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sábado, 30 de outubro de 2010

FILMES INESQUECÍVEIS XXVIII

RAIN MAIN

Tom Cruise, em 1988, era apenas um aspirante a astro de Hollywood. Dustin Hoffman, era já um ator consagrado, conhecido no mundo inteiro graças principalmente a dois grandes filmes: A Primeira Noite de um Homem e Perdidos na Noite. O encontro desses dois artistas, no final dos anos 80, sob a direção do  americano Barry Levinson resultou num dos mais belos filmes já produzidos pela máquina de fazer cinema dos EUA.

“Rain Main”, que em Portugal recebeu o título “Encontro de Irmãos”, conquistou o público pelo roteiro bem escrito, pela direção segura de Levinson, por tratar de uma doença rara, chamada autismo, de forma extremamente sensível e sobretudo pela interpretação muito acima da média de Dustin Hoffman ao viver o personagem Raymond Babbit.

O filme poderia, nas mãos de algum diretor incompetente, ter se transformado num mero melodrama, capaz de arrancar lágrimas e talvez risos. Sob o comando do cineasta americano virou obra prima e ganhou aclamação mundial.

O longa conta a história de Charlie Babbit, um jovem homem de negócios que ainda não se equilibrou financeiramente e que ao partir para um fim de semana com a namorada, recebe a notícia da morte do pai. Com este o personagem (Cruise) nunca tivera bom relacionamento e faziam muitos anos que não se viam.

Charlie deixa de viajar para saber o que o pai lhe deixara e toma um choque: A herança é apenas um carro antigo, que ele adorava quando criança e rosas premiadas, cultivadas pelo seu velho. Uma fortuna de três milhões de dólares, no entanto, ficara para um desconhecido, fato que deixa o rapaz muito irritado.

Com pouco Babbit vai descobrir que toda grana ficou para ser administrada em nome de Raymond, que é seu irmão e sofre de uma doença rara, ele é autista.

Nervoso, de olho no dinheiro, com a ajuda da namorada Susanna, Charlie tira Ray da clínica onde ele recebia tratamento especial e faz uma demorada viagem por várias cidades americanas, com destino final para Los Angeles.

Aos poucos, Charlie vai descobrindo seu irmão: ele é repetitivo, assustado, tem inteligência e memória privilegiadas. Não é propriamente um retardado, mas uma pessoa que vive dentro do seu próprio mundo, com dificuldade para se comunicar com o “mundo real”.

O personagem de Cruise várias vezes perde a paciência com Raymond, que antes de conquistá-lo ganha inteiramente o público que acompanha a história. Aí é que entra o talento de Dustin Hoffman. Ele parece mais velho do que é na época, anda de forma lenta e desajeitada, tem uma voz anasalada e um olhar inteiramente perdido, como se não estivesse vendo o que se passa em seu redor.

Carregando o irmão à força pelas estradas e cidades americanas, Charlie termina se reencontrando com o seu passado. Ele, que tinha lembranças de um amigo imaginário de infância, a quem chamava de Rain Main, termina descobrindo que o garoto era de carne e osso - seu irmão - que vivera com ele quando garotos e fora mandado pelos pais para tratamento especializado porque uma vez colocara sua vida em perigo.

Ao descobrir os segredos da infância, ao se reencontrar com seu passado e ao conviver com Raymond, Charlie vai naturalmente mudando de atitude e revendo seus valores. Sem em nenhum momento cair no melodrama, Barry Levinson nos proporciona cenas de grande beleza ao mostrar o nascimento ou renascimento do amor entre os irmãos, mesmo vivendo em “mundos diferentes”.

Um filme com a qualidade de Rain Main, não poderia ter sido somente sucesso de público. O trabalho do diretor americano conquistou também a Academia de Hollywood e ganhou os principais Oscar de 1989: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Ator. A última estatueta, é óbvio, ficou com Dustin Hoffman possivelmente na melhor interpretação de sua longa e respeitada carreira. O longa recebeu muitos outros prêmios mundo a fora.

Enfim, este é um filme para ver, rever, guardar a cópia em DVD com muito carinho, comentar com os amigos e colocar na relação de obras primas. Difícil não se comover com essa história contada de forma tão eficiente por Barry Levinson. Quem viu certamente guardou bem nas suas lembranças a beleza de Rain Man.

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