Governo do Estado

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domingo, 3 de julho de 2016

ALCEU VALENÇA DE SÃO BENTO DO UNA

São Bento do Una, no Agreste pernambucano, fica a pouco mais de 20 km de Lajedo e Belo Jardim. Menos de 50 separam o município de Garanhuns e Caruaru.

É um município que se destaca no Estado pela produção de aves e ovos, pela grande extensão territorial e pela rica história nas áreas política e cultural.

Terra de historiadores, como Ivete Cintra, escritores do porte de Gilvan Lemos e um cantor de fama nacional e internacional, o bacharel em direito Alceu Valença.

São Bento de Alfredinho, Zé Mota, Osvaldo Maciel, Ailson Campos, os Paulos Afonso e Bodinho, Padre Aldo, o empresário Zé Almeida, Dr. Altino e um advogado aguerrido de nome Washington Cadete,  conhecido como Fera, que persegue o sonho de fazer um governo no município mais voltado para as classes populares.

O município de São Bento já foi bem maior e incluía em seu território desde Capoeiras, que fica aqui pertinho, até Cachoeirinha, este já na região de Caruaru.

Os antigos distritos se emanciparam, mas o município permaneceu como um dos maiores do interior pernambucano, com uma zona rural influente, incluindo algumas localidades de tradição, como a Vila do Espírito Santo e a povoação de Mulungu, onde nasceu meu pai, Euclides Almeida, que depois se fixaria em Capoeiras.

Não há dúvida, no entanto, que a maior expressão de São Bento do Una é o compositor, cantor, trovador, menestrel e artista múltiplo Alceu Paiva Valença, filho de Dr. Décio e sobrinho do médico Lívio Valença, que foi prefeito do município e deputado por sete mandatos consecutivos.

Alceu se fez artista e cantor nas ruas de São Bento, ouvindo os sons regionais de Marinês, Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, ou ainda as vozes românticas e famosas de Orlando Silva e Dalva de Oliveira.

Depois que ficou rapaz,  o filho de “Seu Décio” pegou o caminho de Recife e lá se formou em direito, na respeitada Faculdade da Universidade Federal de Pernambuco.

Mas quem consegue imaginar Alceu Valença sendo chamado de doutor., envergando um paletó dentro de um fórum, ganhando a vida como advogado?
Não dá, não é mesmo?

O Alceu que conhecemos tem rompantes de palhaço, é criativo, de veia anarquista, compõe bonitas canções com sabor regional e canta como se fosse um violeiro moderno, unindo o baião e o rock, o pop e o forró, o brega com o sofisticado.

Apesar de ter adotado Olinda como sua cidade do coração, o ilustre representante da família Valença nunca esqueceu suas origens, onde tudo começou.

Tanto que, no seu primeiro disco, lançado em 1972, em parceria com o petrolinense Geraldo Azevedo, numa das canções evoca o passado gritando com todas as letras o nome de São Bento do Una.

O sucesso e a consagração viriam um pouco depois, principalmente a partir de 1982, quando gravou o LP “Cavalo de Pau”, reunindo uma dúzia de músicas que foram cantadas por todo Pernambuco e saíram estrada à fora chegando aos recantos mais longínquos desses muito brasis.

É um disco antológico que traz além da faixa título, sucessos do porte de “Tropicana”, “Como Dois Animais”, “Maracatu”, “Pelas Ruas que Andei”, e as eletrizantes “Rima como Rima” e “Martelo Alagoano”.

A partir deste trabalho do início dos anos 80, ninguém seguraria mais o moleque filho de Décio Valença.

Tornou-se tão importante na música popular brasileira quanto os baianos (Caetano, Gil, Gal, Caymmi), os cearenses (Ednardo, Fagner, Belchior), os cariocas (Paulinho da Viola, Chico Buarque) ou paulistas (Rita Lee, Adoniram Barbosa).

O Alceu Valença de “Vou Danado pra Catende” e “La Belle de Jour”, completou 70 anos de idade no último dia 1º deste mês e já está com presença confirmada na edição do Festival de Inverno de Garanhuns deste ano.

É garantia de um bom show, pelo seu excelente e eclético repertório, o alto astral e toda energia que só o cantor de São Bento do Una é capaz de irradiar de cima de um palco.

Parabéns velho/novo Alceu. 

Garanhuns vai mais uma vez recebê-lo de braços abertos. Os pernambucanos vão ouvi-lo, vão vê-lo, irão cantar com você, aplaudir, gritar, sorrir, curtir o momento de felicidade e quem sabe o Marcelo Jorge e o Eduardo Peixoto arranjam uma brecha para fazer a multidão entoar o parabéns pra você.

Afinal de contas não é todo artista que chega aos 70 com tanta vitalidade e capacidade de envolver o seu público.


Viva Alceu Valença de São Bento do Una!

*A maioria das gravações do artista é composta por músicas de sua própria autoria. Mas o cantor também se deu ao prazer ou ao luxo de incluir em seus discos canções dos pernambucanos Capiba e Luiz Gonzaga ou do mexicano Alberto Domingues (Perfídia, que ele interpreta com maestria).

Para os que acompanham o blog disponibilizamos um vídeo em que Alceu, em parceria com o nosso querido Dominguinhos, interpreta o clássico “Légua Tirana”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. 

Para assistir é só clicar no link abaixo:


*Foto reproduzida do Diário de Pernambuco.

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