O telejornal da Record News divulgou uma reportagem, ontem à noite, com a revelação de que uma auditoria técnica feita por órgão do Ministério da Saúde descobriu supostas irregularidades na unidade de saúde.
A notícia, além da repercussão nos principais blogs de Pernambuco, é destrinchada hoje em grandes portais como UOL e Metrópoles.
"A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, recebeu recursos do SUS por procedimentos cuja realização não foi comprovada nos prontuários", está na matéria do Metrópoles.
De acordo com as reportagens divulgadas na imprensa, uma auditoria realizada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), encerrada na quarta-feira (12), constata que "o hospital forjou hemodiálises e tratamentos de câncer".
O Hospital Perpétuo Socorro pertence à família do advogado Jorge Branco, que é casado com a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause.
Boa parte da imprensa nacional está informando que Jorge é "dono do hospital", o que pode não estar muito correto.
O Metrópoles ainda informa que "ao avaliar a forma como o Governo Estado manteve os contratos com o hospital, os auditores afirmaram que o modelo se aproximava de uma contratação direcionada de fato, ainda que não formalmente".
O relatório do DenaSUS também diz que relações contratuais de elevado valor com uma entidade vinculada a agente político de alto escalão, sem instrumentos robustos de planejamento e controle, aumentam os riscos à impessoalidade, moralidade e transparência.
Segue um trecho da reportagem do Portal Metrópoles:
Dos R$ 905,2 mil apontados como prejuízo, R$ 897,25 mil decorrem de procedimentos assistenciais sem comprovação adequada de execução nos prontuários. O DenaSUS propôs a devolução dos valores ao Fundo Nacional de Saúde. O órgão ressalvou que a maior parte dos recursos do piso foi aplicada corretamente e considerou regulares os pagamentos referentes às diárias de UTI.
Na hemodiálise, os auditores examinaram 507 prontuários, com registros de 2.602 autorizações de pacientes submetidos a tratamento dialítico. A comparação entre os pagamentos e as folhas de frequência, prescrições, controles de hemodiálise e anotações das equipes médicas e de enfermagem identificou 90 sessões sem comprovação. O hospital contestou a conclusão e informou ter localizado posteriormente documentos relativos a 15 delas, mas o relatório final manteve as 90 sessões entre os procedimentos pagos sem comprovação para fins da proposta de devolução.
As irregularidades alcançaram também o tratamento de pacientes com câncer. O relatório incluiu na proposta de ressarcimento 113 Autorizações de Internação Hospitalar pagas entre janeiro de 2023 e maio de 2025 nas quais foram identificados pagamentos a maior ou procedimentos não comprovados.
Em casos de quimioterapia, os auditores encontraram prontuários sem o Controle de Frequência Individual e sem comprovação da aplicação dos ciclos cobrados do SUS.
A auditoria foi aberta a partir de uma demanda da Assembleia Legislativa de Pernambuco e examinou os serviços contratados pela gestão estadual entre janeiro de 2023 e julho de 2025.
Na conclusão, o DenaSUS apontou “fragilidades relevantes” na governança da contratação, na execução e no monitoramento dos serviços, na comprovação da produção assistencial e nos mecanismos de controle interno. O órgão recomendou medidas para corrigir as irregularidades, fortalecer a fiscalização e garantir a adequada aplicação dos recursos federais do SUS.
Considero o assunto seríssimo, por envolver dinheiro público e suspeitas de procedimentos irregulares, quando do tratamento de doenças graves nos rins, que leva à hemodiálise.
Também no tratamento de câncer. É aguardar para que a direção do hospital de Garanhuns esclareça os principais pontos levantados por essa auditoria.

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