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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

JORNALISTA É CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL


Aos 56 anos, o jornalista e cientista político Roberto Numeriano disputa, segundo suas próprias palavras, sua “primeira campanha pra valer”. Oriundo do antigo Partido Comunista Brasileiro, o velho PCB, Numeriano começou a militância política nos tempos da clandestinidade do chamado “Partidão”, na primeira metade da década de 80, participando das lutas estudantis da Unicap. Foi nesta universidade onde também se formou em Jornalismo, profissão que exerceu por quase vinte anos, até ingressar na carreira pública e ainda no ensino superior.


O “pra valer” de Numeriano tem sentido, agora na disputa de um mandato de deputado estadual pelo Avante, partido presidido em Pernambuco pelo deputado federal Sílvio Costa, candidato ao Senado. Já foi candidato a prefeito do Recife (eleições de 2008 e 2012), a governador de Pernambuco (2010), a deputado federal (2014), e a vereador do Recife (2016). “Em todas estas campanhas fui candidato, na verdade, para cumprir tarefas partidárias. 

Divulgar as propostas do partido e fazer cauda para quem realmente tinha chance de vencer.  Nunca me iludi sobre ter chances reais de eleição”, explica.
Apesar das votações que ele considera “simbólicas”, Numeriano conseguiu se tornar relativamente conhecido do eleitor da região metropolitana do Recife, sobretudo aquele “eleitor do voto de opinião”. De fato, o candidato alcançou uma média de votos no conjunto das cinco disputas, e que está concentrada nas faixas de renda média, nível de escolaridade superior e idade adulta. É a partir deste eleitorado que ele pretende somar mais votos para conquistar uma cadeira na chapa montada pelo candidato Sílvio Costa.

Propostas

Para Numeriano, há uma grave crise de representação política no país, a qual atinge o Poder Legislativo (nas esferas municipal, estadual e federal), mas também atravessa o Executivo e o Judiciário. “Nenhum destes poderes, podemos assegurar, está bem na avaliação dos cidadãos quanto à eficácia e à confiabilidade dos seus trabalhos”, fundamenta, lembrando as diversas pesquisas de opinião sobre o que o brasileiro pensa dessas instituições.

Para ele, este quadro não começou em 2016, com o processo do impeachment da presidente Dilma: “É algo estrutural. Tem a ver a profunda desigualdade social, reflexo da grave concentração de renda do modelo econômico, e na herança social e cultural da mentalidade escravocrata, responsável pelo preconceito contra os excluídos, sobretudo os pobres, os pardos, os negros e as mulheres”, critica o candidato. “Somente a educação de qualidade e os programas culturais, como ações integradas, podem, progressivamente, quebrar essa herança de fato maldita”, afirma com base nas suas observações como professor e produtor cultural.

Pela experiência profissional nas áreas de ensino e de cultura, mas também pelo que pôde analisar quando de suas candidaturas, Numeriano relacionou algumas propostas prioritárias de campanha. Na área de Cultura ele pretende propor uma nova legislação para descentralizar os recursos do Funcultura, democratizando mais o acesso aos pernambucanos do Agreste e do Sertão quando da divulgação dos editais de seleção de projetos culturais.

Na área de Educação sua principal proposta é propor uma lei que obrigue o Estado a dotar cada município, progressivamente, de uma Biblioteca Padrão, com meios didáticos-pedagógicos e amplo acervo digital e físico de livros e outros meios de cultura. “Tais bibliotecas serão espaços de saber e convivência, ciência e práticas lúdicas, não meros ambientes de livros e bens de cultura”, observa.

Para a área Ambiental ele relaciona duas agendas: tornar operacional as unidades de conservação ambiental do Estado, integrando-as em uma rede para compartilhar a pesquisa e estimular o turismo rural ; e tornar efetiva a lei de recolha e tratamento de resíduos sólidos, em todos os municípios pernambucanos. Por fim, Numeriano pretende propor uma nova legislação para a cobertura vacinal preventiva no Estado: “É preciso que o governo estadual reforce a cobertura vacinal para as doenças infecto-contagiosas, pois os programas de vacinação do Ministério da Saúde não contemplam totalmente as carências locais dos postos de saúde”. 

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