ALEPE

ALEPE
ALEPE

GOVERNO DO ESTADO

GOVERNO DO ESTADO
GOVERNO DE PERNAMBUCO - FUNDARPE

domingo, 19 de novembro de 2017

LUTA CONTRA O FEMINICÍDIO É A LUTA CONTRA O CAPITAL

Nota Política do PCB – Campinas: Ana Paula Alencar, Presente!

Ana Paula Alencar, Presente! A luta contra o feminicídio é a luta contra o Capital!
No dia 09/11/2017, mais um caso de feminicídio veio à tona, desta vez na cidade de Mogi-Guaçu, na região de Campinas. Ana Paula Alencar, de 21 anos, foi assassinada a facadas pelo seu ex-companheiro.
Os jornais burgueses, como de costume, abordaram o ocorrido como mais um caso de disfunção conjugal e, portanto, a ser resolvido, senão entre quatro paredes, nos limites da crônica policial. No entanto, é preciso dizer em alto e bom som: não só a subordinação material, física e moral da mulher pelo homem remonta tempos longínquos, mas também a propriedade de sua vida!
A propriedade do homem sobre a vida da mulher não remonta apenas aos tempos em que o feminicídio era legitimado por lei, em casos de defesa da “honra” (dos homens proprietários, é óbvio). A propriedade da mulher pelo homem remonta, antes, ao nascimento da família monogâmica como resultado da divisão social do trabalho na produção de mercadorias, isto é, na gênese do capital, da propriedade privada e do Estado, como Friedrich Engels demonstrou com detalhes em A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado.

Nos diz Engels: “O estágio da produção de mercadorias com que começa a civilização caracteriza-se, do ponto de vista econômico, pela introdução: 1) da moeda metálica (e, com ela, o capital em dinheiro), dos juros e da usura; 2) dos comerciantes como classe intermediária entre os produtores; 3) da propriedade privada da terra e da hipoteca; 4) do trabalho como forma predominante na produção. A forma de família que corresponde à civilização e vence definitivamente com ela é a monogamia, a supremacia do homem sobre a mulher, e a família individual como unidade econômica da sociedade. (…). Também são características da civilização: (…) a introdução dos testamentos, por meio dos quais o proprietário pode dispor de seus bens mesmo depois de morto”[1].
Com o advento das bases iniciais do capitalismo, a mulher passa ao aprisionamento da propriedade privada e da família. O direito materno sobre a prole é extinto, dando lugar ao direito paterno, tendo como base fundadora, a partir da divisão sexual do trabalho, a propriedade masculina sobre as terras e o capital. Bem entendido, o controle reprodutivo da mulher diante da questão da hereditariedade da propriedade privada é, portanto, essencial à manutenção do poder e da ordem do capital. A monogamia, obviamente, é imposta somente à mulher, estando o homem, proprietário, livre para se relacionar com outras mulheres: a prostituição aparece simultaneamente, não por acaso, como instituição histórica estruturalmente ligada à família monogâmica e, portanto, como alicerce que a reproduz socialmente.
É óbvio que a moral da sociedade burguesa e sua classe dominante, em conflito Fáustico com sua sede de “mais-valia”, não impediu que as mulheres (dos trabalhadores) fossem lançadas ao mercado de trabalho. Muito menos impediu que estas mesmas mulheres tivessem que passar, agora, a executar jornadas triplas para garantir não só a produção de “mais-valia” absoluta, mas também “mais-valia” relativa, já que o trabalho doméstico ajuda na reprodução material da vida dos trabalhadores, diminuindo, assim, o valor da força de trabalho disponível no mercado para o desfrute da classe capitalista como um todo.
A história nos mostra que a opressão sobre as mulheres e o feminicídio não existe desde sempre. Ela começa com o nascimento e o desenvolvimento da propriedade privada, do capital e do Estado. A emancipação da mulher está, portanto, intrinsecamente ligada à luta contra a sociedade capitalista. A luta pela emancipação da mulher é a luta pela emancipação do gênero humano.
É por isso que o PCB-Campinas vem a público demonstrar todo apoio, na individualidade do caso de Ana Paula Alencar, à luta organizada de todas as mulheres e homens da classe trabalhadora contra o feminicídio e o capital.
Ana Paula Alencar, Presente!
A luta pela emancipação da mulher é a luta pela emancipação de toda humanidade!
A luta contra o feminicídio é a luta contra o Capital!
Lutar, criar, poder popular!
PCB – Campinas.  Apoio: PCB (Partido Comunista Brasileiro) de  Garanhuns/PE

1. ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. p. 198 e 199. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 1987.

3 comentários:

  1. No país com 62 mil assassinatos de "seres humanos", estes asnos comunistas, estão preocupados, não com a totalidade dos assassinatos, mas sim com apenas 8% deles, mas com os saídos do dicionario de Dilma "feminicidios".

    Dai eu pergunto: "É possível não manda-los tomar naquele lugar?"

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ô asno mal-intencionado!! - Não estamos discutindo percentual de homicídios! NÃO! - O que se discute aqui é a mania da maioria dos "homens" se considerar proprietários das MULHERES!! - Dá pra entender?! - Senão, entenda sem dar mesmo!! /.

      Excluir
  2. Assim como aconteceu com Ana Paula Alencar, aconteceu com a professora Margot Proença, também em Campinas SP. No dia 7 de novembro de 1970, Margot Proença foi assassinada com 11 facadas, pelo marido, o procurador de Justiça Augusto da Rocha Monteiro Gallo. - O casal tinha a filha Maitê Proença, com 12 anos de idade; e o filho Renê Augusto, de sete (7) anos de idade. - O Tribunal do Júri de Campinas absolveu Augusto Monteiro Gallo duas vezes, por "legítima defesa da honra"?! - O primeiro julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Posto que os jurados consideraram "que não houve excesso na conduta de Augusto Gallo; que ele agiu moderadamente, ao matar a esposa". – Na segunda sessão de julgamento, com a mesma tese, o Tribunal do Júri, reconhecidamente discriminatório e machista, tornou a absolver Monteiro Gallo. – (Onze -11- facadas de surpresa foi "agir moderadamente"?! - Imagine o que seria considerado excessivo por aqueles julgadores?!) – O julgamento foi tão aberrante, que o juiz ouviu uma criança de 12 anos de idade, no plenário do Júri (Maitê Proença, filha do casal)!- (O juiz José Augusto Marin, durante o inquérito e o processo-crime ouvia as testemunhas na própria residência de Marin. Esse juiz José Marin era muito amigo do procurador Monteiro Gallo.) – 3. Por fim, o terceiro e definitivo julgamento de Augusto Monteiro Gallo foi um câncer generalizado que o levou ao suicídio, com dois tiros no coração, em julho de 1989 (19 anos depois de matar a esposa)! /.

    ResponderExcluir