segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A MATEMÁTICA E O MELHOR JOGADOR DO BRASIL

De Gustavo Krause no Blog do Torcedor:

Amigo torcedor, amigo secador (crédito para autoria de Xico Sá), aos quais acrescento por conta e risco, corneteiros, ondeiros profissionais, fofoqueiros, cafajestes digitais, aconteceu o indesejável para vocês: o Náutico permanece na série A do campeonato brasileiro de 2013. Uma sentença imutável da matemática; um prêmio ao mérito respaldado na contratação do melhor jogador do Brasil que, mais adiante, revelo o nome.

Noves fora a babaquice de comemorar o “fico” antes da certeza matemática (e não é a primeira vez, ano passado foi assim, e eu espero que a lição não passe em branco), os números da probabilidade estatística sempre estiveram a nosso favor.

Porém, o futebol tem várias lógicas: a lógica do mérito que deveria ser soberana e não é. Tem a lógica do imponderável (o montinho artilheiro); tem a lógica da onipotência, da oniciência, monopólio da cambada de árbitros a serviço dos times poderosos e cada vez mais impunes; tem a lógica transcendental, metafísica, operada por satanás nos detalhes e pela ação inexplicável dos personagens de Nelson Rodrigues, Sobrenatural de Almeida e Gravatinha.

Esta confluência de “lógicas”, contaminada pela emoção devastadora do espetáculo do futebol que faz rir, chorar, agredir, abraçar, gritar, submergir em profundo silêncio e, no limite, morrer por explosão cardíaca, é o que me leva a afirmar com inabalável convicção: a mais complexa, a mais imprevisível, a mais arriscada empreitada que me foi dada a conhecer e viver, foi a gestão de um Clube de Futebol. 

Não entrarei em detalhes para não fugir do tema central do texto. No entanto, merece destaque uma peculiaridade na gestão clubística: todos, cartolas e jogadores, são julgados severamente, em média, duas vezes por semana. Não conheço atividade tão exposta e vulnerável. As glórias transformam-se, logo, logo, em relíquias de museu; as derrotas permanecem vivas, falantes com a voz lúgubre de uma consciência impiedosa.

Agora, vamos à permanência do Náutico na série A. Dez em dez analistas, não tinham dúvidas: era um time marcado para morrer. Previsão nada genial. Aliás, nesta competição entre desiguais e, sob a batuta de espertos personagens, o ano começou com uma certeza Náutico, Ponte Preta, Portuguesa, Figueirense, Atlético de Goiás, e mais, remotamente, Coritiba e Sport, fariam o campeonato da morte. Uma surpresa: o Palmeiras (a imprensa nacional pariu um rolo de arame farpado). Uma certeza: o Flamengo seria protegido como foi e ficaria salvo. Portanto, nenhuma novidade.

Senhores torcedores, secadores etc..., foi um ano inteiro de tensão. Noites mal dormidas. Taquicardia. Apreensão. Para a imensa torcida, o jogo termina quando o juiz aponta para o meio do gramado. Para os que têm a responsabilidade de dirigir, recomeça outro jogo. É um nunca acabar. E desta vez, permanecer na primeira divisão tem vários significados, entre eles, o mais concreto que é manter, em dia, todos os acertos com passivos históricos e chegar, se Deus quiser, para jogar na Arena Pernambuco de cabeça erguida e com um time competitivo. 

Acreditem, vi e vivi de perto a entrega dos dirigentes. A ansiedade, a angústia, o drama da incerteza, tudo, felizmente recompensado no dia 25 de novembro de 2012 na batalha de Pituaçu. Um time mutilado. Contra a respeitável tradição baiana e o eco de 40 mil vozes. E aí vale um comentário: o menor orçamento e um dos mais reduzidos elencos do campeonato foi superado por um time organizado em campo que privilegiou o futebol coletivo e, à exceção de três ou quatro jogos, suou e honrou a camisa, foi valente, brioso, raça, muita raça, o que supriu deficiências individuais. É preciso valorizar a permanência o que não é uma conquista simples. Não apenas neste quadro de adversidades, mas sendo vergonhosamente garfado contra o Inter, contra o Atlético Mineiro, contra o Vasco, contra o Fluminense e o Flamengo (escândalos).

Agora, a contratação do melhor do jogador do Brasil e o mais importante para nossa conquista: SALÁRIOS EM DIA. Esta renovação de contrato e reafirmação de compromisso são peças-chave para qualquer planejamento. E se define esta “contratação” a partir do tamanho da receita. Presidente, mão de ferro! Não abra como não abriu este ano. Nada de pressa. Nem ansiedade. O sucesso traz o paradoxo de valorização e do aumento de gastos. Todos foram e são importantes, menos para comprometer o equilíbrio orçamentário. Espero que esta semana os “donos do dinheiro” não mais adie a conversa sobre a renovação do nosso contrato. 

Abrindo parêntesis: a Caixa Econômica patrocinará o Corinthians no valor 31 milhões com surpreendente comentário favorável do meu respeitável amigo Juca Kfouri; o Flamengo sugou anos a fio a Petrobras que, depois das estripulias lulistas, está valendo menos do que empresa de cerveja; o Vasco mamou por muito tempo nas tetas da Eletrobras, tudo como o meu, o seu, o nosso dinheirinho porque são empresas públicas ou sociedades de economia mista. Pergunta se estes Clubes apresentaram o SICAF ao burocratas. Uma vergonha!!! Fechando parêntesis. 

A verdade é que 2010 por caminhos dolorosos, 2011 e 2012 por caminhos mais seguros ensinaram bastante.

Para finalizar, uma súplica do fã: cala boca Kiezinha!


(Gustavo Krause é ex-prefeito de Recife, ex-governador de Pernambuco e conselheiro do Clube Náutico Capibaribe).

7 comentários:

  1. Se as verdades dos bastidores da politica clubística viessema a tonar, o futebol pederiam
    o melhor das paixões,como bem frisou o grande GK
    a arte que nos faz rir,chorar,brigar,etc...
    Vivemos numa época em que o certo está errado e vice-versa...
    NAUTICO ATÉ MORRER
    Cala aboca KUKI e KIEZINHA ihihihihihihihihi

    ResponderExcluir
  2. José Fernandes Costa27 de novembro de 2012 10:13

    Esses blá-blá-blás sobre futebol, para mim, são o suprassumo da babaquice! - Nem precisei ler toda essa lenga-lenga. - Considero Gustavo Krause um exímio pernóstico, presunçoso, pretensioso. E metido a intelectual. - Não por acaso, o finado Paulo Francis o considerou o ministro Jeca Tatu em anos recentes. E ele caiu fora do ministério, sem deixar marcas de proveitos. - Gustavo Krause foi prefeito biônico, nomeado pelo então governador biônico, Marco Nulo Maciel. - São os herdeiros políticos dos anos de chumbo dos milicos. E hoje ele se contenta tecendo loas ao Náutico. E termina seu mal-escrito com uma frase piegas e reles. - Triste fim de um saudosista da Arena./.

    ResponderExcluir
  3. Faço minhas as palavras do José Fernandes Costa, discordando apenas do "metido a intelectual", não caro José, ele não é metido, ele realmente é um intelictual, uma pessoa muito culta e inteligente, pena que é mais um desses casos, onde a cultura que tem, transforma-se em soberba e se apesenta como preconceito em relação aos demais. Isso talvez deva-se ao fato da babação que se tem em relação a ele por muito aqui em Recife, onde ele é tratado como o farol de Alexandria de Pernambuco. No resto, vc tem toda razão, é um gestor reacionário onde o capital prevalece sobre a pessoa e juntando essa visão ao orgulho elitista, o transforma em mais uma das viúvas elitista reveladas pelo Governo popular de LULA.

    ResponderExcluir
  4. À escrever bobagens e idiotices, vai ficar no teu canto e curtir teu ostracismo, era só o que faltava. É de fato arrogante e presunçoso, e se diz o maior conhecedor de futebol do mundo, ele pensa assim, para mim conhece de futebol, tanto quanto, todos nós que gostamos, conhecemos,ele talvez um pouco menos. Porque de resto, conheçe muito pouco ou quase nada. Sempre foi alçado aos cargos pelos caciques à época, sem competência para tal, com passagens medíocres nesses cargos. Um político de pouco valor,quase vulgar, e um cidadão que quer aparecer.Só.

    ResponderExcluir
  5. Desculpem, escreví "conhece" com "Ç", é o fim.

    ResponderExcluir
  6. José Fernandes Costa28 de novembro de 2012 16:54

    É, meu caro Gama: não devo desconhecer a cultura desse pernóstico. Mas sei que há muitas cabeças pensantes nos meios acadêmico-científicos, em Pernambuco. Porém, esses outros pensam sem afetação obstinada. - Quando a pessoa usa a soberba para ostentar conhecimentos, cai na vala ordinária. - E essa pretensa superioridade do dito cidadão, que se mete em tudo, querendo exclisividade do saber só para ele, faz com que eu o considere "metido" a intelectual. - Nada obstante, concordo com seu posicionamento. E agradeço-lhe por concordar, em grande parte, comigo./.

    ResponderExcluir