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sábado, 29 de dezembro de 2018

A JARDINEIRA AMARELA DE HÉLDER CARVALHO


Por Altamir Pinheiro

Segundo os mais antigos, a origem do nome jardineira (ônibus quadrado) se dá por conta de parecer com  aqueles  vasos compridos que ficavam nas sacadas ou nos alpendres das casas grandes abarrotados de lindas flores. Na década de 30 era costumeiro se desfilar nas principais avenidas das cidades naqueles ônibus com as laterais abertas transportando mulheres que usavam grandes chapéus floridos.  Por este formato de carroceria, toda aberta na lateral, e pelas flores dos chapéus, por onde passavam, os transeuntes falavam que os ônibus pareciam jardineiras, e o nome pegou. Era uma forma carinhosa de expressar admiração e elogios às elegantes e belas moçoilas  da  sociedade local daquela época.

Mas por que chamavam de Jardineira e não de micro-ônibus?!?!?! Apesar de se remeter a algo coletivo ou um automóvel “PARA TODOS”, pois eram confeccionadas com carrocerias rústicas, feitas de madeira, normalmente com as laterais abertas, implantadas sobre chassis de caminhão para transporte de passageiros. Hoje em dia, é um carro quase extinto no Brasil para transporte de passageiros, e alguns veículos tornaram-se peças de museu. Algumas tinham, no lado externo do teto, um gradil retangular onde eram acomodadas as bagagens (como as diligências dos antigos filmes de bang bang). Nos filmes americanos se vê muito a jardineira que é um modelo bem conhecido por ser  o típico autocarro escolar amarelo utilizado pelos alunos denominado de  SCHOOL BUS ou YELLOW BUS.

Aqui em Garanhuns há um  colecionador de carros antigos, empresário  Hélder Carvalho, que é possuidor de uma desengonçada jardineira amarela, donde se aprecia uma verdadeira obra de arte. A viatura é  um tipo de carro  montado sobre chassi de caminhão, com estrutura toda em madeira de lei. Trabalho de artesão, muito detalhado por ser  um típico ônibus estilo Jardineira fabricado em 1927, da marca Chevrolet, equipado com quatro pneus de charrete sendo  diagonal e  de câmaras de ar  com várias  características que retratam muito bem o rico  interior de São Paulo, onde foi fabricada há 9 décadas.

O empresário sempre participa de encontros, exposições e eventos voltados para o antigomobilismo, inclusive, sua empresa patrocina todos os anos, aqui, no  Euclides Dourado (Parque dos Eucaliptos), quando o colecionador aproveita para trocar dicas de restauração e conservação dos veículos com os companheiros. Este ano, para celebrar e abrilhantar a MAGIA DO NATAL  2018, Hélder Carvalho, desfila pelas ruas de Garanhuns com a sua  linda e nostálgica Jardineira amarela, ENTUPIDA DE GENTE e resgatando a sensação de viajar para o interior  em  um passeio percorrendo pontos turísticos  da cidade em um verdadeiro  trajeto de  City Tour.

Fazendo-se uma correlação com um tempo que não volta mais, no cancioneiro brasileiro há uma marchinha carnavalesca tanto clássica  quanto  inesquecível  intitulada A JARDINEIRA de autoria de Benedito Lacerda interpretada  na pomposa voz de Orlando Silva (o cantor das multidões),  que diz o seguinte: Oh! Jardineira porque estás tão triste? / Mas o que foi que te aconteceu? /  Foi a camélia que caiu do galho /  Deu dois suspiros e depois morreu /  Vem jardineira! Vem meu amor! / Não fiques triste que este mundo é todo teu / Tu és muito mais bonita / Que a camélia que morreu!!!

Ouça esta linda página musical nas vozes de Orlando Silva & Dalva de Oliveira:


Um comentário:

  1. A nostálgica jardineira amarela de Hélder jamais deve ser chamada ou tratada como um carro velho, mas veículo antigo...

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