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sábado, 21 de janeiro de 2017

OS FILMES DE FAROESTE E O AMOR AO CINEMA

Os Brutos também Amam (Shane)
Sete Homens e um Destino (1960)
Esta semana Altamir Pinheiro escreveu um texto delicioso para o blog sobre a importância dos filmes de faroeste para os adolescentes brasileiros nos anos 60 e 70.
Foi uma verdadeira viagem no tempo e desta vez pude me deleitar não como jornalista que sente a necessidade de escrever todos os dias, mas como simples leitor, capaz de apreciar um texto bem escrito abordando um tema que tem tudo a ver comigo e com milhões de pessoas que admiram a chamada sétima arte.
Como Altamir, quando garoto em Capoeiras e adolescente em Garanhuns, também vibrei muito com os westerns americanos e um pouco com os italianos, que vieram depois.
Antes de conhecer o Super Man ou o Batman, meus heróis eram Durango Kid, Django, Ringo, Shane ou os próprios atores, como Charles Bronson, Yul Brynner, John Wayne, Gregory Peck, Randolph Scott Franco Nero e Giulianno Gemma.
Havia também o Tarzan, é claro, mas os faroestes dominavam as telas num tempo em que a televisão ainda “engatinhava” no Brasil, com imagem ruim e em preto e branco. A partir dos anos 70 é que a telinha começou a tomar conta de tudo e os cinemas começaram a fechar e virar supermercados e igrejas evangélicas.
Cinema, na minha infância e juventude era mesmo a maior diversão. Não havia ainda a concepção de arte, até porque não conhecíamos este conceito – a literatura, o teatro e a pintura não entrara nas nossas vidas e música era quase uma mera distração ou um “encantamento”, embora as canções de Vicente Celestino, Luiz Gonzaga e depois Roberto Carlos tocassem o nosso coração de maneira que não sabíamos explicar.
Cinema não era arte para meninos que estavam só descobrindo o mundo, porém com certeza era magia, representava um mundo novo e amplo que se abria para quem vivia vidas tão pequenas.
Só fui perceber a importância do cinema anos mais tarde, morando no Recife, principalmente quando assisti pela primeira vez a obra prima que é Cinema Paradiso (1988), do italiano Giuseppe Tornatore.
É um filme sobre filmes, uma homenagem sensível à sétima arte, que emocionou milhões de pessoas em todo o mundo.
E que nos revelou que não era somente numa cidade pequena como Capoeiras que as pessoas levavam cadeiras de casa para assistir um filme.
Em muitas cidades pequenas ou mesmo de porte médio do Brasil, da Itália, da Argentina, do Uruguai, de Portugal e de muitos outros países o fenômeno deve ter se repetido. Quem sabe até nos Estados Unidos que transformou o cinema em indústria cultural?
Nós, crianças, principalmente os meninos, levávamos com alegria as cadeiras de casa para assistir um filme, quase sempre de bang bang, como também eram chamados os westerns.
Quando saí de Capoeiras e vim morar em Garanhuns, com 9/10 anos, é que pude conhecer os cinemas de verdade e aí pude assistir muitos faroestes em salas mais amplas que ofereciam um mínimo de conforto, apesar das cadeiras duras.
E na tela,  para nós enorme,  eu vibrei com “Sol Vermelho”, “Três Homens em Conflito”, “Django”, “Sartana”, “Ringo Não Perdoa”, “Homem Orgulho e Vingança” e muitas outras obras que me fogem à memória.
Os faroestes ficaram pra sempre em minha cabeça e ainda hoje revejo clássicos dos meus tempos de juventude, porque graças à internet hoje está tudo arquivado e você encontra (ou reencontra) quase tudo que quer.
Os Imperdoáveis
Apesar do western ter entrado em declínio, vez por outra algum bom diretor resolve fazer um resgate do gênero. Como aconteceu em 1992, quando Clint Eastwood (outro grande nome dos faroestes antigos) dirigiu e foi o ator principal de “Os Imperdoáveis”, que tem no elenco ainda o excelente ator negro Morgan Freeman.
O filme de Eastwood é tão bom, agradou tanto a crítica e o público, que ganhou uma porrada de óscares da Academia.
Em 2016 o americano Antoine Fuqua realizou um remake de “Sete Homens e um Destino”, outro clássico do faroeste. E fez um filmaço, tão bom quanto o dos anos 60. Verdade que na versão antiga tínhamos um elenco estelar, que incluía dentre outros Yul Brynner, Charles Bronson e Steve McQueen, mas no western recente o visual (graças as novas tecnologias) é mais exuberante, o roteiro é excelente e o ator Denzel Washington está tão perfeito em seu papel de “pistoleiro do bem”, que simplesmente faz parecer que todo resto do elenco é formado por coadjuvantes.
Imagine que até o genial cineasta Quentin Tarantino em 2012 se rendeu de vez ao velho oeste americano e resolveu fazer uma homenagem ao esquecido “Django”.
O diretor de Pulf Fiction, Bastardos Inglórios, Kill Bill, Um Drink no Inferno, Sin Sity e A Balada do Pistoleiro, deu um verdadeiro show em “Django Livre”, com sua capacidade inovando e eu diria até subvertendo um pouco a linguagem do gênero.
Assim, o faroeste está vivo, entre os americanos que no ano passado elegeram um presidente com cara de bandido dos filmes de cowboy,  e entre nós brasileiros, que somos tão influenciados pela cultura dos EUA.
Para terminar gostaria de citar o nome dos filmes que considero os melhores faroestes que já assisti. Normalmente esses clássicos entram na lista dos melhores também da crítica especializada. Embora eu seja um cinéfilo comum, um apaixonado pelo cinema, me atrevo e enumerar algumas obras e fico feliz em ter a mesma opinião de quem realmente entende do assunto, pelo menos em alguns dos longas citados.

*Alguns dos melhores westerns de todos os tempos:
   1.    Os Brutos também amam - Ano de lançamento: 1953. Direção: George Stevens. Atores Principais: Alan Ladd, Jean Arthur e Jack Palance.
    2.    O Homem que Matou o Facínora – Lançado em 1962, com direção de John Ford, é estrelado por John Wayne, James Stewart, Lee Marvin e Vera Miles.
   3.  Os Imperdoáveis – Lançado em 1992 tem direção de Clint Eastwood. No elenco o próprio Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman e Frances Fisher.   
    4. No Tempo das Diligências - O mais antigo da lista. É de 1939. Dirigido por John Ford, com John Wayne, John Carradine e Claire Trevor.
    5.  Sete Homens e um Destino - A primeira versão, com direção de Elmer Bernstein, é de 1960. O elenco já foi citado em parágrafo anterior. Tanto a versão antiga quanto a atual são uma adaptação do filme japonês Os Sete Samurais, do cineasta Akira Kurosawa, um dos mais cultuados da história da sétima arte.
    6.   Era uma Vez no Oeste – Um clássico de 1968 do italiano Sérgio Leone. Tem entre os atores principais Charles Bronson, Henry Fonda e a bela Cláudia Cardinale.
   7.  Bravura Indômita – A primeira versão é de 1969, tendo John Wayne como ator principal. Mas o melhor é o filme de 2010, dos irmãos Coen. No elenco se destacam Hailee Steinfeld, Jeff Bridges e Matt Damon.
   8.  Os Indomáveis - Remake do filme homônimo de 1957, dirigido por James Mangold e lançado em 2007. Tem o ótimo ator Russell Crowe no papel principal.
  9.    Dança com Lobos – De 1990, com direção de Kevin Kostner, que interpreta também o personagem principal. Foi um dos primeiros cineastas a resgatar o western, com boa acolhida do público e da crítica, tendo sido inclusive premiado com o Oscar de Melhor Filme do ano.

  10.  A Face Oculta – Este filme, de 1961, não é tão reconhecido e famoso como os outros citados. Mas pessoalmente gostei muito. É um dos poucos longas dirigidos por Marlon Brando, que também é o ator principal.
                                     O Homem que Matou o Facínora
Era Uma Vez no Oeste

4 comentários:

  1. Interessante, o filme Sete Homens e um Destino, tem um elenco fabuloso. inclusive com CHARLES BRONSON com apenas 21 anos de idade(seu primeiro filme de cawboy) e Yul Brynner(ator Russo/Americano, o carequinha que se vestia todo de preto. É o tipo do filme que tem muita fama, mas não é esse balaio todo. Aliás os filmes faroestes que foram indicado para o oscar não são tão bons como outros que sequer foram citados, temos como exemplo o único oscar ganho por John Wayne em 1967 com o filme BRAVURA INDÔMITA, Um filme médio, agora com uma grande interpretação tanto de Wayne quanto de sua amiga, Maureen O'Hara.

    ALGUMAS FRASES OU DIÁLOGOS MARCARAM A HISTÓRIA DO CINEMA FAROESTE. SÃO AS PÉROLAS GENIAIS COLOCADAS PELOS ROTEIRISTAS E QUE FICAM PRESAS EM NOSSA MEMÓRIA, COMO ESTA DE JOHN WAYNE QUANDO RECEBEU O OSCAR DE MELHOR ATOR: “Coragem é estar morto de medo e encilhar o cavalo assim mesmo"...

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  2. Roberto Almeida era um garoto "LUXENTO" em capoeiras, levava ao cinema uma CADEIRA para se sentir bastante confortável. Eu nunca tive esse privilégio, mas mesmo assim me contentava, aos sábados, em levar de casa, um TAMBORETE, para assistir Ringo, Django e o malvado do Fernando Sancho...

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  3. CORRIGINDO: John Wayne recebeu o OSCAR como melhor ator em 1970.

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  4. A Cultura do HOMEM CARRANCUDOS, diferente da cultura dos anos 90 para cá, que chamo de cultura dos FRESCOS FILHOS DE MÃES SOLTEIRAS.

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