Desde
criança aprendemos que a oração é para pedir a Deus saúde para os pais, os
irmãos para si próprio.
Rezamos
pelo “pão nosso de cada dia”, como está no “Pai Nosso”, que no final prega: “...perdoai
as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Alguns
fazem oração para entrar na faculdade, para que seu time vença a partida outros
pedem a Deus proteção durante uma viagem.
Muitos
pedem ao Criador paz e serenidade, alguns se arriscam a solicitar riqueza, mas
em geral a oração é sempre por coisas positivas.
Pedidos
negativos estão mais associados à magia negra, macumba ou outro ritual similar.
Essas
considerações breves, que poderiam se alongar por uma ou mais páginas, dizem
respeito a notícia principal deste final de semana no Brasil.
Estamos
nos referindo ao procurador Deltan Dallagnol, homem chave da operação Laja
Jato, que anunciou do sábado para o domingo, pelo Twitter, sua disposição de jejuar (uma
pequena greve de fome) e fazer orações para que o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva seja preso.
Mas
em que país estamos, que representante do Ministério Público é esse, que
resolve rezar para que um homem de 72 anos de idade vá preso? Ainda mais quando
não há uma sentença definitiva sobre seus supostos crimes, pois todo o processo
ainda precisa passar, em última instância, pelo Supremo Tribunal Federal.
Além
do mais essa atitude do procurador é esdrúxula, pois se o homem é culpado cabe à justiça definir, ficando a decisão divina para quando o político deixar o
plano terreno.
Dallagnol,
o procurador do power-point, o
promotor a quem faltam provas e sobram convicções, é evangélico, ligado à
Igreja Batista de Curitiba.
Está
sendo chamado de “fundamentalista”, palavra hoje associada a fanáticos
religiosos que em nome de Deus ou da religião pregam coisas verdadeiramente
absurdas.
Com
sua oração e jejum pela prisão de Lula, Daltan Dallagnol está mais próximo do estado
islâmico do que de um representante do Ministério Púbico, uma pessoa que entende
de leis.
Não
se trata aqui de defender o ex-presidente e criticar o procurador, por ideologia
ou preferência partidária.
Uma
coisa é a política, o direito e a religião, outra diferente é juntar tudo no
liquidificador e fazer uma vitamina filosófica pretensamente cristã.
Mesmo
que o petista seja culpado dos crimes que lhe são atribuídos não acreditamos
que seja certo lhe desejar o pior.
Orar
pela prisão, ou pela morte de alguém (se o Lula for preso, com a idade em que
está, certamente não terá vida longa) não é uma atitude verdadeiramente cristã.
Por
isso não concordamos com Dallagnol e sua “oração do mal”.
*Foto: Portal R7.

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