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sábado, 25 de setembro de 2010

GRANDES NOMES DA MPB XLI


Maysa morreu em 1977, com apenas 41 anos de idade. Não fosse o acidente na Ponte Rio-Niterói, que lhe tirou a vida tragicamente, poderia estar ainda entre nós. Idosa, curtindo os netos, quem sabe teria se livrado do vício do álcool...?

Natural de Botafogo, no Rio de Janeiro, Maysa Figueira Monjardim nasceu no dia seis de junho de 1936. Seus pais, Alcebíades e Inah Monjardim, pertenciam a uma rica e tradicional família do Espírito Santo.

O senhor Alcebíades era fiscal de rendas e morou no Rio de Janeiro, em Bauru e outras cidades do interior de São Paulo. Fixou-se depois na maior metrópole do país.

Pré-adolescente, Maysa já se apaixonava pela música, tendo aos 12 anos feito sua primeira composição, o samba canção “Adeus”, que interpretava ao piano. Com apenas 18 anos a jovem casa com André Matarazzo, quase 20 anos mais velha do que ela. O marido pertencia a tradicional família da elite industrial paulista, formada por milionários.

Em 1956, grávida de Jaime Monjardim - que no futuro seria talentoso diretor de novelas da extinta TV Manchete (autor de Pantanal) e depois da TV Globo -, Maysa conhece o produtor musical Roberto Corte Real. Este fica encantado com sua voz e de imediato lhe convida para gravar um disco.

Ela só espera o nascimento do filho e depois entra em estúdio, gravando o seu primeiro disco, em 1956. O marido, no entanto, é contra a carreira artística da esposa e esse desentendimento vai levar ao fim o casamento. Maysa estava à frente do seu tempo: entre a vida certinha de dona de casa e a música prefere a segunda opção e segue em frente.

Separada, a artista teve relacionamentos diversos, que normalmente vazavam para a imprensa. Namorou o ator Carlos Alberto, o maestro Júlio Medaglia,o produtor Ronaldo Bôscoli (este deixou Nara Leão por Maysa). Teria tido um caso até com Roberto Carlos, segundo relata o historiador Paulo César Araújo na biografia proibida do cantor mais popular do país. Em 1963 conhece um advogado espanhol, Miguel Azanza. Casa pela segunda vez e vai morar na Europa, onde passa seis anos.

Volta ao Brasil em 1969, está livre novamente, prossegue sua vida artística, como cantora e atriz.

Maysa era uma excelente intérprete do samba canção e de boleros. Tinha uma voz suave, melancólica, triste, doce. Posteriormente, deixou um pouco o estilo “dor de cotovelo” e foi uma das representantes da Bossa Nova, um gênero mais leve. Considerada pela crítica especializada uma das grandes cantoras do país, fez sucesso no Brasil e no exterior, tendo excursionado por vários países da América Latina e da Europa.

Entre as músicas que mais marcaram a carreira de Maysa Monjardim estão Felicidade Infeliz (de sua autoria), Bom Dia, Tristeza (de Adoniram Barbosa e Vinícius de Moraes), Tristeza (de Haroldo Lobo e Niltinho) e Bloco da Solidão (Evaldo Gouveia e Jair Amorim). Também foram marcantes sua interpretação de Eu Sei que Vou te Amar, de Tom Jobim, e Chão de Estrelas, de Orestes Barbosa. Desta última existe um registro de uma apresentação inesquecível da cantora no programa Fantástico, da TV Globo.

A emissora do Rio de Janeiro, por sinal, é responsável pelo resgate do nome de Maysa, que estava esquecida pelos mais velhos e era completamente desconhecida das novas gerações. O ano passado, a televisão exibiu com grande sucesso a minisérie “Maysa – Quando fala o Coração”, curiosamente dirigida por Jaime Monjardim, o filho da cantora, que foi criado pela avó. Segundo a imprensa, foi uma oportunidade dele exorcizar seus traumas de menino “abandonado” pela mãe.

Entre LPs e compactos simples, a cantora gravou mais de 30 discos. Chegou a incluir músicas em trilhas sonoras de novela, como aconteceu quando da primeira versão de Irmãos Coragem. Foi contemporânea de Dolores Duran e Ângela Maria, já abordadas nesta série, estando no mesmo nível das duas.

Maysa Monjardim, Maysa Matarazzo, como foi chamada durante uns tempos, ou simplesmente Maysa, foi uma grande cantora. Merece, sem nenhuma dúvida, entrar para a galeria de Grandes Nomes da MPB. (Principais Fontes de Consulta: Site Alma Carioca e Enciclopédia Google). 

**VÍDEO: Você pode acessar um vídeo do youtube clicando no nome de Maysa, acima, todo em mais maiúsculo. Escolhemos a interpretação incrível de Ne Me Quitte Pas, uma canção francesa que já foi gravada por muitos cantores brasileiros, como Angela Ro Ro, Roberta Miranda e Fagner (este último traduziu a letra).No caso de Maysa, a música ficou tão bonita com ela que o consagrado cineasta espanhol Pedro Almodóvar incluiu na trilha sonora do seu filme A Lei do Desejo, de 1987. Confira a beleza de interpretação.

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