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domingo, 27 de fevereiro de 2011

FILMES INESQUECÍVEIS - 42º

MANDELA - A LUTA PELA LIBERDADE

O cinema como entretenimento nos traz aventuras, fantasias, risos e esperança. Como instrumento de arte pode provocar reflexões sobre a vida, a beleza, a natureza, os costumes de diferentes povos, a história, a política.

O Cinema Político e de qualidade não é para qualquer um. Um filme não pode virar um panfleto, da mesma forma que a Literatura não pode se perder em boas ações e descuidar do estilo ou da estética.

Um dos melhores cineastas a tratar de política em seus filmes é o grego naturalizado francês Costa Gravas. Estado de Sítio, Z, O Quarto Poder e Desaparecido estão entre as obras primas da sétima arte e são todos longa metragens que trazem a temática política em primeiro plano, mantendo mesmo assim a qualidade artística.

Desse diretor, lembro especialmente de Desaparecido, por tê-lo visto mais de uma vez e pela abordagem que faz do começo da ditadura de Pinochet no Chile. É uma País da América do Sul, que nos anos 70 viveu uma situação parecida com a do Brasil, abrigando, enquanto ainda experimentava a democracia de Salvador Allende, muitos brasileiros, inclusive o candidato do PSDB à presidência por duas vezes, José Serra.

A obra de Costa Gravas merece um capítulo à parte. Quem sabe posteriormente trataremos dele.

No momento, quero escrever sobre um filme mais ou menos recente, de 2007, de um diretor não tão conhecido quanto o grego, Bille August, mas que realizou uma bela obra ao levar para as telas a história do líder negro Nelson Mandela.

O longa Mandela – A Luta pela Liberdade, que tem o ator Joseph Fiennes (Shakespeare Apaixonado) como um dos destaques e Dennis Haysbert no papel do ex-presidente da África do Sul, envolve e apaixona, pela temática e pelo personagem.

Pode não ter muita semelhança com a citada obra de Costa Gravas, porém é um filme essencialmente político e de valor histórico. Bille August conseguiu ainda costurar um roteiro interessante e rico, incluindo os dramas familiares dos principais personagens envolvidos na estória.

Tudo começa quando Nelson Mandela ainda moço é preso pelo regime da África do Sul. James Gregory (Fiennes), agente penitenciário, é promovido para uma cadeia de segurança máxima em um ilha próxima à cidade do Cabo.
Gregory cresceu perto de uma comunidade negra e é um dos poucos brancos a falar fluentemente o dialeto Xhosa. Por isso ele é escolhido para ser o Chefe do Departamento de Censura da prisão que está Mandela. Sua missão é ler todas as cartas dos detentos negros e cortar ou proibir sumariamente tudo que possa prejudicar o regime de apartheid.

Tanto James quanto sua mulher Glória têm uma visão distorcida a respeito dos negros que lutam pelos seus direitos na África do Sul. Mandela, principalmente para a esposa do agente penitenciário, é um terrorista, um verdadeiro monstro. “O que eles querem é matar todos brancos”, assim raciocina o casal Gregory.

A convivência com Mandela e os outros negros da prisão irá aos poucos mudar a cabeça de James. Ele passa a perceber que as coisas não são exatamente como as autoridades e seus amigos brancos lhe ensinaram.

Na verdade o tempo vai faz brotar estima e amizade entre o líder negro e o policial branco. Mais na frente, ele toma atitudes que prejudicam sua carreira profissional e sua família. Glória e os filhos chegam a ser hostilizados na África do Sul de minoria branca racista, e que tem o poder.

O filme centra mais nas figuras de Nelson Mandela e Joseph Gregory, sem deixar de mostrar a mobilização pelo fim do apartheid, pela libertação do líder negro e por diversos direitos negados a maioria africana.

A produção, que envolveu pessoas da Bélgica, do Reino Unido, África do Sul e Luxemburgo, atravessa décadas. A história começa nos anos 60 e chega a 1990, quando Nélson é libertado depois de 27 anos (devido a luta do seu povo e também por conta da pressão internacional). As imagens reais de Mandela se abraçando com sua gente, depois de quase três décadas atrás das grades são de arrancar lágrimas de quem tem consciência política e o sentimento da História.

Mandela – A Luta pela Liberdade é um filme para quem gosta de política, história e de bom cinema. É uma apaixonante estória real sobre um personagem que ainda está vivo, passando dos 90 anos de idade e que se tornou, mesmo sendo de um pais pobre, um dos ícones do século XX e mantém seu prestígio e sua lenda neste novo século.

A vida de Nélson Mandela, que rendeu muitas reportagens de jornal e TV, livros e outros filmes é tão rica que parece mesmo coisa de cinema.

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