Universidade Federal Rural
Dilma e Eduardo com os alunos de Medicina
Voltei
a morar em Garanhuns, depois de 18 anos no Recife, em 1994. São duas décadas na
cidade das flores, acompanhando seus problemas, suas mudanças, algumas tragédias
e também seu crescimento.
Alguns,
de forma pessimista, gostam de dizer que Garanhuns é a “terra do já teve”. Uma
bobagem. Toda cidade perde alguma coisas e outras vêm a ocupar o seu lugar. Pode-se
dizer também que Garanhuns é a “terra do já tem”.
Assim,
se a cidade não tem mais a estação do trem, as Casas José Araújo, os cinemas
Jardim, Glória, Veneza e Eldorado, um time de futebol na primeira divisão do
pernambucano, fábricas como a Hora Norte, a Coca Cola, o Castelinho e as
grandes festas de final de ano, em compensação ganhou muitos outros atrativos,
novas casas comerciais e bairros inteiros foram surgindo ao longo do tempo.
BAIRROS - Em
1994 a
Cohab II não passava disso. Um conjunto de casas construído no Governo de
Roberto Magalhães e tudo em volta era mato, bem pertinho já ficava a zona rural
do município. Hoje a área do Conjunto Francisco Figueira compreende uma
verdadeira cidade, com padarias, supermercados, postos de gasolina, escolas, farmácias, lojas de roupas e
calçados, igrejas para todas as crenças, postos de saúde, creches e uma expansão
formidável dos loteamentos em volta. Casas boas, valorizadas, o asfalto
chegando a algumas ruas e com o Conjunto Residencial do Minha Casa, Minha Vida
a Grande Boa Vista já está encostando no Sítio Castainho.
Outras
áreas da cidade têm semelhante crescimento: em volta da Cohab I, nas últimas décadas,
surgiram verdadeiros bairros, como Mãe Rainha, Parque Fênix, Massaranduba e
Jardim Petrópolis. Há de se destacar, ainda, o crescimento da Brahma, da Brasília,
de Manoel Chéu e Várzea, da área que chamam Novo Mundaú...
Enfim,
embora com esse crescimento aumentem as demandas por pavimentação, saneamento,
saúde, escolas e transportes, não se pode deixar de reconhecer que ele é um
fato.
Garanhuns
tinha 60 mil habitantes no meu tempo de estudante do Colégio Quinze, chegou aos
80 mil nos meus tempos do Recife e hoje, segundo o IBGE, se aproxima dos 140
mil moradores.
FACULDADES - Quanto
retornei à cidade, duas décadas atrás, praticamente só tínhamos a Faculdade de
Formação de Professores. O crescimento da FAGA/AESGA, que se tornou um gigante,
se deu nos últimos 15 anos, com a consolidação do Curso de Administração e a
implantação de cursos como os de Direito e Engenharia.
Na
UPE temos Psicologia e Medicina, que pareciam sonhos distantes, anos atrás. E
com a determinação do ex-presidente Lula veio a Universidade Rural, com
Agronomia, Veterinária, Zootecnia, dentre outros.
A
cidade ganhou também uma Escola Técnica do SENAI e o Instituto Federal de
Educação, estabelecimentos de qualidade que trabalham profissionalizando os
jovens, oferecendo-lhes a oportunidade de uma carreira.
Na
área de saúde lembro que a cidade durante muito tempo era pobre demais em
algumas especialidades. Havia carência de urologistas, cardiologistas,
gastros... Hoje tem de tudo, o Hospital Monte Sinai surgiu nos últimos anos na área
privada e já temos uma UPA com bons serviços na rede pública.
O Assaí já está em construção
Casas Bahia são mais uma opção de compra
COMÉRCIO - “Quando aqui cheguei com meu matulão”, como diz a
música de Luiz Gonzaga, o comércio de Garanhuns era absolutamente dominado
pelas lojas de Ferreira Costa e Pérola. Para comprar um som, uma televisão,
outro eletrodoméstico ou mesmo uma cama ou armário praticamente só havia a opção
de comprar numa dessas casas.
Nas
últimas décadas foi que chegaram a Insinuante, Lazer, Eletroshopping, Lojas
Maia (que virou Magazine Luísa) e outras que se instalaram pela Avenida Santo
Antônio, Dom José e adjacências.
Nos
últimos anos vieram a Americanas, Casas Bahia e já estão sendo construído o
atacarejo Assaí.
Ora,
em Garanhuns, tempos atrás, não tinha sequer a franquia da Amazônia Mix, uma
lanchonete legal que todo mundo gosta. Esta, como a Pastello, Subway, Bibelu,
Cacau Show e tantos outros empreendimentos surgiram nesse “boom” dos últimos
anos.
Pode
parecer pouco para quem está constantemente na capital, acostumado com os
modernos Shoppings Centers, mas é uma opção bastante atrativa para os jovens
que vivem o dia a dia da cidade, saem pouco e hoje contam com algumas opções
que pareciam impossíveis 10 anos atrás.
E
essa moçada que se criou sem saber o que é um cinema, ouvindo os mais velhos
falar no Jardim e Veneza? Adoram o Cine Eldorado, no qual muitos não acreditavam e
já está perto de completar 10 anos, com duas boas salas oferecendo um programação
em sintonia com o que passa nas capitais.
Em
1991, quando foi criado, o Festival de Inverno foi uma “festinha” do lado do
Centro Cultural, sem que ninguém imaginasse que se transformaria no maior
evento cultural do interior do Nordeste brasileiro. Mesmo nas capitais como
Recife, Salvador e Fortaleza dificilmente temos um evento de tal porte, com
tantas atrações e tantos artistas de renome nacional e internacional.
Garanhuns
mudou, melhorou e cresceu, nas últimas décadas. E pode ir ainda mais longe. Caso
saia a duplicação da BR-423 tenham certeza de que haverá um novo “boom” e aí
perderemos de vez os ares de província e teremos de nos preparar para virar “cidade
grande”.
O
desenvolvimento de Garanhuns, ao contrário do que muitos pensam, não depende
somente dos governos. Eles são importantes, um bom gestor ajuda muito. Mas para
a cidade continuar crescendo precisa do prefeito, do governador, de bons
representantes no Legislativo, dos empresários, das associações, dos clubes de
serviço, do Exército, das Igrejas, da Imprensa, dos educadores, dos médicos,
dos engenheiros, dos homens da lei, enfim, da sociedade como um todo pensando
grande, pensando positivo, trabalhando e lutando por um município próspero e
civilizado.
Mais
na frente, poderemos dizer com o orgulho de ser garanhuenses: “Garanhuns já tem”.
Amanhã
o Shopping, a BR duplicada, faculdades no Colégio XV, os cursos da FAMEG, hoteis, restaurantes (as opções
em gastronomia têm melhorado muito), uma emissora de TV....
A cidade não vai
parar. O futuro nos espera..
A franquia da Bibelu na cidade
Arte de Marcelo Jorge antevendo o Shopping






Roberto que prazer ler o seu texto sempre fico feliz em ver pessoas otimistas porque o que eu mais vejo e ao contrario, mais a nossa Gus continua a todo vapor. abcs
ResponderExcluirUma verdade caro amigo. Concordo com praticamente tudo que você mencionou. Também estive fora da cidade por alguns anos, e quando voltei dois anos atrás, me surpreendi com tantas coisas diferentes que encontrei na minha querida cidade. Porém, você há de concordar comigo que, existe algo muito mais importante que novos bairros, novas lojas, mais cursos universitários, etc... O que realmente não mudou, em onze anos que estive fora de Garanhuns, foi a realidade que uma boa parte da população de nossa cidade vive em função de mostrar pros outros o que não tem condições de ter. Só pode fazer parte da TURMA se você faz aquilo que os outros acham que você pode fazer, mesmo quando não se pode.
ResponderExcluirTenho certeza que você, assim como eu, conhece alguém que não têm casa própria, mas faz questão de dirigir o automóvel importado da moda. E ainda, onde na roda de amigos, um tem sempre uma história para diminuir a do outro, e sempre elas são ou de quanto se bebeu, ou de quão rápido se "botou" no carro...... Em apenas dois anos, já ouvi mais histórias desse tipo aqui, do que os onze em que morei fora.
A educação do nosso povo também deixa muito a desejar. Certa feita, estava na Av. Santo Antonio e ao ver uma senhora, repito uma senhora, jogar lixo na rua, lhe disse que haviam muitas lixeiras na avenida e que não deveria fazer isso. Recebi como feedback um famoso sinal que se faz com o dedo médio.
Gosto muito da minha cidade, mas não acredito que com essa mentalidade, nós iremos chegar muito longe.
Algumas coisas mudaram muito em Garanhuns, para melhor claro. O festival de Inverno e as Universidades tem contribuído para mudar aquele comportamento de esnobação, de falta de espontaneidade ou coisa parecida, para melhor explicar: Falam que quando em uma de suas passagens por Garanhuns, Luiz Gonzaga puxou o fole e ninguém se mexeu. Aí ele parou e disse: "Eu sei que Garanhuns é uma cidade fria, mas que seu povo é, eu não sabia" Me recordo que no tempo da garaêta o desfile dos blocos pareciam uma procissão, quando você via um folião, ia se certificar que não era de Garanhuns. Percebo que hoje a coisa tá mudada. Quanto ao lixo concordo com você, a população de Garanhuns precisa se educar mais para isto. Garanhuns é uma cidade limpa devido a competência da limpeza urbana. Uma outra coisa que me deixa bastante orgulho em Garanhuns, é que raramente vejo pixações.
ExcluirAJCJ
Adoro Garanhuns. Depois da Maniçoba-Capoeiras-minha natal, Garanhuns é a minha cidade.
ExcluirAgostinho Cordeiro Jessé
Roberto, aqueles que não reconhecem as mudanças em Garanhuns, são pessoas saudosistas, presas num passado, incapazes de perceber estas mudanças.
ExcluirAgostinho Jessé
olá bom dia , moro no maranhão e pretendo me mudar para pernambuco e uma das cidades escolhidas foi garanhuns , gostaria de dicas dos melhores bairros para morar em garanhuns ?obrigado messiasm@gmail.com
ResponderExcluirHeliópolis.
ExcluirMoro na belíssima cidade de Maceió/Al, porém estou muito desgostoso com os políticos do meu estado e da falta de perspectiva de crescimento e estou seriamente pensando em me mudar para Garanhuns, cidade de um clima sem igual e que eu passava minhas ferias quando era criança.
ResponderExcluirSe possível, gostaria de dicas de moradia, tipo de comercio que não tem ai (pois pretendo abrir negocio próprio) etc...