A luta pelo divórcio no Brasil foi um processo longo que durou muitos anos, enfrentando forte resistência da Igreja Católica e de outro setores da sociedade.
Até 1977 o casamento era indissolúvel no país. Quem era infeliz na relação tinha de aguentar ou recorrer ao desquite, que separava os bens, mas não permitia um novo casamento formal.
A Igreja Católica estava às frente do lema "Deus, Pátria e Família", uma vez que na década de 70 o número de evangélicos no Brasil era inexpressivo.
Não somente a Igreja Católica lutou contra o divórcio, também políticos na época considerado progressistas, como Paulo Brossard, Itamar Franco, Tancredo Neves e Franco Montoro.
Até o cantor romântico Cláudio Fontana participou da cruzada anti divórcio.
Ele gravou a balada “Família, base de uma grande nação”, que no título já diz a que veio.
"Ei, você, a quem eu dei o direito de falar por mim / não deixe o divórcio destruir meu lar / minha família, minha vida, não deixe, não...", alerta a música de Cláudio Fontana.
Outros cantores populares, porém, caso de Lindomar Castilho e Odair José, fizeram canções favoráveis ao divórcio, ficaram mal quistos na igreja e tiveram problemas também com a censura.
O senador Nelson Carneiro, do Rio de Janeiro, foi o político que lutou por décadas a favor do divórcio, conseguindo a aprovação de sua proposta no ano de 1977.
No próximo ano vai completar 50 anos que o divórcio é permitido no Brasil.
Ao contrário do que pregavam os conservadores, meio século atrás, nem a família, nem o país ou o mundo acabaram.
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