Não teve como não lembrar do político e dessa consideração dele no debate entre os candidatos a governador, realizado nesta última sexta-feira (11), em Caruaru.
Ivan Moraes, do PSOL, pressionou a governadora a se posicionar sobre o clã Bolsonaro.
Recordou que ela foi prefeita de Caruaru durante a pandemia, quando Jair Bolsonaro governava o país e atrasou a vacinação, causando milhares de mortes.
O candidato da esquerda falou ainda sobre o tarifaço de Trump, da movimentação de Eduardo Bolsonaro contra o próprio país e perguntou o que Raquel acha disso.
Ela garantiu ser contra as tarifas, mas ignorou completamente a menção aos Bolsonaro.
Ivan reagiu ironizando a "carreira" da adversária, se referindo a como ela fugiu das perguntas.
A governante, certamente, não quis desagradar aliados como Gilson Machado, Clarissa Tércio, Mendonça Filho, Anderson Ferreira, Eduardo Moura e outros políticos da direita, além do eleitorado em geral que idolatra o capitão.
Se perder parcela (não precisa nem ser todo mundo) significativa desses votos, pode perder eleição, como previu Fernando Ferro.
O Datafolha e outros institutos sinalizam que a parada não está ganha, como alguns imaginavam até um mês atrás.
Raquel parece, "bateu no teto" e João voltou a crescer, embora num percentual pequeno.
A diferença a favor dela, que já chegou a 12 pontos, segundo algumas pesquisas, caiu para 5 pontos percentuais, conforme o Datafolha.
Como a margem de erro do instituto paulista é de 3 pontos para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.
O DEBATE
Quanto ao debate entre os três candidatos ao governo, foi transmitido por 26 emissoras de rádio de Pernambuco e pelo YouTube, além dos recortes amplamente divulgados nos sites e redes sociais.
Pode não ter alterado muita coisa, até porque os três foram bem, mas os dois oposicionistas podem ter levado ligeira vantagem.
A performance de Ivan pode garantir ao representante do PSOL mais uns votinhos na eleição, pois mostrou desenvoltura e conhecimento.
E João foi incisivo na acusação relacionada aos vencimentos da governadora.
Raquel insinuou que o ex-prefeito do Recife furou a fila, na nomeação dos aprovados num concurso público, ele respondeu com um petardo.
Socialista revelou que Raquel ganha três vezes o salário de governador. Segundo ele os ganhos ferem a Constituição.
Cobrou a devolução de mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos. De acordo com o candidato da oposição, esses ganhos foram recebidos de forma "inconstitucional".
Essa parte do debate foi destaque nos blogs, sites e nas redes sociais.
Até que ponto esse petardo vai mudar os rumos da campanha só saberemos nas próximas pesquisas.
O fato é que João Campos ficou na ofensiva e tentou jogar Raquel Lyra nas cordas.
Governadora é experiente, é fria, procura sempre vender a ideia da excelência da gestão. E repete à exaustão que é honesta.
Precisa dizer isso tantas vezes? Ou acha que ainda não convenceu?
Bolsonaro também dizia ser honesto e até uma criança sabe que isso é balela.
Os políticos não devem se autojulgar. Quem deve avaliá-los é o povo, o eleitor.
Ser honesto ou honesta é o básico, é obrigação e se temos larápios nas prefeituras, governos e no parlamento quem elege tem a maior parte da culpa por colocar eles lá.
A eleição de governador de Pernambuco, este ano, lembra um pouco a de prefeito de Garanhuns, em 2020.
O candidato governista liderou as pesquisas com folga até a reta final, mas a curva se inverteu nos 15 dias finais de campanha e a oposição ganhou.
Se você fizer uma leitura das últimas pesquisas do Datafolha, Quaest e Real Time Big Data vai perceber que na disputa estadual acontece um movimento semelhante.
João Campos está mostrando as contradições do governo, conseguindo desconstruir a imagem positiva que Raquel Lyra e seu marketing plantaram.
Se o ex-prefeito crescer mais um pouco e a adversária continuar estagnada, será imprevisível o resultado no dia 4. E nesse quadro, a vitória da oposição não será propriamente uma surpresa.
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