O antigo Santa Terezinha, que funcionou com
Hospital Municipal na gestão de Luiz Carlos
Ronaldo César publicou hoje em seu blog o melhor e mais importante texto sobre a questão da saúde pública, desde que começou a pandemia causada pelo coronavírus. É leitura obrigatória para jornalistas, radialistas, blogueiros, médicos, prefeitos, vereadores e todos aqueles que se preocupam com Garanhuns e o Agreste Meridional. Faço questão de reproduzir.
Leia com atenção:
A V Regional de Saúde tem 21
municípios em sua abrangência, apenas dois deles não têm hospital municipal:
Jucati e Garanhuns. O primeiro talvez se explique pela falta de demanda, de tão
pequeno, o outro é falta de interesse mesmo, por mais que o prefeito diga que a
prefeitura não tem recursos para prover um hospital municipal. Como então
conseguem Jupi, Caetés, Angelim, Canhotinho, Terezinha,..., e mais de uma
dezena de municípios, todos eles menores que Garanhuns? Alguns municípios têm
hospital de fazer inveja, com bloco cirúrgico funcionando, escala de médicos
fechadinha, equipes motivadas, farmácia, etc.
O prefeito pode dizer que aqui na
cidade polo regional vai gastar mais com hospital, mas é lógico que também recebe
bem mais, como aponta qualquer planilha de liberação de recursos federais que
se tenha acesso. Portanto, não ter hospital municipal não é questão de
dinheiro, mas de interesse e prioridade.
Por anos a fio, o Hospital Regional
Dom Moura esteve aí para absorver a demanda municipal. Mas isto é certo?
Errado. O Hospital Regional é regional, ou seja, é para atender a região
(desculpem a redundância) em casos de média e alta complexidade, dentro de suas
atribuições. A baixa complexidade, ou seja, os atendimentos de urgência básicos
devem ser atendidos pelo município, e não em PSFs, mas em um hospital. O
Hospital Infantil tem assimilado parte da responsabilidade da prefeitura, mas é
eletivo e ambulatório. Não tem emergência. Não tem servidor público. É prático
para o município pagar a tantos serviços particulares terceirizados, mas ele
mesmo deixa de oferecer o serviço essencial. Provavelmente, se somar o que tem
gasto com terceirizados, bancasse com sobras seu hospital público.
Assim que o atual prefeito tomou
posse cuidou logo de fechar o Hospital Municipal herdado do ex-prefeito Luiz Carlos, instalado na antiga Casa de Saúde Santa Terezinha. O prefeito chamou de
casa de parto, e disse que não valia o investimento. Fechou. Não procurou
readequar, investir, melhorar... Não, simplesmente fechou. Poucos questionaram.
Como se fecha um hospital? Passou os anos credenciando instituições
particulares e nunca ofereceu um leito sequer em sua gestão. Ou seja, tirando
os PSFs para ambulatório, o Hospital Dom Moura continua sendo a porta de
entrada para qualquer emergência em Garanhuns. E pior, por vezes criticado por
aqueles que deveriam cumprir sua função.
Cedo ou tarde a conta chegaria para a
população, principalmente a mais carente, e a hora parece ser agora. Nesta pandemia,
o município de Garanhuns não tem um leito sequer para nenhum paciente, ficou
totalmente à mercê do estado e da rede particular. Quando a gente diz nenhum, é
nenhum mesmo. E nem vemos movimento no sentido de resolver esta questão.
Além do fechamento do hospital, tem a
questão do prédio da UPA24H, na entrada da Cohab II, que como fica meio
escondida, ninguém fala, e por vezes nem lembra, mas já era para ter sido
inaugurada há uns quatro ou cinco anos. Era para ser uma UPA24H, não foi,
poderia virar uma Policlínica, não virou. Resultado, o prédio está lá
abandonado, inacabado e se deteriorando. Faltam recursos ou falta vontade de
resolver? A foto abaixo mostra como se encontra.
A sociedade calada não reclama, não
cobra, não provoca. E a população mais carente, que geralmente busca estes
serviços públicos, paga caro com a própria saúde.
Garanhuns precisa do seu Hospital
Municipal urgente, se der para ser no prédio da UPA24H, que seja, ou que se
projete, planeje, priorize e construa. É para isto uma gestão, elencar
prioridades e investir. A população vai descobrir da pior forma a falta de um
Hospital Municipal.
E antes de terminar, falo também
daquele hospital prometido por Eduardo Campos, lembram? Pois é, ele estava
deixando o governo para se candidatar a presidente, e dali pra cá os recursos
federais para construção minguaram. Paulo Câmara preferiu segurar as contas do
estado que iniciar uma construção e deixar pela metade. E se tivesse feito, o
HRDM iria para o município, mas o prefeito disse que não tinha interesse,
assim, ficamos com o Dom Moura mesmo, bancado pelo estado, que cumpre a função
de estado e município de Garanhuns, que representa quase 80% dos pacientes
atendidos em suas emergências adulto, pediátrica e odontológica, em sua
maternidade e pediatria, em seu bloco, CTI e UTI, enfermarias.. E o estado
ainda banca a UPAE, que atende mensalmente milhares de pessoas dos 21
municípios da regional.
Está na hora de Garanhuns voltar a
ter seu hospital. Tomara que o prefeito reconsidere sua visão, mesmo em final
de mandato. Ou que aqueles que possam ocupar sua cadeira no futuro priorizem a
saúde e a educação.
Garanhuns está recebendo mais de R$ 1
milhão para investir no combate à pandemia, dá para dar uma geral no prédio da
UPA 24h, equipar com o básico, e depois vai estruturando, para não fechar mais.
Pode virar UPA 24h, UPA DIA, Policlínica, hospital, ... Mas alguma coisa precisa
ser feita. Passou da hora.


E cadê a polícia científica que estava instalada nesse prédio que nem esquentou o canto?! Ninguém falou disso tbm! Só fizeram gastar e comer dinheiro ali! Eita governadorzinho viu!!
ResponderExcluirÀQUILO ALI NUNCA FOI UM HOSPITAL MUNICIPAL, NUNCA!!! TORNOU-SE VERDADEIRAMENTE NUM HOSPITAL DA REGIÃO. ERAM ATENDIDOS OS PACIENTES QUE CHEGAVAM PRIMEIRO E COMO SEMPRE VINHAM DE FORA. HOSPITAL MUNICIPAL SÓ TEM CABIMENTO SE TRABALHAR EM CONJUNTO COM O REGIONAL E OS DOIS FIXAREM O NÚMERO DE LEITOS E OUTROS PROCEDIMENTOS MÉDICOS EM NÍVEIS PROPORCIONAIS, PARA QUE A CIDADE ONDE ESTEJA ESTABELECIDO O HOSPITAL MUNICIPAL, ATENDA, PRIORITARIAMENTE, OS SEUS MUNÍCIPES ENFERMOS.
ResponderExcluirP.S.: - O resto é Armazém de Secos & Molhados ou então intriga da oposição...