CRÔNICA - A VIDA É BELA, MAS NEM SEMPRE

A  vida não tinha nada de bela nos primeiros anos da década de 40, quando a Alemanha ameaçava o mundo, com os soldados  comandados por Hitler, uma das piores figuras da história da humanidade.

Esse período terrível da história foi retratado no filme "A Vida é Bela", dirigido pelo cineasta italiano Roberto Benigni.

O título é uma ironia, obviamente.

Mostra o horror dos campos de concentração através de Guido, um italiano que tenta esconder do filho a realidade.

Muitas vezes na vida temos de agir assim: tentamos encobrir a realidade com a fantasia.

Daí, talvez, uma das razões do sucesso dos contos de fada.

Crianças, nos encantamos com os porquinhos, Chapeuzinho Vermelho, Cinderela.

Novas versões da Cinderela são feitas até hoje. Um personagem criado na idade média sobrevive em pleno século XXI.

Num mundo que tem bombas atômicas, doenças terríveis, massacres de populações inteiras, arbitrariedades sem fim, a história da mocinha pobre que se dá bem no final é reconfortante.

"Central do Brasil", ótimo filme brasileiro, ficou sem o Oscar, em 1999,  porque concorreu com "A Vida é Bela".

A produção italiana, sem dúvida bem realizada, com ótimo ator e diretor, é uma espécie de conto de fadas para driblar o holocausto.

Trabalho de qualidade. Tivemos azar em concorrer naquele ano com o longa de Roberto Benigni. 

O filme de Walter Salles é poético, Fernanda Montenegro está soberba no drama, mas como derrotar uma história tão original? Que enfrenta o nazismo com o humor?

Walter Salles daria o troco em 2025, quando faturou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com "Ainda Estou Aqui".

Não fez concessões novamente, botou outra vez "o dedo na ferida".

Mas não teve um concorrente tão forte e enfim vencemos uma,  com a Fernandinha brilhando, como fizera a mãe um quarto de século atrás.

Hoje é domingo e a vida é bela, embora tenha momentos bem feios que precisamos tapear, com filmes ou sinfonias, livros, sexo e rock holl. 

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