“Sorriu pro meu psiu, bem me quer.
Já sou seu namorado...
Mas, se dobra aquela esquina, sem olhar pra trás.
Vai ficar tudo acabado.
Tudo acabado, sim.
Tudo acabado, viu?”
No oitão do Centro Cultural, no começo dos aos 80, Rocir Santiago me sofrejava essa música. Era um xotezinho desses que Dominguinhos faria com maestria.” Que tal? Ainda não terminei.” Percebi que a letra tratava daquele amor de fantasia que povoava a adolescência antiga. Sim. Houve um tempo em que as meninas passavam à distância, nos fuzilando com o olhar e vice versa. Disfarçavam fingindo ver na direção onde iam. Mas, se ao dobrar a esquina olha-se para trás...Ah, podia se confirmar ali, uma paixão mútua! O coração acelerava...O forrozinho tinha essa inocência telúrica e eu não me acovardei. Lhe dei os versos finais da canção e nunca mais o ouvi cantar. Mas tinha essa veia artística exposta nas rodas de violão entre amigos. Me deu, muitas vezes, a entender que só amou uma mulher na vida. Havia lhe tomado nos braços quando bebê, até casar-se com ela. Após isso, ela separou-se dele....e ele da vida. Trabalhamos juntos na época em que o rádio fazia um jornalismo altivo, puro e inteligente. Era dos bons e com maiúsculo poder de síntese. Sabia conter a notícia num “lide” e fornecia ao entrevistado a chance de conclusões a quem recebia a notícia. Nos tempos de hoje em que o rádio não sabe abrir a boca se não tiver um blog por perto, talvez tenha sido útil ter parado com a profissão em tempo de um jornalismo radiofônico tão pobre. Mas deu sua contribuição extraordinária e vale o registro de uma grande perda para a comunicação garanhuense. Como disse eu seu verso: Dobrou “aquela esquina sem olhar pra trás". E só não “fica tudo acabado”, porque as boas lembranças sempre ficam do lado de fora do ataúde.
Valeu, Rocir Santiago!

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