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terça-feira, 17 de setembro de 2019

O LEGADO DE FRANCISCO PETRÔNIO NA MÚSICA

ESPECIAL - O Brasil já teve grandes vozes na música romântica, como Francisco Alves (o rei da voz), Orlando Silva (o cantor das multidões), Vicente Celestino (a voz do orgulho do Brasil) e Francisco Petrônio (a voz de veludo).

Esses cantores viveram a chamada época de ouro do rádio, tinham vozes privilegiadas e o repertório era romântico e de bom gosto.

Depois deles surgiu no cenário musical Nélson Gonçalves, que também tinha um vozeirão e pode ser equiparado em importância aos quatro primeiros citados.

Para não citar só os homens, no passado tivemos grandes estrelas como Ângela Maria (rainha do rádio), Dalva de Oliveira (rouxinol do Brasil), Eliseth Cardoso (a divina), Dolores Duran e Maysa.

Apesar de todos já terem partido, deixaram uma marca muito profunda na MPB e ainda hoje são lembrados pelos mais velhos e são conhecidos também por gente jovem graças às novas tecnologias.

Basta uma busca no YouTube para assistir shows, ouvir músicas ou acompanhar entrevistas de alguns desses artistas.

A maioria deles teve origem humilde, porém ficaram famosos e alguns ganharam muito dinheiro graças à música.

De alguns já tratamos detalhadamente em textos anteriores, mas tem um cantor sobre o qual nunca escrevemos, talvez por por estar “mais esquecido” do que os outros.

Por isso queremos focar hoje a carreira de Francisco Petrônio, nascido no bairro do Bexiga, em São Paulo, filho de italianos.

Curioso na vida desse artista é que ao contrário da maioria ele só começou sua carreira de cantor aos 37 anos de idade, em 1961.

Ele era motorista de táxi e gostava de cantar alguma coisa trabalhando. Um dia deu uma carona a um conhecido que trabalhava em rádio, cantarolou uma música, como era seu costume e chamou a atenção do passageiro.

Foi, então convidado para fazer um teste na TV Tupi, foi aprovado e contratado na hora.

A partir daí seguiu uma carreia artística de sucesso, tendo gravado grandes sucessos como Quem Sabe, O Destino Desfolhou, Branca e Rosa, de Pixinguinha.

Seu maior êxito, no entanto, foi a canção Baile da Saudade, que ele mesmo compôs com a ajuda de dois parceiros.

Virou uma marca de Francisco Petrônio, que produziu e apresentou na televisão um programa com o mesmo nome. Passou pela Tupi, TV Paulista, a antiga Record, Cultura e Bandeirantes.

Em 2004, muito tranquilo e lúcido e ainda com boa voz, já tendo passado dos 80 anos deu uma entrevista à TV Cultura falando de sua carreira, dos tempos de ouro do rádio e lamentando que os grandes cantores da música romântica ou já tinham morrido ou não tinham espaço.

Continuava a se apresentar, fazer shows, viajar e disse que enquanto não fosse chamado por Deus iria cantar, pois essa era sua grande paixão na vida.
Três anos depois dessa entrevista nos deixou, com um legado de 55 discos, entre gravações em 78 rotações, vinil e CD.

Francisco Petrônio, com a voz de veludo que o caracterizava, é um patrimônio da música brasileira e tem seu nome cravado na história, com seu Baile da Saudade e outras canções.

A letra de Baile da Saudade é simples, mas bela. Confira:

Ai que saudade tenho dos bailes de outrora,
Das valsas bem rodadas de branca e de aurora,
Das rondas e serestas nas noites de lua,
Dos jovens namorados aos pares na rua.
Já não se dançam mais estas valsas tão lindas,
A falta que nos faz, que lembranças infindas,
Evocação divina da lira sonora,
O baile da saudade dançamos agora.
Que saudade da retreta,
Espartilho, bengala, e palheta
De bondinho, de cem réis,
Das varandas e dos coronéis,
La, la, la, lara, lara,
Laiá la,
La, la, la,
Lara laraiá laiá la la.

Conheça ou relembre esta grande canção assistindo o vídeo com a interpretação de Francisco Petrônio:

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