca me faltou nada, principalmente
incentivo aos estudos. Sempre estudei em colégios particulares da minha cidade,
com bolsas parciais devido às minhas boas notas. Sempre sonhei em fazer
medicina, mas meus pais não tinham condições de pagar os cursinhos
preparatórios, pois eram muito caros e a maioria deles eram em Recife, então,
meu pai sempre me influenciou a fazer outro curso na área da saúde, caso eu não
passasse em medicina. Ele até me recomendou cursar enfermagem. No ensino médio,
fui estudar em Vitória de Santo Antão, e no final do terceiro ano, fui aprovado
em enfermagem na UFPE (Campus Vitória).
Iniciei o curso em 2009. Gostei de cursar a área
básica, que tem muito em comum com medicina. Fui monitor de anatomia,
participei de pesquisa, extensão e concluí o curso em 2012, mas não era o que
sonhei. Ainda no final do curso de enfermagem, passei para residência de saúde
da família em 2013, também na UFPE. Me formei em enfermagem e terminei minha
residência em 2015, sendo que simultaneamente também conclui minha pós
graduação em saúde pública, também em 2015.
Nesse tempo, já estava me planejando para voltar
a estudar para medicina. Ao terminar a residência, em junho de 2015, me
matriculei em vários cursinhos pré-vestibulares. Estudei para o vestibular,
tentei Enem, três [faculdades] particulares, uma estadual em Maceió e uma
transferência externa para uma federal de natal. Não passei em nenhuma.
No ano seguinte, eu precisava trabalhar para
continuar pagando os cursinhos, pois já não tinha mais a bolsa da residência e,
também estava sem trabalhar. Fiquei morando na casa da minha tia, usava o vale
transporte dela pra me locomover por Recife. Precisava de um emprego, então
tentei e passei na seleção para enfermeiro do HSE - Hospital dos Servidores do Estado.
Trabalhava das sete às 16 horas, de segunda à sexta-feira. Estudava entre um
atendimento e outro e na hora do almoço. Assistia só as aulas que eu conseguia
e as aulas à noite.
Todos os sábados saía às cinco da manhã de casa
para realizar os simulados para o Enem. No meio de 2016, passei em quinto lugar
em medicina na Uninassau e, também fui aprovado em medicina na UNIFEV, em São
Paulo. Ao final do ano, fui aprovado em segundo lugar da FPS, terceiro lugar da
UNICAP, além de passar pelo Enem na UFPE de Caruaru, com nota também para aprovação
na UPE, mas decidi pela primeira opção que era a UFPE.
Foi minha segunda graduação, as duas em
universidades fruto da interiorização do ensino superior. Meu curso de medicina
é fruto do programa mais médicos e tem uma proposta de formar médicos humanos e
voltados para o trabalho no SUS. Meu pai é semianalfabeto, estudou até a quinta
série. Minha mãe é dona de casa, nenhum dos dois teve acesso ao ensino
superior. Minha irmã é biologia, cursou enfermagem pelo FIES. Hoje é enfermeira
na Irlanda.
Hoje, tanto eu, quanto meus colegas de turma,
somos médicos devido a interiorização do ensino público superior. Reconheço a
necessidade e importância das ações afirmativas para mobilidade social e
transformação de vidas. Também reconheço que essas ações são nossos direitos e
obrigação do Estado, porém, sempre fomos negligenciados, sobretudo aqui no Nordeste.
Desde o primeiro governo Lula, a expansão das universidades federais mudou toda
essa realidade. Muitos colegas de curso sobreviviam apenas dos auxílios da Ufpe,
não tinham como se manter. A universidade, durante os governos de Lula e Dilma
tinham dinheiro. Havia bolsas, incentivo à pesquisa, conseguíamos ir para
congressos em qualquer lugar do Brasil, apresentar nossos trabalhos. Tínhamos
oportunidades. Vi amigos se tornarem mestres, doutores, mudarem a vida das suas
famílias. Na minha segunda graduação, eu tinha melhores condições financeiras,
não precisei de auxílios ou bolsas, mas vi muita gente sofrer com a escassez de
verba nas universalidades devido aos sucessivos cortes e ataques que as mesmas
sofreram durante o último governo.
Finalmente me formei, agradeço imensamente aos
meus pais que foram meus maiores entusiastas, agradeço às ações afirmativas e
programas sociais que possibilitaram a mim e a todos meus colegas a realizarem
esse sonho. Acredito que a defesa do SUS e da educação pública é uma luta de
todos, independente de ideologia política, pois os governos passam, mas a
universidade e o SUS ficam, e ficam para servir a sociedade como um todo.
Fotos: 1- Doutor Danilo com seus familiares; 2- O mesmo Danilo em sua performance lulista; 3 - O novo médico exibindo sua lincença para exercer a medicina, o seu CRM.



Como é bom ter um presidente que nunca pôde cursar uma faculdade mas que sabe que o conhecimento constrói um cidadão. Lula é sábio, Lula é progresso, Lula é um estadista, tal qual Abraham Lincoln, que também não tinha diploma superior e ainda hoje é considerado o maior e melhor presidente daquele país de m..., que se julga o dono do mundo.
ResponderExcluirParabéns ao médico Danilo Ferreira de Gravatá, parabéns pela luta DELE, e ele representa bem o POVO guerreiro que com tantas dificuldades conseguem vencer os obstáculos da vida, e parabéns ao nosso presidente Luís Inácio Lula da Silva brasileiro, esse médico está de parabéns de fazer o ( L ) de Lula com força, os burgueses morrem de raiva e inveja do presidente Lula, tudo por que Lula levou às universidades para o Interior do Brasil, e quem contestar é por que tem ódio e inveja, e ninguém roubará essa virtude do presidente Lula de levar universidades e desenvolvimento para o interior do Brasil,, quem contestar é bicho ruim, rsrsrs
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