UMA CRÔNICA PARA TEREZA


Evaldo Gouveia e Jair Amorim, dois dos melhores e maiores compositores do Brasil, compuseram a música "Tango para Tereza".

A canção ficou conhecida na interpretação magistral de Ângela Maria, grande voz da MPB.

Hoje alguém pôs a rodar

Um disco de Gardel

No apartamento

Que tristeza me deu..

E Ângela segue cantando o tango, numa interpretação belíssima.

Neste domingo não ouvi Gardel, nem Ângela Maria, Maria Bethânia, Gal ou Chico Buarque.

Ouvi sim um trecho de Sampa, com Caetano Veloso. É que meu filho mais velho, Luís Fernando, está em São Paulo com as filhas e lembrei da metrópole, da Ipiranga e São João.

Mas Tereza entra na crônica porque ao acaso vi esta foto da minha mulher, companheira de 38 anos de jornada conjunta.

Ela já começou a fazer a contagem dos dias que faltam para fazer 60 anos.

Se estivermos bem e com algum trocado, vamos comemorar. Com os filhos, os netos e netas, um almoço ou jantar.

Essa mulher da roça, que fui buscar num dia de domingo e a encontrei incrivelmente bela, lavando roupa num barreiro, já viveu muitas ao meu lado.

Deu-me três filhos, me entregou todo amor do mundo, cuidou de mim quando veio a doença e até os médicos eram pessimistas (ou realistas) com meu caso.

E aqui estou, 20 anos depois do primeiro susto. Ainda escrevendo e esperando festejar os 60 anos da esposa, namorada, amante, mãe, uma mulher que parece ter saído das páginas de Graciliano Ramos para garantir o brilho no olhar.

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