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domingo, 18 de agosto de 2019

MARCORÉ E UM BREVE MERGULHO NA LITERATURA


Na escola se estuda literatura brasileira desde o ensino fundamental e há autores que sempre são citados.

José de Alencar (Senhora, Iracema, O Guarani, Diva e muitos outros romances), Raul Pompéia e sua obra prima, “O Ateneu”, Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha), Manoel Antônio de Almeida (Memórias de um Sargento de Milícias), Graciliano Ramos (Vidas Secas), Lima Barreto (Recordações do Escrivão Isaias Caminha, Clara dos Anjos, Triste Fim de Policarpo Quaresma) e o maior de todos, Machado de Assis, autor de Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cuba, além de muitas outras obras como o conto “O Alienista”, um dos melhores textos da literatura mundial.


E tem outros autores que estudamos no passado e se dá atenção a eles nos tempos atuais, principalmente a partir do segundo grau: Érico Veríssimo (O Tempo de o Vento, Incidente em Antares, O Senhor Embaixador), Jorge Amado (Gabriela, Cravo e Canela; Tereza Batista, Tieta do Agreste, Capitães de Areia,  Tenda dos Milagres), José Lins do Rego (Senhor de Engenho, Fogo Morto, Riacho Doce, Pureza), João Ubaldo Ribeiro (Viva o Povo Brasileiro), Guimarães Rosa (Grandes Sertões: Veredas), Monteiro Lobato (Sítio do Pica Pau Amarelo e muitas outras obras, principalmente de literatura infantil), Raquel de Queiroz (O Quinze, Dora Doralina), Clarice Lispector (Água Viva, A Hora da Estrela, A Maçã no Escuro), Rubem Fonseca (Agosto, Feliz Ano Novo, A Grande Arte), Euclides da Cunha (Os Sertões), Luís Fernando Veríssimo (Os Espiões, O Jardim do Diabo, O Analista de Bagé), Chico Buarque (Gota d´Água), Leite Derramado, Fazenda Modelo, Budapeste) e Martha Medeiros (Feliz Por Nada), como Luís Fernando Veríssimo mais conhecida como cronista.

Há ótimos escritores, porém, pouco conhecidos e que nem entram nos estudos da escola,  nem são citados nos exames vestibulares ou Enem.

Pelo menos no meu tempo de primeiro e segundo grau, nenhum professor nunca citou em sala de aula Cyro dos Anjos, escritor talentoso, autor de dois grandes livros que tive oportunidade de ler, quando era estudante de jornalismo: Abdias e O Amanuense Belmiro.

E o que dizer de Antônio Olavo Pereira, a quem só vim a conhecer há pouco tempo, já com mais de 60 anos de idade?

Antônio Pereira é do interior paulista, publicou alguns romances e pelo menos um deles é uma obra prima: “Marcoré”, romance lançado em 1957 e que venceu naquele ano o prêmio da Academia Brasileira de Letras de Melhor Livro.

“Marcoré” é um romance com um lado intimista, uma linguagem deliciosa e que se aprofunda na análise psicológica do ser humano, a partir dos personagens.

Romance não era reeditado no Brasil há 20 anos, tendo “renascido” em 2019 graças à Editora Arqueiro, que pertence aos descendentes dos que no passado foram responsáveis pela Editora José Olympio.

Marcoré, no ano do seu lançamento, foi saudado por grandes nomes da crítica e da literatura, como Alfredo Bosi, Gilberto Freyre, Raquel de Queiroz, José Lins do Rego, Antônio Cândido e Eduardo Portela.

Se Manuel Antônio de Almeida e Joaquim Manuel de Macedo ainda hoje são estudados nos colégios por conta principalmente de “Memória de Sargento de Milícias” e “A Moreninha”, Antônio Olavo Pereira deve também ser incluído nos cursos de literatura, especialmente pelo excelente “Marcoré”, que traz influências de Machado, não resta dúvida, porém é mais leve, mais próximo no tempo e menos introspectivo do que os romances do “Bruxo do Cosme Velho”, como era chamado o autor de Dom Casmurro.

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