PORQUE A JANJA INCOMODA TANTO?


A primeira dama Rosângela Silva, a Janja, esteve ontem em Caruaru.

Com grupos evangélicos da cidade, cantou, conversou, nitidamente estava à vontade junto de pessoas (em sua maioria mulheres) da capital do Agreste.

Antes mesmo de chegar Rosângela foi criticada. Uma deputada federal chegou a pedir que os protestantes fizessem um boicote a visita da primeira dama a Pernambuco.

Nas redes sociais, alguns comentários são carregados de preconceito contra a mulher do presidente.

O problema maior não é a crítica da parlamentar de extrema-direita ou os comentários dos sem noção,  que estão diariamente na rede só para atacar.

A mesma Janja também é vítima de preconceito de parte da imprensa.

Não faz muito tempo jornalistas da Globo News criticaram a primeira dama por participar de um encontro na China e - mais grave! - ter ousado usar da palavra.

Tudo isso por quê? Ora, a resposta é simples: Por ser a esposa de Lula e por ser mulher.

No Brasil há mais tolerância com Michelle Bolsonaro, uma mulher de passado duvidoso, com família complicada, do que com a Janja.

Há, todos sabem disso, embora alguns não admitam, um preconceito de classe contra o presidente Lula.

E isso é tão forte que até os filhos, os irmãos e a esposa são atacados muitas vezes simplesmente pela proximidade com o líder político.

Marisa Letícia era atacada por ser simples demais, ter sido operária, como o marido.

Agora, não perdoam o fato de Janja ser militante, ser petista, gostar de falar e participar da vida política do país.

É socióloga, passou em concurso público, mas ser mulher é um preço alto a pagar, nessa sociedade machista em que vivemos.

Esta semana o Brasil viu estarrecido uma vereadora defender da tribuna de uma Câmara Municipal a violência contra as mulheres.

A meu ver a parlamentar cometeu crime e merece ser punida. Devia ficar sem o mandato.

Isso pode acontecer ou não, vivemos num país imprevisível.

Independente do que aconteça, o preconceito contra as mulheres vai continuar. Misoginia, que atinge Janja, atinge Raquel Lyra e muitos outras mulheres que se destacam.

Vejo com bons olhos a desenvoltura de Rosângela Silva. Simpatizo com o gesto dela de dialogar com os evangélicos. De ter vindo a Caruaru.

Apenas abraçou e cantou com as mulheres pernambucanas. 

Não fez proselitismo, não se mostrou fanática ou usou o nome de Deus em vão, como temos visto nos últimos anos, principalmente por parte dos setores mais reacionários da sociedade.

Pessoalmente, não tenho nenhum tipo de preconceito contra o Lula e sua mulher.

Como pessoas públicas eles podem ser criticados, é claro, mas não simplesmente pela origem simples de um e por ser mulher, no caso dela.

Quando se questiona uma situação ou alguém, isso deve ser feito com informação, com argumentos. 

Agir ideologicamente, distorcendo a realidade, é atitude de gente pequena, que planta o ódio com objetivos mesquinhos e interesses políticos inconfessáveis.

*Foto reproduzida da CNN.

Um comentário:

  1. Janja incomoda tanto porque tanto ela como a Michele Bolsonaro, são duas figuras que são irrelevantes para a maioria do povo brasileiro e diferentemente de outras primeiras damas como por exemplo a Dra. Ruth Cardoso, que foi uma importante antropóloga e socióloga comprometida com programas sociais e que não fazia o governo do seu marido passar tanta vergonha alheia, essas duas nunca trouxeram nada de útil para os governos dos respectivos maridos!

    ResponderExcluir