Em junho de 1980 o jornal Diario de Pernambuco, na época o mais importante veículo de comunicação do Estado, publicou uma matéria relacionando o São João de Garanhuns à Europa, devido ao frio.
Na ocasião, o jornalista Homero Fonseca, hoje também escritor consagrado, enviou uma carta à redação do "velho DP" comentando o texto que fazia a analogia da Suíça Pernambucana com o Velho Continente.
A carta de Homero, além da importância histórica, não perdeu a atualidade. Garanhuns continua como há 43 anos, no período junino a chuva cai, a garoa cobre a cidade e o frio chega a doer, obrigando as pessoas a se refugiar debaixo das cobertas.
Os mais jovens enfrentam as baixas temperaturas e vão às ruas quando tem forró, como aconteceu na Festa de Santo Antônio.
Homero Fonseca nos enviou a Carta ao Diario (o jornal mantém a escrita sem o acento), que reproduzimos com muita satisfação:
Garanhuns se prepara para viver um São João tipicamente europeu. Assim começava reportagem publicada no Diario de Pernambuco, em junho de 1980, cujo título era: FRIO É DESTAQUE EM GARANHUNS.
Não resisti e mandei uma carta à redação, sob pseudônimo, com este teor:
Parabéns pela matéria, Sr. Redator.
Como conhecedor dos cinco continentes posso asseverar que quem chega em Garanhuns nessa época e vê a brancura da Igreja de Santo Antônio tão bem caiada pensa estar em Lausanne num dia de neve.
Canjica, pamonha e pé-de-moleque iguais aos de Garanhuns somente encontrei em Londres, numa cálida noite de junho, nas barraquinhas da Trafalgar Square.
Somente na Tchecoslováquia é possível ouvir forró, xaxado e baião igual ao que se escuta por aqui: haja sanfona, zabumba e triângulo na Bohemia.
Para finalizar, sr. Redator, lembro como se fosse hoje da noite de São João que passei na River Gauche: o que vi de francês acendendo a fogueira, soltando peido-de-velha e queimando a rodinha não está no gibi. Saudações.

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