Governo do Estado

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

UM SACERDOTE QUE FEZ HISTÓRIA

Por Roberto Almeida

A vida do padre e depois Monsenhor  Geraldo Batista de Lima praticamente se confunde com a de Capoeiras.

O sacerdote chegou à cidade, quando esta fazia pouco tempo tinha deixado de ser uma simples vila de São Bento do Una, emancipada politicamente pelo então governador Miguel Arraes.

Quando o padre, natural de Brejo da Madre de Deus, chegou a Capoeiras o lugar era bem menor, mais tranquilo e uma geração de homens e mulheres de valor viviam uma vida simples, cuidando do comércio, das terras, do gado, de oficinas,  da prefeitura e das escolas.

Era a Capoeiras de Heronides Borrego, Álvaro Tenório, José Soares de Almeida (Zezinho), Euclides Almeida, José Farias Superpino, Major, Gabriel Branco, Joaquim de Neco, José Valtásio, Adauto Praxedes, José Manoel, Manoel Antônio, Seu Doca, Zé Vieira, Dona Lila, Professora Lilita, Aluízio Bezerra e sua esposa Maria, Zuleide, Moisés Calado, Olegário Bento de Souza, Dona Nanu, Adalberto, Seu Berto, a negra Olívia...

Depois veio Dudu, crescendo no comércio, Juvenal e Felix, que exerceu vários mandatos de vereador...

Quando padre Geraldo chegou, para substituir Orlando, que vinha de São Bento para rezar as missas, Capoeiras há pouco tinha se libertado da “luz de motor”, com a chegada da energia de Paulo Afonso.

Foi o Monsenhor que batizou quase todas as crianças, meninos ou meninas, nascidas em Capoeiras nos anos 70, 80, 90 e nessas duas décadas do século XXI.

Também rezou a missa de corpo presente dos que se foram, como muitas das personalidades citadas num dos parágrafos acima.

Maria das Neves, minha mãe, lúcida aos 84 anos, amiga de padre Geraldo, me disse mais de uma vez: “A maioria das pessoas conhecidas de Capoeiras morre da quinta pra sexta”.

Assim aconteceu com papai, Euclides, que foi sepultado no dia da feira. E o fato se repete com o Monsenhor, que morreu ontem à noite, fazendo com que a cidade amanheça enlutada nesta sexta-feira.

Padre Geraldo, que celebrou a missa de corpo presente de tantas pessoas conhecidas minhas, que consolou as famílias com suas palavras de homem de fé, também batizou meus primeiros filhos, Maria Roberta e Luís Fernando (Lulinha).

Durante quase meio século o sacerdote dedicou sua vida ao município. Reformou a igreja matriz mais de uma vez, construiu capelas por toda zona rural, encaminhou jovens pela vida religiosa, deu palpites na política local quando achou que devia se envolver.

Era exigente, severo, exigia respeito, às vezes se incomodava até com as crianças que levadas pelas mães perturbavam a missa com choros ou brincadeiras.

Com a morte de padre Geraldo, noticiada neste blog no final da noite passada, pelo meu irmão Júnior Almeida, chegamos ao fim de um ciclo importante da história de Capoeiras.

A cidade sente, o Agreste chora, a Igreja Católica da região perde um dos padres à antiga, que não abria mão da batina nem do discurso religioso estritamente ligado às escrituras, com citações em latim, tendo como fonte o Velho ou o Novo Testamento.

Já perto dos 80 anos quiseram transferir padre Geraldo, tirá-lo de Capoeiras para outra paróquia. Ele enfrentou bispos, foi a Roma, obteve a solidariedade de outros padres e da maioria dos católicos da cidade onde exercia o seu sacerdócio e de cristãos de todos os municípios da região.

E não fincou pé do seu chão.

Geraldo Batista de Lima não era um padre qualquer. Conservador, com boas ligações com os militares, com deputados e prefeitos, querido pelas pessoas humildes dos sítios, ele fez história em Capoeiras e no Agreste.

Nem sempre concordamos em tudo, é natural. Mas sempre o respeitamos, inclusive como empreendedor.

Sua morte aos 81 anos, a mesma idade em que papai se foi, nos entristece. Porque com ele se vai o homem, o pregador, uma parte da história, um pedaço do tempo.

Capoeiras chora, o Agreste lamenta, os sinos das igrejas tocam.


Monsenhor Geraldo agora vai para os braços de Deus. 

Fotos: 1) Radialista Solon Gomes, padre Geraldo ainda moço e o ex-prefeito Zezinho; 2) Santas Missões em Capoeiras com padre Geraldo e Frei Damião, que sempre foram muito ligados.

*Leia texto abaixo, de Júnior Almeida, com as primeiras informações sobre a morte do Monsenhor Geraldo.

7 comentários:

  1. Relato perfeito, e original! Parabéns

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  2. Nessas horas a gente diz :como a morte é cruel,o que nos
    resta agora é a lembrança desse grande homem que fez tanto por cada um de nós.capoeiras nunca mais será a mesma sem mons Geraldo...descanse em paz...

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  3. que deus coloque sua alma em descanço.

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  4. Foi brilhante e histórico a cobertura feita pelo blog de Roberto Almeida a um homem que somente o bem praticou para educar os homens e as mulheres da cidade de Capoeiras e circunvizinhança.Todas as homenagens foram e emocionantes também.Parabéns!

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