SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO

CLAUDIONOR GERMANO - GRANDES NOMES DA MPB - 96º

Claudionor no carnaval de Recife 2012

Embora o frevo não toque o ano todo e não seja ouvido em outras regiões do país como em Pernambuco, nenhum estudioso pode ignorar a sua importância no universo da música popular brasileira. Um ritmo contagiante, alegre, às vezes com um toque melancólico, mas sempre capaz de levar às pessoas a dançar, pular, brincar, sorrir ou, no outro extremo, chorar de saudade.

Somente Nélson Ferreira e Capiba (já incluído nesta série) deram enorme contribuição ao frevo, compondo ao longo de suas vidas centenas de músicas que foram sucessos no carnaval e deliciaram de alguma forma diferentes gerações.

O baiano Moraes Moreira, que compôs bons frevos e fez a terra do axé saltar ao som da música de Pernambuco, numa de sua canções reconhece que o frevo nasceu entre nós, tendo recebido “uma nova energia” em seu Estado natal. Talvez tenha um pouco de razão. Afinal, evoluímos pouco, os novos compositores não conseguiram a mesma dimensão dos citados Nelson e Capiba e hoje muitos dos jovens não conhecem e nem gostam da autêntica música pernambucana.

Quando se fala em frevo, além dos dois compositores lembrados, é impossível esquecer do cantor Claudionor Germano, sem dúvida nenhuma o melhor intérprete do gênero. Somente de Capiba o artista gravou 130 canções e outro tanto de Nélson. Quem nasceu em Pernambuco e tem mais de 40 anos dificilmente deixou de ouvir, pelo menos no período do carnaval, músicas como Evocação número 1, A virada, Bloco da Vitória, Cabelos Brancos, A mesma rosa amarela, Linda Flor da Madrugada, É de Amargar.

Mandei fazer
Um buquê
Para minha amada
Mas sendo ele
De bonina disfarçada
Com o brilho da
Estrela matutina,adeus menina
Linda flor
Da madrugada
Tem cravos
Tem rosas bonitas
De bonina disfarçada.
Mas se minha amada
Não quiser o buquê
Eu faço presente
A você.

Esses versos de Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, entoados na voz limpa e agradável de Claudionor, encantam qualquer amante da boa música. E levam muitos a querer dançar, rodar, cair no passo, envolvidos pelo mistério que o frevo tem, para lembrar aqui um artigo do jornalista José Teles sobre a música pernambucana.

Claudinor Germano da Hora é natural de Recife, tendo nascido em agosto de 1932. É dos bons alvirrubros do Estado (torcedor do Náutico), assim como Gustavo Krause, André Campos e o governador Eduardo Campos.

O cantor de frevos (e também de músicas românticas) já gravou 23 discos e seu filho, Nonô Germano, seguiu sua carreira, cantando frevos, como o pai e também canções de outros gêneros.

Claudionor é irmão do famoso escultor pernambucano Abelardo da Hora.

O artista pernambucano começou cedo, aos 13 anos já chamava a atenção de compositores recifenses e o próprio Nélson Ferreira percebeu o potencial do menino. Já em 1947 era crooner do conjunto Ases do Ritmo e gravou suas primeiras músicas. Cantou na Rádio Clube, a pioneira, depois Rádio Tamandaré e Jornal.

Quando a TV Jornal chegou à capital pernambucana Claudionor Germano tornou-se um dos ídolos da emissora, ficando cada vez mais conhecido e animando os carnavais da Veneza Brasileira.

Não pense, no entanto, que o frevo, seus compositores e intérpretes não despertariam interesse também em outros lugares. O cantor pernambucano, ainda jovem, apresentou-se com sucesso, na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro e TV Record de São Paulo.

Claudionor também levou a música do seu Estado a cidades do exterior, como Miami, Nova Iorque e Tóquio.

No site do Governo do Estado, que deu subsídios ao artigo acima,  há uma interessante biografia de Claudionor Germano, dentro de uma série, me parece, intitulada “A Música de Pernambuco”. Transcrevemos a seguir alguns trechos desse texto a respeito do cantor:

"Em 1959 gravou Capiba 25 Anos de Frevo pela Rozenblit, seguindo-se O Que Eu Fiz E Você Gostou (músicas de Nelson Ferreira), Capiba, Carnaval Começa com C de Capiba, e outros com músicas de Nelson Ferreira: O Que Faltou E Você Pediu, e, ainda, Frevo, Alegria da Gente.

"Foi com as músicas de Capiba e de Nelson Ferreira que Claudionor se projetou: “Os dois, na música, eram inimigos cordiais. E quando eu gravava um disco com as músicas de Nelson, tinha que gravar outro com as de Capiba.”

"No período áureo da Bossa Nova, Claudionor lançou o samba de Capiba, com letra de Carlos Pena Filho, A mesma Rosa Amarela, que mereceu dezenas de regravações.

"Participou três vezes do Festival Internacional da Canção, sendo que em uma dessas oportunidades ficou em quinto lugar com a música “São os do Norte que Vem” de Capiba e Ariano Suassuna.

"Em 1980 participa pela primeira vez do carnaval de rua do Recife, inaugurando a Freveioca, numa promoção da Prefeitura da Cidade do Recife, com a Orquestra Popular do Recife regida pelo maestro Ademir Araújo. A Frevioca é uma idealização do seu outro grande amigo Leonardo Dantas, então Diretor da Fundação de Cultura Cidade do Recife.

"Passou 14 anos na Fundação de Cultura Cidade do Recife, onde criou e realizou o projeto da Casa do Carnaval.

"Embora tenha essa marca de o maior cantor de frevos de Pernambuco, é um grande cantor romântico. “Gosto muito de mim cantando lento, romântico”, confessa.

"Com uma vida fortemente marcada pelo frevo genuinamente pernambucano, se chateia com a invasão dos baianos: “É uma comprovação da capacidade administrativa deles. Sabem administrar bem. Muitas coisas tiram de nós, e o povo, de uma maneira geral, pensa que a eles pertencem”, comenta.

"Lembra de um ponto alto na sua vida, um grande momento: “Eu tinha 13 anos e estava no Teatro Santa Isabel, para assistir ao maior cantor de todos os tempos, Orlando Silva. De repente, as fãs rasgaram a camisa do astro que teve que se retirar do palco, tantos eram os amassos. Nelson Ferreira me chamou, me colocou no palco para cantar, enquanto Orlando Silva se arrumava para voltar. Cantei. Ao repetir o refrão, senti uma mão no meu ombro e a “voz” cantando comigo!...Pensei que ia morrer de alegria, não acreditava que aquilo estivesse acontecendo comigo”, revela Claudionor.

"Com a sua autoridade, Claudionor fala dos grandes compositores, maestros arranjadores e cantores de frevo de todos os tempos: Compositores: Capiba, Nelson Ferreira, Carnera, Zumba, Levino Ferreira, Carlinhos Almeida e Nelson Gusmão; Maestros Arranjadores: Guedes Peixoto, Edson Rodrigues, Duda e Clóvis Pereira. Entre os cantores: Expedito Baracho, Nono Germano e Ivanildo Silva."

Claudionor Germano, por tudo que tem feito pela música pernambucana e brasileira, é incluído com toda justiça nesta relação de 100 Grandes Nomes da MPB.

CLAUDIONOR NO FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS - Clicando em Claudionor no FIG..., todo em maiúsculo, você acessa um vídeo do yotube gravado na Suíça Pernambucana, em 2009, quando o cantor recifense se apresentou no palco da Guadalajara, acompanhado de orquestra e cantou os melhores frevos do seu repertório.

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