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sábado, 9 de setembro de 2017

A DERRUBADA DO CASARÃO DA RUI BARBOSA


O compadre Ronaldo César, que entrou na blogosfera junto comigo, há quase 10 anos, publicou hoje o texto mais importante desta semana, levando em conta os assuntos de interesse de Garanhuns. Ele escreveu sobre a derrubada do Casarão dos Lundgren, ou antiga casa dos eucaliptos, na Avenida Rui Barbosa, em Helópolis.

O texto de Ronaldo:

Um terreno que ocupa um quarteirão inteiro na área considerada mais nobre de Garanhuns sempre foi vista como um patrimônio da cidade, embora seja particular, e pertença a Ferreira Costa, a população sempre teve naquele lugar uma espécie de parque, onde abrigava o Casarão dos Lundgren, das antigas Casas Pernambucanas.

Comprada pela empresa garanhuense há alguns anos, Ferreira Costa manteve a área preservada até junho de 2013, com seus eucaliptos imponentes, na Av. Rui Barbosa, no coração de Heliópolis.

De repente, todas as árvores foram derrubadas. O argumento era que estavam doentes, podiam cari e gerar graves consequências. Pouca gente acreditou. Como o terreno é particular, pertence a uma empresa que tem planos de expansão, seria natural, mais cedo ou mas tarde.

Ficou o Casarão. Mas este também já não existe mais. Neste exato momento, morre mais um pedaço da história do nosso município. 

O trauma do Castelinho de Ruben Van der Linden nunca foi superado. 

O medo que faz é estes exemplos chegarem em nosso patrimônio histórico motivado pelo avanço do progresso. O futuro também não tem sido pensado, pois a administração pública tem feito doações para empresas de áreas que antes eram destinadas ao bem estar da população, como espaços para praças na periferia da cidade.

E já que estamos tomando como base um texto de Ronaldo César, para esta postagem, usemos também o seu mais conhecido bordão de blogueiro: "agora é comigo"...

A casa dos Lundgren, atualmente do Grupo Ferreira Costa, é um espaço pertencente à iniciativa privada. Tem dono e este faz o que quer com ele.

No Brasil temeroso não há mais espaço para o público.

Estão privatizando a principal companhia responsável pela distribuição de energia, a casa da moeda e mais de 60 empresas importantes do país.

O governo mais corrupto que já se instalou no Brasil quer convencer a população (com a ajuda da Globo e toda a mídia comprometida com os interesses patronais, capitalistas e imperialistas) de que nada do que é público funciona.

Estão abandonando e sucateando a Empresa de Correios e Telégrafos para amanhã também entregá-la à iniciativa privada.

Se ninguém reagir eles com a ajuda dos midiotas, pequenos, médios e grandes empresários vão privatizar também a Petrobrás, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil, as universidades públicas, os hospitais e tudo que tiver o dedo do Estado.

Querem fazer de instituição pública sinônimo de corrupção, como se os empresários fossem todos santos,  honestos e não estivessem também envolvidos na lama que cobre a nação brasileira de Norte a Sul.

A nosso ver o certo não é entregar todo patrimônio público ao mercado, que só pensa nos lucros e não tem compromisso com o social e os mais desfavorecidos. Correto é o estado ser formado por cidadãos honestos, confiáveis, que trabalhem não para atender os próprios interesses e sim da maioria dos trabalhadores e da população que labuta e paga impostos.

Se nada mais pode ser do Estado, qual a necessidade de governo? Poderiam acabar também com as eleições e nomear delegados da classe dominante para gerir as cidades, as províncias e a própria república federativa.

Voltando ao caso de Garanhuns, ao casarão dos Ferreira Costa, como contestar uma decisão de um grupo privado?

Acontece que aquela casa devia ter sido tombada pelo município há muito tempo, mas nunca nenhum governante se preocupou com isso porque em Garanhuns, como no Brasil, a História, a Arquitetura e a Cultura têm muito menos valor de que os interesses comerciais, o dinheiro e a ambição dos homens por lucros.

Já imaginou o Recife sem o Teatro Santa Isabel? Salvador sem o teatro Castro Alves e Fortaleza sem o Teatro José de Alencar?

E que tal São Paulo sem o Teatro Municipal, o Rio de Janeiro sem o Maracanã, mesmo o novo,  reconstruído para a Copa de 2014?

Que tal a capital pernambucana sem o Mercado de São José? Curitiba sem o Jardim Botânico, Porto Alegre sem o Estádio Beira Rio?

Já pensou se Luís Souto Dourado, o prefeito de Garanhuns que teve preocupação com a cultura e a preservação do patrimônio arquitetônico da cidade, não tivesse construído o Centro Cultural?

Imagine o leitor ou leitora se desse a louca no prefeito Izaías Régis e ele resolvesse imitar Michel Temer, tomando a decisão de privatizar o Pau Pombo, o Parque Euclides Dourado e o Cristo do Magano...

Garanhuns não preservou a história do Cine Jardim, nem o Castelinho, o prédio das Mercedárias ou o Casarão dos Lundgren.

Já pensou se um dia a Igreja Católica resolver destruir o Mosteiro de São Bento e o Seminário São José?

E se a família de João Capão quiser se desfazer do Castelo construído com tanto esforço pelo verdadeiro herói do povo que foi aquele trabalhador humilde?

Por amor de Deus deixem o Gigante do Agreste de pé, não mexam com a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, não botem abaixo a casa em que nasceu Luís Jardim,  não destruam o Mercado 18 de Agosto construído por Amílcar da Mota Valença, não tirem do mapa o prédio da antiga Rádio Difusora, erguido por Pessoa de Queiroz.

Público ou particular, conservem o patrimônio histórico e arquitetônico de Garanhuns.

Não deixem a cidade sem alma, não a entreguem ao mercado, como Temer está fazendo com o Brasil, porque não se pode viver só de Casas Bahia, Assaí Atacado e outros estabelecimentos em busca do lucro, sem compromisso com o passado e o futuro de uma cidade que é bela e não pode se permitir ser desfigurada, transformada,  para daqui a pouco virar um burgo como Arapiraca ou Caruaru.

Tão comum quanto as duas, mas sem a pujança econômica tanto de uma quanto da outra.


Primeiro derrubaram os eucaliptos, agora a casa. 

Qual será o próximo passo do capital em busca do lucro, de satisfazer suas ambições, sem dar a mínima para a preservação de valores culturais, do meio ambiente ou de qualquer outra causa ligada ao bem comum, à coletividade?

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