Está passando na Netflix um ótimo filme argentino, intitulado "O Suplente".
Um professor substituto trabalha numa escola de periferia, na Grande Buenos Aires.
Uma realidade tão parecida com a brasileira, que poderiam ter filmado na Região Metropolitana do Recife, ou de Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro ou São Paulo.
Logo no primeiro dia de aula o professor pergunta aos jovens alunos:
"Pra que serve a literatura"?
Um ou mais respondem que não serve pra nada.
Os intelectuais que têm orgasmos lendo Joyce, Borges, Machado, Dostoiévski, Hemingway ou Clarice Lispector, podem sentir como um soco na cara a indiferença dos adolescentes à literatura.
Só que, na ótica dos jovens retratados, pobres, marginalizados, vivendo em famílias desajustadas, envolvidos e ameaçados por traficantes, não faz sentido mesmo enxergar o valor da literatura.
Chegamos a um ponto, no mundo atual, dominado pelas tais redes sociais, que a leitura em si está se tornando obsoleta.
Cada vez se lê menos livros, revistas, jornais, blogs e sites que ousam publicar textos mais elaborados.
Muitos, milhões, por toda parte, se dão por satisfeitos com a superficialidade do Twitter, WhatsApp, Facebook e Instagram.
Pra que serve a leitura?
Não vai demorar muito e vão responder, como no filme, quando perguntados sobre literatura, que a leitura não serve pra nada.
Estamos, de certo modo, retornando à cultura oral. A escrita vem perdendo terreno.
E quando temos governos que não valorizam a cultura, a educação, os livros, as artes em geral, a situação só piora.
Livrarias fecham, bons livros encalham, as universidades são criminalizadas e as escolas em geral não recebem a devida importância.

Nenhum comentário:
Postar um comentário