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sábado, 17 de dezembro de 2011

MORAES MOREIRA - GRANDES NOMES DA MPB - 88º


MORAES MOREIRA E OS NOVOS BAIANOS

Tudo começou com os Novos Baianos. Antônio Carlos Moreira Pires, o Moraes Moreira, nasceu em Ituaçú, interior baiano, no dia 8 de julho de 1947. Lá, na cidadezinha do Sertão, já gostava de música e tocava sanfona, depois aprendendo também a manejar o violão e a guitarra.

O artista mudou para Salvador por volta dos 19 anos. Na capital do estado conheceu Tom Zé, Paulinho Boca de Cantor, Luís Galvão, Pepeu Gomes e Baby Consuelo.

No teatro Vila Velha, em Salvador, o grupo de baianos (à exceção de Baby, natural de Niterói) montou um espetáculo que chamou a atenção do público a partir do título: “O Desembargue dos Bichos depois do Dilúvio Universal”.

Os Novos Baianos: Moraes – cantor e compositor; Pepeu Gomes – o músico, o guitarrista do grupo; Bernadete, a Baby, a garota sapeca, menina de jeito levada até na voz, capaz de surpreender o Brasil careta do final dos anos 60; Luís Dias Galvão, engenheiro agrônomo e poeta; Paulo Roberto de Figueiredo, o Paulinho Boca de Cantor, ex-crooner de orquestra, com experiência de apresentar-se nos bailes de Salvador.

Mas por que Novos Baianos? Primeiro porque quase todos são da boa terra mesmo, depois porque vieram pós Caetano Veloso e Gilberto Gil. Enfim, segundo contou Pepeu Gomes, quando foram se apresentar num programa na Record, em São Paulo, o grupo ainda não tinha nome artístico e um funcionário da emissora os batizou gritando: chama aí esses novos baianos!

O fato é que depois do Dilúvio em Salvador,  Moraes, Pepeu e Companhia foram se apresentar em São Paulo. Estiveram até no programa de Hebe Camargo. No Sudeste conseguiram gravar o primeiro disco, um compacto simples com as músicas De Vera e Colégio de Aplicação. Pouco depois saiu o primeiro LP, “É Ferro na Boneca”, um disco irreverente, criativo, eclético, mesclando samba, pop, choro e algo próximo do rock roll.

O próximo destino do grupo foi o Rio de Janeiro. Moravam num apartamento em Botafogo – um monte de gente – e foram visitados por João Gilberto, um dos iluminados da música brasileira. Este deu um conselho e tanto aos artistas: que gravassem “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente. “É a cara de vocês”, diria. Não deu outra: essa canção foi um dos grandes sucessos dos Novos Baianos.

Em 1972 saiu o disco mais celebrado da história do grupo,  “Acabou Chorare”, incluído por revistas e críticos como um dos 100 álbuns mais importantes da música popular brasileira.

O vinil incluía Brasil Pandeiro, Besta é Tu, Acabou Chorare e Preta Pretinha, esta uma das músicas mais executadas nas rádios do país na época.

Dois anos depois Moraes Moreira resolveu seguir carreira solo. Os Novos Baianos ainda resistiram uns tempos, gravaram alguns discos com Galvão, Paulinho, Pepeu e Baby, mas depois cada um seguiu sua própria carreira.

Moraes e Pepeu foram sem dúvida nenhuma os mais bem sucedidos. O primeiro principalmente como cantor e compositor, o segundo reconhecido como grande músico e guitarrista.

O caso mais curioso dessa trupe baiana é o de Baby Consuelo. Passado um tempo que ela se desligou dos Novos Baianos mudou o nome artístico para Baby do Brasil. Por fim, virou evangélica e hoje é cantora de música Gospel.

Os Novos Baianos ainda teriam um reencontro, no final dos anos 90, graças a inspiração de Marisa Monte, que conseguiu reunir o grupo, revivendo a criatividade e irreverência do início da carreira daqueles artistas.

MORAES – A partir de 1975 Moraes Moreira começou a consolidar sua carreira. Já neste ano gravou seu primeiro LP sem a participação dos companheiros, tendo conseguido êxito absoluto, sobretudo por conta da música Pombo Correio, uma das mais executadas do carnaval daquele ano. Posteriormente esse frevo seria gravado também por cantores do porte de Elba Ramalho e Zeca Baleiro.

Moraes seria um dos primeiros cantores da música popular brasileira a subir em cima de um trio elétrico, em Salvador, e a partir daí passou a dar uma grande colaboração ao carnaval da Bahia.

Além de Pombo Correio, Moraes criou outros grandes frevos que foram bem tocados até em Pernambuco, que sempre se orgulhou de ser a terra desse ritmo eletrizante, tocado mais no período carnavalesco. Festa do Interior e Bloco do Prazer conquistaram o Brasil na voz de Gal Costa e Varre Varre Vassourinha reconheceu o frevo como pernambucano, ponderando que este adquriu um novo sotaque, ou energia, ao chegar ao território baiano. Confira um trecho dessa bela criação de Moreira:

Varre, varre, varre vassourinhas
Varreu um dia as ruas da Bahia
Frevo, chuva de frevo e sombrinhas
Metais em brasa, brasa, brasa que ardia

Varre, varre, varre vassourinhas
Varreu um dia as ruas da Bahia

Abriu alas e caminhos pra depois passar
O trio de Armandinho, Dodô e Osmar (bis)

E o frevo que é pernambucano, ui, ui, ui, ui
Sofreu ao chegar na Bahia, ai, ai, ai, ai
Um toque, um sotaque baiano, ui, ui, ui, ui
Pintou uma nova energia, ai, ai, ai, ai

Durante os anos 80 o cantor se afastou um pouco do carnaval baiano, devido à comercialização da festa para a indústria do turismo. Foi então que compôs "O Brasil Tem Concerto" e logo em seguida o especial para a MTV "Moraes Moreira Acústico", mais tarde transformado em CD. Em 1997, gravou um disco carnavalesco em que comemora seus 50 anos, "50 carnavais" e dois anos depois lança o disco 500 sambas em homenagem aos 500 anos de descobrimento do Brasil.

No ano 2000 lançou o disco "Bahião com H", tocando o baião com seu característico sotaque baiano. Em 2003 completou sua trilogia que tinha como tema o Brasil, e incluía os três álbuns Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira (1979) e O Brasil Tem Concerto (1994) e Meu Nome é Brasil (2003). Em 2005 lançou independentemente o surpreendente disco "De repente", misturando hip hop com repente nordestino e o swing característico de seu violão.

Em 2008 Moraes lançou o livro "A história dos Novos Baianos e outros versos" em que conta a história do grupo em literatura de cordel e curiosidades sobre as músicas de sua carreira solo, e sai em turnê pelo Brasil com o show homônimo, tocando os maiores sucessos de sua carreira e recitando trechos do livro, que em 2009 foi transformado em DVD e CD.

Moraes Moreira lançou mais de 20 discos, sem contar com o tempo dos novos baianos. Tanto ele quanto Pepeu, Baby, Paulinho e Galvão representam um capítulo importante da história da música popular.

SINTONIA - Outro grande sucesso de Moraes Moreira é Sintonia, de 1988, também regravada por Zeca Baleiro. O cantor maranhense é um mestre em resgatar sucessos das décadas de 70 e 80. Clique no nome da música, todo em maiúsculo e confira a beleza dessa canção popular num vídeo do youtube.

(Principais fontes de consulta: Enciclopédia de Música Brasileira, zipt.net.novosbaianos, Wikipédia Google, mpb.net).

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