Por Roberto Almeida
Que tristeza para Caetés e todo o Agreste Meridional!
Num prazo de pouco mais de seis meses perdemos os irmãos Armando e Aurino Duarte.
De uma família exemplar, dessas que só se encontra, ainda, no interior.
Pessoas unidas, corretas, boníssimas, para usar aqui um superlativo, qual um famoso personagem de Machado de Assis.
Os conheci desde criança. Nós, os Almeida de Capoeiras, terminamos por entrar na família dos Duarte de Caetés.
Quando meu irmão Junior, então um rapazote, se enamorou de Ranaíse, uma das filhas de Aurino.
Hoje eles têm filhos adultos e o primeiro deles, Nettinho, deu duas bisnetas a Aurino e Adeíce.
Armando foi funcionário do Banco do Brasil e depois, seguindo os caminhos do pai, e do irmão um pouco mais velho, entrou na política.
Foi vereador de mais de um mandato e prefeito de Caetés oito anos. E fez o sucessor com a maior votação da história do município. Nivaldo Tirri se elegeu com quase 10 mil votos numa cidade pequena, fato nunca visto neste nosso Agreste.
Pouco tempo depois que deixou a prefeitura, Armando adoeceu, foi ao Recife, se operou, voltou para casa, ficou tão magro que não mais parecia aquele homem forte, cheio de vida.
Deixou Caetés e o Agreste órfãos de um dos seus melhores quadros políticos. Um homem sério, ótimo gestor, avesso ao assistencialismo barato que se vê em tantos municípios da região.
Aurino foi vereador, mas deixou a política para o irmão mais novo. Era um cidadão tão pacato, da paz e do amor, que provavelmente não combinava com os rumos que a política tomou em sua cidade, em Pernambuco e no Brasil.
Perdeu dois filhos em acidentes de carro. Já completados os 70 anos ficou sem o irmão querido.
Mas nunca perdeu a fé, o prazer de viver, a vontade de ver filhos e filhas bem criados.
Aí vem o destino cruel e leva ele, seis meses depois, pra junto do irmão.
No Dia das Mães ele estava na casa do genro, em Capoeiras, conversando sobre política, olhando com carinho as filhas, os netos e as duas bisnetas.
Um dos netos, médico recém formado, notou que tinha alguma coisa errada com o avô. Recomendou que fizesse uma consulta com um especialista.
Aurino Duarte atendeu o conselho do Dr. Lucas e se consultou, descobrindo então que era doença séria.
Com pouco foi para o Recife e em menos de dois meses - desde o Dia das Mães - nos deixou.
Que tristeza! Repito.
Temos muitas perguntas, sempre, e às vezes faltam respostas.
Quem sabe o que nos esperado outro lado? Será que Aurino foi chamado para rever os pais, o irmão Armando e os filhos Raul e Ranieri, que se foram tão jovens.
Aqui ficamos com esse sentimento de tristeza e perplexidade.
Nessas horas, só Deus pode nos consolar, dá um sentido a isso tudo, à vida.
A Deíce, Ranaíse, Renata, Rubenita, Almir, Arlinda, Albertina, os netos, netas, bisnetas, todos da família Almeida Duarte a nossa solidariedade.
Vá em paz, Aurino Duarte. Sempre lembraremos de você com carinho, pela pessoa maravilhosa que você foi. Dê um beijo nos filhos e um abraço em Armando. Até qualquer dia.
De uma maneira ou de outra a gente volta se encontrar.


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