Governo do Estado

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domingo, 14 de maio de 2017

O DIA EM QUE LULA DEU UMA LIÇÃO NO JUIZ MORO

O depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, no dia 10, em Curitiba, foi o principal assunto da semana e rendeu notícias na imprensa brasileira e do exterior, dezenas de vídeos no YouTube e preciosos minutos nos telejornais da Globo, Record, Bandeirante e outras emissoras de TV e de rádio.

Também dominou a pauta dos blogs, sites, portais e acendeu as discussões pelas redes sociais.

Nós abordamos o assunto desde o primeiro momento, inclusive postando um vídeo de 30 minutos com as alegações finais do líder petista.

Mas está claro que o tema ainda não esgotou, até porque diferentes versões são apresentadas para o embate entre o político e o juiz, parecendo que uns assistiram um vídeo e outros viram uma gravação completamente diferente.

As palavras e imagens, porém, não podem ser mudadas e o que de fato aconteceu durante cinco horas na capital paranaense está registrado para a história, não podendo os fatos serem ignorados ou distorcidos pela TV Globo, que até tentou repetir o que fez em 1989, quando do debate entre Lula e Collor.

Hoje, com a internet, omitir, mentir e distorcer os fatos ficou mais difícil.

Publicamos hoje dois textos sobre o depoimento do petista ao juiz Moro. O primeiro, abaixo, foi divulgado no Facebook pelo artista plástico garanhuense Edmilson Vieira, aproveitando material editado por Dionisio Malzoni.

O texto foi intitulado, com felicidade, de  "O irreparável início do depoimento de Lula". Confira:

Lula senta-se diante do juiz Sergio Moro e decide falar o que vem pensando há muito tempo.

– Eu sei que sou o réu aqui, mas gostaria de fazer alguns comentários antes de responder às suas perguntas.

O juiz demonstra surpresa e ajeita-se com inquietação na cadeira. Olha para os que estão na sala, mas não interrompe a fala de Lula, que continua:

– O senhor gosta de jogar para a torcida.

Moro franze a testa e continua em silêncio. Lula se sente autorizado a prosseguir:

– Vou começar pelo começo. O senhor determinou que me levassem à força para depor no ano passado. Foi quando ouvi falar pela primeira vez da tal condução coercitiva.

– A lei permite – diz Moro, com a voz baixa e mais fina do que o normal, enquanto examina as unhas, como faz nos vídeos em que aparece ouvindo delatores.
– A lei, no seu caso, permite tudo. Eu não havia me negado a depor, eu não estava fugindo, eu não ameacei ninguém e mesmo assim me levaram para o Aeroporto de Congonhas.

– Foi uma decisão da Polícia Federal, por questão de segurança.
– Logo depois, o senhor divulgou o grampo de uma conversa minha com a presidenta Dilma.
– Achei que seria relevante para conhecimento do público – diz Moro.
– Conheço a sua tese, mesmo que o ministro Teori tenha decidido que o senhor cometeu um delito. Ao grampear e ao divulgar a conversa.

– Eu admiti que errei e pedi desculpas ao Supremo – diz Moro.
– O que interessava era mandar a gravação para a Globo. Não servia para nada do processo, mas servia tudo para o marketing da Lava-Jato e do Jornal Nacional. Era uma coisa sem valor legal algum. Mas o senhor nunca foi punido por isso.

– Nunca fui punido por nada.

– Eu sei. O senhor é quem pune. O senhor tentou até censurar o cientista Rogério Cerqueira Leite, sugerindo à Folha que não publicasse seus artigos, porque faziam críticas à sua atuação.

– Ele estimulou a violência, ao escrever que eu poderia arder na fogueira da própria direita.

– Aquilo se chama metáfora. Aprendi na escola em Garanhuns. É uma fogueira simbólica. Mas é real que o senhor tirou fotos com Aécio Neves, o sujeito mais delatado e mais impune da Lava-Jato.

– Também admiti depois que foi um equívoco – balbucia Moro, examinando as unhas da mão esquerda.

– E o senhor ainda participa de eventos de tucanos, como aquele promovido pela empresa Lide, do Doria Júnior, em São Paulo.

– Eles me convidam.
– Depois das passeatas do pato da Fiesp, pouco antes do golpe, o senhor emitiu uma nota oficial elogiando “a voz das ruas”. Nunca antes se viu um juiz no Brasil divulgar uma nota sobre uma manifestação política, ainda mais estando envolvido no julgamento de um caso essencialmente político.

– Foi no impulso, eu fiquei tocado com o apoio deles – fala Moro, com a voz cada vez mais baixa.

– Também no impulso, para jogar para a torcida, há pouco o senhor gravou um vídeo com agradecimentos a quem apoia o que o senhor faz. Eu vi, um vídeo caseiro, gravado em casa.

– Eu valorizo as redes sociais.

– Pois eu quero lhe dizer, antes das suas perguntas, que eu também gosto das redes sociais. Eu lido ao vivo com as redes desde meu tempo de sindicalista.

– Mas o senhor parece querer conduzir a audiência, e o juiz aqui sou eu – reage Moro, tentando engrossar a voz.

Lula leva o tronco para a frente e se aproxima mais da mesa do juiz e soletra:
– Quero que o senhor grave o seguinte. Eu sei, todos aqui sabemos, o Brasil sabe que o senhor gosta de arregimentar apoio para o que faz, o que é justo. 
Mas sabemos também que muitas das suas atitudes são políticas, marcadamente políticas, no sentido mais amplo do que seja política, e pouco têm a ver com os ritos do Judiciário.

– É o meu jeito de atuar.

– Eu sei. O senhor atraiu o apoio dos golpistas e, de impulso em impulso, politizou a Lava-Jato. O senhor transformou Marisa Letícia em ré e se disse constrangido por isso. Grampeou Dilma e avisou a Globo e pediu desculpas. 
Tirou foto com Aécio e se desculpou. Mandou que eu participasse de todas as audiências das minhas testemunhas, no processo do tal terreno do meu instituto, mas depois recuou.

– Onde o senhor quer chegar? – indaga Moro, assertivo.

– Calma que eu estou chegando. O senhor sempre se desculpa pelo que não é essencial e não muda nada no que importa. O senhor quer ganhar sempre. 
Por isso, mantém gente em prisão preventiva por mais de ano. E continua avançando e politizando suas ações na Lava-Jato. Pois eu sei muito bem como politizar um cenário como este que estamos vivendo.

– É uma ameaça? – quis saber Sergio Moro.

– Não. É apenas um comentário. Eu estou numa situação em que tenho que provar que não cometi crimes, quando se sabe que a acusação é que deve provar que eu sou criminoso. E juristas de toda parte dizem que o senhor não é o juiz, que o senhor é o acusador.

– É uma acusação leviana.

– São constatações de gente da sua área. Todo mundo também sabe, inclusive a sua torcida, que o jogo da Lava-Jato não está sendo jogado apenas com as regras da Justiça. Eu, por alguma esperteza que Deus me deu desde o sindicalismo, percebo isso. Só quero dizer, para concluir, que se for para politizar ainda mais toda essa história, eu aceito esse jogo.

– Não entendi – diz o juiz, examinando as unhas da mão direita.

– O senhor não precisa entender. Encerrei. Agora, o senhor pode fazer as perguntas.

8 comentários:

  1. Roberto: - Por favor, EDITE o texto pra retificar a primeira frase: "Depoimento do ex-presidente LULA ao juiz Sérgio Moro..." Os dois substantivos têm quatro letras. Mas os nomes precisam ser corrigidos!! - No mais, assino embaixo!! - Abraço e obrigadOOO! /.

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    1. Obrigado José Fernandes, a correção já foi feita.

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    2. Não há de quê, amigo!! - Aqui, eu estou sempre aprendendo... Pequenas colaborações desse tipo, são até obrigações minhas!

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  2. Foi uma das cenas mais triste, patética e humilhante que todo o país acompanhou ao ver um ex-presidente moribundo - mentiroso contumaz – têti a têti com um juiz de direito “CABUETANDO” a esposa para se livrar de uma penca de denúncias em que está envolvido e atolado na lama fedorenta até o eixo... O País pôde ver o Seboso por inteiro. Quer dizer, se não fosse desagradável e humilhante, seria apenas uma lástima. Pois o safadão mentiroso, de viva voz, foi quem afirmou que a ex-primeira-dama é quem quis comprar o triplex no Guarujá. Na versão do senhor Lula, nem as visitas de Marisa Letícia ao apartamento nem a negociação para a reforma eram de seu conhecimento. O editorial do Jonal O Estadão deste domingo vem dizendo que, O senhor Lula da Silva parece apostar que todos os brasileiros são tão ingênuos e inocentes quanto ele tentou parecer diante do juiz Sérgio Moro. Mas o depoimento do petista em Curitiba teve o efeito contrário: com exceção da mirrada claque arregimentada pelos sindicatos para lhe dar apoio, o País finalmente pôde ver o senhor Lula da Silva por inteiro, exatamente como ele é. E o que se viu, não fosse repugnante, seria apenas de dar dó.

    P.S.: - O CARINHA DA “LÍNGUA PLESA”, - LEIA-SE PALOCCI - VAI ABRIR A CAIXA DE FERRAMENTAS E, COM ELAS, “A PORTA DO INFERNO”...

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    1. Querido missivista, melhor escrever mentiras e se sentir "participativo, não omisso"..... Mas pelo menos podia tentar não mentir...acho que o "contumaz" aqui pode caber ao sr. Em que momento o ex presidente imputou alguma compra a falecida???? Das duas , uma; ou as duas...ou o sr não assistiu ao depoimento e está se baseando nos indefectíveis "amigos do face", ou está exercendo toda a sua "capacidade contumaz" de mentir seguidamente para tornar inverdades verossímeis. ...Tente assistir , na íntegra. ...tente pelo menos, se não conseguir...por favor , estude um pouco mais, e minta menos.É um favor a toda sociedade. ...e mais um favor...se faço por merecer...escrever algo ironizando e para que sabe ser sarcástico, como o sr não sabe, soou ANTIPÁTICO.

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  3. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA,popularmente Lula.

    Até 1989 o Lula foi satanizado pela direita conservadora que jamais gostaria de ver o Lula Presidente do Brasil.0 cara inculcava na cabeça de uma elite que haveria uma reforma agrária,uma reforma política,que o comunismo de Fidel Castro seria implantado no Brasil.

    Mais velho que ele vinha Dr. Miguel Arraes de Alencar.Defender essas duas figuras como eu defendi era preciso ter coragem,ser ameaçado conforme eu fui por 2 vezes por políticos inescrupulosos e incompetentes.

    Carregar a tiracolo as fotos de Arraes e Lula teria que se desdobrar para não apanhar e levar chute na bumba.Levar nome de comunista,agitador,boca preta,babão,bobão e puxa saco,falso,doido,besta e idiota.

    Levei muitos cacetes e principalmente por defender SERVIDORES PÚBLICOS municipais principalmente as PROFESSORAS PRIMÁRIAS que ganhavam salários de fome e de miséria.

    Até 1992 quando eu disse no palanque que o Prefeito não pagava um salário mínimo a uma professora porque não queria,mas o município tinha condições de pagar e tinha mesmo.

    Defender os movimentos sociais através de suas organizações sindicais era muito difícil mesmo. Os políticos em geral somente pensando neles e os servidores que fossem maltratados e odiados.

    0 Lula foi o medo que metia medo na elite.Levou muitos anos para tirar estas e outras coisas da cabeça do povo brasileiro.Para o Lula ser eleito pela primeira vez presidente do Brasil foi preciso escrever uma carta aos empresários e empreiteiros do Brasil,bancos se firmas.

    Era um medo da besta fera,o Amaro Amato chegou a dizer publicamente que caso o Lula fosse eleito presidente mais de 800 empresários iriam embora do Brasil. Pense que ameaça da besta fera! A Regina Duarte dizia na televisão, eu tenho medo que esse Lula seja eleito presidente do Brasil.

    A rede globo batia e cuspia na cara do Lula e ainda faz as mesmas coisas.E até pior. Antes,durante e depois ela com a VEJA destrói publicamente o cara ,o homem e o operário com CAPAS DE REVISTAS matando o Lula.Pense que Rede escrota de difamações e reputações.

    Havia um medo de que o Dr. Sérgio Moro viesse prender o Lula pela segunda vez consecutiva.Foi armado o circo da vergonha e foi preciso 50.000 pessoas se deslocarem a Curitiba mesmo com as ameaças de uma juíza que iria multar quem fosse a Curitiba ,que hipocrisia.

    Lula é Lula.É povo e nasceu nas bandas de Caetés em Pernambuco e sentiu na pele o que é ser pobre,ser retirante,ser nordestino,passar fome e ver esse NORDESTE SECO com secas CÍCLICAS E PERIÓDICAS.

    Somente tu,LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA,tiveste a coragem e não foste um covarde em iniciar as Transposições do Velho Chico diante de uma ELITE podre,pobre e paupérrima.

    0s prefeitos e os governadores sabem o quanto custam uma seca e a população do agronegócio sabem o quanto ver milhões de rebanhos serem dizimados por falta de ÁGUA,H20,uma substância composta de hidrogênio e Oxigênio.

    Garanhuns,muito obrigado por teres nos assegurado com as suas águas potáveis e com a barragem do CAJUEIRO.Esta barragem hoje deveria se chamar BARRAGEM DR. EDUARDO CAMPOS.

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  4. Tem neguinho que bota uma banca de intelectual, mas não passa de um vassalo do PT et caterva capaz de defender os maiores absurdos (o maior deles é afirmar que o Lula é honesto e a defunta era uma exímia negociadora de imóveis...).

    P.S.: - O Lula foi tao convincente que o Moro vai contratar uma mãe de santo para incorporar a defunta e prendê-la. Quem sabe pedir ajuda a um médium para ele psicografar o que a negociadora de tríplex tem a dizer diretamente da escuridão de breu da catacumba donde está alojada...

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  5. Gostaria muito que um vassalo da putada petralha compreendesse a pergunta e a resposta do brilhante jornalista Jorge Oliveira: por que Luiz Inácio desrespeitou Dona Marisa, companheira de décadas? Ora, porque Luiz Inácio não livra a cara de ninguém quando tem que livrar a sua própria. E agora, mais do que nunca, está provado que Luiz Inácio está levando para o túmulo todos os amigos com quem conviveu nas últimas décadas. A diferença é que alguns estão sendo enterrados vivos...

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