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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

FAGNER POPULARIZOU A POESIA DE FERREIRA GULLAR

No Brasil se lê pouco, principalmente poesia.
Assim, a obra de Ferreira Gullar, que morreu ontem no Rio de Janeiro, aos 86 anos de idade, é desconhecida por milhões de brasileiros.
Quem ajudou a popularizar um pouco os seus versos foi o cantor cearense Fagner, que musicou mais de um poema do escritor, natural de São Luís, capital do Maranhão.
“Traduzir-se”, que Fagner gravou nos anos 80, com linda melodia, é uma canção com alguns dos versos geniais produzidos por Ferreira Gullar:
Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Muita gente que nunca leu Ferreira Gullar certamente ouviu estes versos na voz de Fagner, cantor e compositor que sempre teve muita sensibilidade para a poesia, gravando também trechos da obra de Cecília Meireles e da portuguesa Florbela Espanca.

"Borbulhas de Amor", outro grande sucesso do cearense, é uma versão da música "Borbujas de Amor", do dominicano Juan Luiz Guerra. 

A versão foi feita por Ferreira Gullar.

O poeta também teve versos musicados por Caetano Veloso (Onde Andarás), Paulinho da Viola (Solução de Vida), Milton Nascimento (Bela Bela) e Edu Lobo (Trecho de Poema Sujo que foi usado para musicar o Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos),

Para quem quiser conferir a beleza de "Traduzir-se" é só clicar no link abaixo, acessando o vídeo do YouTube com o show gravado ao vivo do cearense, cantando a música com muito sentimento,  ao ao som do seu violão e uma orquestra:



2 comentários:

  1. EIS O QUE FERREIRA GULLAR disse SOBRE CUBA - ele foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro, mas se rendeu à realidade. "Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo".

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  2. José Fernandes Costa5 de dezembro de 2016 18:34

    De Ferreira Gullar - "INSÔNIA: 'É alta madrugada. / A culpa joga dama comigo no entressono. / Cismo que ela me engana, mas não bispo o seu logro. / Ganho? Perco? Blefo? / Afinal, qual de nós rouba no jogo?'". /.

    (**) BISPAR: = Entrever; observar atentamente. /.

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