CHICO BUARQUE E NARA LEÃO SOFRERAM AMEAÇAS DOS MILITARES

No final de  1968, no governo do marechal Costa e Silva, foi editado o Ato Institucional número 5 (AI-5), considerado o mais duro decreto da ditadura militar.

Com esse instrumento, o governo adquiriu poderes para fechar o Congresso Nacional, cassar mandatos parlamentares e suspender os habeas corpus no país.

Cinco dias depois do AI-5 o cantor e compositor Chico Buarque foi levado ao DOPS, órgão de polícia política criado durante a ditadura.

O artista tinha caído em desgraça com o regime,  em função da montagem da peça teatral Roda Viva, dirigida por José Carlos Martinez.

Espetáculo teatral escandalizou os moralistas da época.

Durante o depoimento de Chico,  um coronel  mandou que o compositor desse um recado para a cantora Nara Leão: 

"Espero ansiosamente o dia em que eu possa enfiar um ferro quente na vagina de sua amiga", disse o militar.

Quando voltou pra casa, o artista imediatamente entrou em contato com o cineasta Cacá Diegues, marido de Nara e contou da ameaça.

Com a chegada do novo ano, Chico e Marieta, sua esposa, assim como Cacá e Nara, saíram do Brasil e só voltaram mais de um ano depois.

O autor de Construção continuou sendo perseguido impiedosamente pelos militares, até pelo menos 1974.

Nara Leão foi a musa da Bossa Nova e a intérprete de A Banda num festival da canção em que a música de Chico Buarque ficou com o primeiro lugar.

A cantora morreu em 1989, aos 47 anos, vítima de um tumor na cabeça inoperável. 

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