PREFEITURA DE GARANHUNS

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A FORÇA DO ARTISTA QUE NASCEU NO INTERIOR


É muito comum o preconceito do morador da capital com os que vivem no interior. Assim como muitos sudestinos e sulistas veem o nordestino como um ser inferior, da mesma maneira grande parte dos recifenses avaliam o natural de Garanhuns, Caetés, Lajedo, Capoeiras ou qualquer outro município do Agreste, como desinformado, de pouca cultura, ingênuo ou matuto.

Isso sempre foi um estereótipo que nunca correspondeu à realidade e faz menos sentido ainda com as novas tecnologias, que mantém qualquer um conectado - mesmo que more na zona rural de Paranatama -, com o Brasil e qualquer parte do mundo.

Uma prova de que nascer no interior não é demérito, é que muitos dos melhores cantores, compositores, escritores, artistas plásticos e jogadores de futebol do país nasceram no interior, às vezes até na zona rural.

No Brasil, que tem mania de eleger reis e rainhas, embora a monarquia por aqui tenha terminado em 1889, nenhuma das majestades mais conhecidas do século XX nasceu numa capital.

Pelé, eleito Rei do futebol, título reconhecido até internacionalmente, é de Três Corações, em Minas Gerais, cidade que ainda hoje tem uma população menor do que a de Garanhuns.


Chacrinha, o grande comunicador da televisão, escolheu na década de 60 o cantor Roberto Carlos como o Rei da música brasileira. Ainda hoje, apesar dos seus 76 anos, RC é chamado pelo título majestoso. Ele é natural de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, com população atual em torno de 163 mil moradores.

E o outro Rei? É o Luiz Gonzaga, consagrado como o maior no baião, uma variação do forró, nascido na pequena Exu, no Sertão pernambucano.

Caetano Veloso, um gênio como compositor e um excelente intérprete, veio ao mundo nascendo numa cidadezinha do interior da Bahia, Santo Amaro da Purificação, com uma população pouco maior do que a de São Bento do Una.

E por falar em São Bento, foi nessa terra,  a pouco mais de 50 km de Garanhuns, que nasceu o cantor e compositor Alceu Valença, um dos maiores nomes da música popular brasileira. 

Um cara que começou junto com Alceu - os dois gravaram o primeiro disco em parceria - se chama Geraldo Azevedo, que é de Petrolina, no Sertão do São Francisco.

Também de São Bento do Una  é Gilvan Lemos, romancista dos bons, com mais de 20 romances publicados, vários prêmios literários e reconhecimento da crítica literária nacional.

Mas se o leitor (a) é muito exigente e não conhece a obra de Gilvan ou não inclui ele na relação dos grandes nomes das letras, fique sabendo que João Guimarães Rosa, com obras traduzidas até para o alemão e estudado até nas universidades americanas, é de Cordisburgo, município de menos de 10 mil habitantes, em Minas Gerais.

Jorge Amado, o escritor baiano que mais vendeu livros no Brasil até os anos 80 do século passado e que tem obras traduzidas para mais de 60 países, nasceu numa fazenda na zona rural de Itabuna.

Já Érico Veríssimo, que era tão popular quanto Jorge, em sua época, é natural de Cruz Alta, município que só nos últimos anos passou dos 60 mil habitantes.

Em Pernambuco, além do já citado Gilvan Lemos, tivemos no passado escritores e poetas cujo prestígio extrapolou as fronteiras do Nordeste e do Brasil: Osman Lins (Vitória de Santo Antão), José Condé (Caruaru), Hermilo Borba Filho (Palmares), Ascenso Ferreira (Palmares) e Luís Jardim (Garanhuns).

Marinês, que era a "Rainha do Xaxado", se criou em Campina Grande, mas nasceu mesmo foi em São Vicente Férrer, município de pequeno porte do interior de Pernambuco.

Puxando mais aqui pra terrinha vale lembrar que um dos maiores músicos do Brasil, exímio sanfoneiro, cantor e compositor, de nome artístico Dominguinhos, também é garanhuense legítimo.

Fazendo uma visita à vizinha Paraíba temos alguns nomes de peso: José Américo de Almeida é de Areia, Chico César é de Catolé da Rocha e a excelente cantora e compositora Flávia Wenceslau nasceu em Alta Floresta, cidadezinha de apenas 10 mil habitantes. 


Ainda na Paraíba temos o nome de Elba Ramalho, uma das cantoras mais bem-sucedidas do país. Ela é natural de Conceição do Vale, município de cerca de 18 mil habitantes.

Zé Ramalho, aquele de "Chão de Giz", "Avôhai", "Vila do Sossego" e outras canções memoráveis, veio do pequeno município Brejo da Cruz, menor que Conceição do Vale.

E no Ceará, o que temos? Patativa de Assaré, autor de um livro clássico da poesia popular e da música “A Triste Partida”, musicada por Luiz Gonzaga, adotou como sobrenome o lugar que o trouxe ao mundo. Um município com pouco mais de 20 mil habitantes.

No interior do Ceará também nasceu outro poeta, o cantor e compositor Antônio Carlos Belchior. Ele é de Sobral, cidade pouco maior do que Garanhuns.

Até nas artes plásticas os grandes talentos vieram do interior: Antônio Lisboa, que ficou famoso com o nome de Aleijadinho, é de Ouro Preto, no interior de Minas Gerais, o grande Cândido Portinari nasceu numa fazenda de café, em São Paulo, enquanto Tarsila do Amaral, das maiores pintoras do Brasil, é natural de Capivari, também no interior paulista.

Maior poeta brasileiros de todos os tempos, tão importante para nós quanto Fernando Pessoa é para Portugal, Carlos Drummond de Andrade é de Itabira, cidade que também tem a população menor do que a de Garanhuns.

Monteiro Lobato, escritor que além de publicar e vender muitos livros teve sua obra adaptada para a televisão, era do interior paulista, de uma cidade chamada Taubaté.

São Carlos, no interior de São Paulo, não nos deu um escritor como Monteiro Lobato, mas trouxe para o mundo um dos maiores humoristas de todos os tempos, o Ronald Golias.

Se você entrar no universo da música chamada sertaneja, quase todos são do interior, a começar por Paula Fernandes, que é de Sete Lagoas (MG).

E até o Rei do Cangaço – um bandido, você pode questionar com razão – veio ao mundo no município de Serra Talhada, no Sertão pernambucano.


Saindo da marginalidade, citemos a melhor voz da música popular da atualidade: Vanessa da Mata, cantora e compositora, tem como terra natal o município de Alto Garças, no Mato Grosso, com pouco mais de 10 mil habitantes.

Para terminar,  registremos o nome de outro grande escritor nacional, Graciliano Ramos, o homem que escreveu “Vidas Secas”, “São Bernardo” e “Angústia”. Ele teve como terra natal Quebrangulo, cidadezinha menor do que Capoeiras ou Jupi.

E muitos mais nomes poderiam ser citados, em todas as áreas, liquidando de uma vez por todas o preconceito contra o homem ou mulher do interior.


Ele ou ela pode até depois ter buscado a cidade grande para se projetar. É verdade, quase todos fizeram isso. Mas é evidente que o interior faz bem, inspira, humaniza faz com que o artista, por conta de suas origens, valorize mais a natureza, as pessoas, as raízes e a espiritualidade.

*O Texto é do jornalista Roberto Almeida, natural de Capoeiras, interior de Pernambuco.

*Fotos: Pelé, Roberto Carlos, Jorge Amado, Marinês, Elba Ramalho, Vanessa da Mata e Luiz Gonzaga, de sites diferentes, disponíveis no Google.  

2 comentários:

  1. No dia 06 de agosto de 2012 os poetas reunidos no funeral de VAVÁ MACHADO assim cantaram, improvisaram profetizaram!

    Na música clássica o Rei é Roberto Carlos,no Futebol o Rei é Pelé,no Brega o Rei é Ginaldo Rossi,no Baião o Rei é Luiz Gonzaga e nos versos e poesias o Rei é VAVÁ MACHADO.

    Nasceu em Lagoa do Ouro e se criou em Lagoa do Ouro na casa Zé Leite e Né Machado.

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  2. Eu sempre tive uma grande admiração pelos grandes artistas e pelos grandes intelectuais da poesia e da literatura,da música e das histórias de cordel.Uma bela mensagem escrita por quem conhece um pouco de tudo.Parabéns,amigo!

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