O preconceito contra os nordestinos atualmente é escancarado, por conta da força da internet e das redes sociais.
Essa animosidade dos povos do Sul e Sudeste em relação ao Nordeste, no entanto, não começou nos últimos anos, vem de longe.
Teve início ainda no século XIX e se acentuou a partir da década de 20 do século passado.
Mesmo intelectuais de esquerda, no passado, revelaram desdém em relação aos nordestinos.
O Pasquim, excelente publicação que marcou época, nos anos 70, participando ativamente da luta contra a ditadura, foi abertamente preconceituoso com Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil, em suas páginas.
Isso é mostrado no livro "Outra Palavras", do jornalista Tom Cardoso, uma longa reportagem biográfica de Caetano.
Paulo Francis e Millôr Fernandes, dois jornalistas geniais que participaram do Pasquim, atuaram na cruzada contra os baianos.
E olha que estamos falando a respeito de Caetano, Bethânia, Gal e Gil, artistas que já na década de 70 tinham reconhecimento nacional.
Os cearenses Fagner, Belchior, Ednardo e Amelinha por certo sofreram muito mais a discriminação.
Belchior, em algumas músicas, deixa claro que sentiu o preconceito. É só ouvir "Fotografia 3 x 4, do compositor cearense para chegar a essa conclusão.
"Em cada esquina que eu passava, um guarda me parava, pedia os meus documentos e depois sorria, examinando o 3X4 da fotografia e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha", desabafou Belchior nessa que é uma das suas grandes canções.
Se grandes artistas sentiram na pele o preconceito de sudestinos e sulistas em relação aos nordestinos, imagine pelo que não passou (e passa) o cidadão comum.

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