Nosso partido foi surpreendido com a matéria veiculada pelo programa
Fantástico (TV Globo) no último domingo e reproduzida por outros veículos de
comunicação que tentam vincular o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) ao
episódio que vitimou o cinegrafista Santiago Andrade, no último dia 6 de
fevereiro, durante conflito entre manifestantes e policiais na cidade do Rio de
janeiro.
Desde que teve conhecimento do fato, o PSOL se solidarizou com a família
do cinegrafista e se colocou a favor da apuração dos fatos. Enviamos nossas
condolências à sua família. Nossa conduta foi idêntica também nos casos de
agressões de policiais a manifestantes e jornalistas em episódios recentes.
Sabemos que a
leviandade cometida contra Marcelo Freixo e o PSOL na referida matéria está
inserida no contexto da crescente criminalização das lutas sociais. Desde as
manifestações de junho a postura do Estado brasileiro, através do governo federal e dos governos estaduais,
tem sido a de reprimir violentamente os participantes de manifestações,
orquestrando uma constante criminalização dos movimentos sociais, enquanto – o que é mais grave
ainda – ignora as principais demandas apresentadas pelos manifestantes.
Essa situação propiciou uma radicalização das manifestações e ofereceu espaço
para pequenos grupos anarquistas que vislumbram como estratégia política eficaz
pra transformar o mundo o ataque aos símbolos do capitalismo e das
instituições.
A possibilidade de
ocorrer uma fatalidade, seja através das balas da Polícia, seja através de
rojões dos manifestantes, estava dada. Foi assim com o jornalista agredido pela
PM em São Paulo no ano passado que perdeu a visão em um dos olhos, e agora, levando o
cinegrafista da TV Bandeirantes à morte.
Nosso partido apoia
de forma irrestrita o direito à livre manifestação e recrimina a postura
repressiva do aparato estatal. Mas ao mesmo tempo, não concorda e nem participa de ações efetuadas por pequenos grupos
presentes em alguns atos.
Por essas razões, fica evidente que a reportagem veiculada pelo
Fantástico e outros veículos de comunicação foi irresponsável e leviana,
transformando informações frágeis numa acusação gravíssima. A reportagem se
baseia nas declarações do advogado Jonas Tadeu Nunes, que defendeu o miliciano
e ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, chefe da maior milícia do Rio
de Janeiro. Justamente os milicianos que foram para a cadeia pelo trabalho da
CPI presidida pelo deputado Freixo.
A intenção não
poderia ser mais clara. De um lado, visa atacar nossa principal liderança no Rio. De outro,
busca impingir ao nosso partido a pecha de violento, tentando frear a crescente
simpatia que o povo brasileiro tem tido por seu programa, por sua combatividade
e por suas candidaturas. E terceiro, mas não menos importante, é uma clara tentativa
de criar um ambiente negativo para as mobilizações que questionam os abusivos
gastos realizados com a Copa do Mundo.
Coincidência ou não, tal armação acontece na mesma semana na qual se
tenta aprovar no Senado o PLS 499/2013 (de autoria do senador Romero Jucá,
expoente da base governista) que quer criar o crime de terrorismo, numa
disfarçada reedição da Lei de Segurança Nacional. Ou seja, para muitos, os
inimigos são “internos” e estão espalhados pelas praças e pelas ruas
protestando contra o aumento das tarifas dos transportes públicos, as remoções
da Copa, a construção de Belo Monte, o assassinato de lideranças indígenas, na
da Comperj e outros temas que tem levado brasileiros a protestar. Tal
iniciativa dá continuidade a medidas de exceção como a Lei Geral da Copa,
contra a qual apenas os parlamentares do PSOL votaram.
Nosso partido exige imediata retratação da TV Globo, para que se desfaça
o prejuízo político causado com a mentirosa reportagem; queremos que os
culpados pela morte do cinegrafista sejam processados e julgados e não
aceitamos a criminalização das manifestações públicas.
Executiva Nacional do PSOL/PSOL DE GARANHUNS - PE

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