EU CANTO A VIDA - Por Roberto Almeida


Minha filha Maria Roberta Martins de Almeida, que não parece ter chegado aos 40 anos - para mim ainda é minha menina - foi a primeira, hoje, pouco depois das 6 horas, a me parabenizar. 

Assim, chego aos 65 anos, recebendo este presente, a mensagem de uma pessoa mais do que amada, enviada das fronteiras do Recife e Jaboatão dos Guararapes. 

Não foi fácil chegar até aqui. Só eu sei tudo que passei, o que sinto, enfrentando, às vezes sozinho, ameaças que assustam mais do que as maldades do inominável ou a guerra na Ucrânia. 

Na idade que cheguei, ainda me permito sonhar, cultivar esperanças, ficar embevecido diante de uma obra de arte. 

Tenho muitos filhos e netos. Amo tanto todos eles que meu coração transborda e os olhos ficam a marejar, de felicidade. São pedaços de mim, como na música de Chico Buarque. 

Vou me permitir neste sábado almoçar fora. Pelo menos três estarão comigo e eu, nenhuma dúvida, estarei com todos. 

Perto de terminar este texto comemorativo, se me permitem a expressão, recebo uma ligação de João Pessoa. Eduardo, meu irmão mais velho, ajudou a dourar o sábado de sol em Garanhuns. 

Poderia citar Fernando Pessoa, os belos versos em que o poeta lembra "o tempo em que festejavam o dia dos meus anos...".

Mas agora, quando estou a encerrar, me vem à cabeça a letra de uma canção de Flávia Wenceslau.

A vida é assim feito o vento

Que nada poderá vender

A vida é assim feito a rocha

Que quando quer pode ceder

A vida de nossas histórias

De fé, de coragem pra ver

Ver que a vida é a grande vitória

De quem decidir por viver

Que eu canto, eu canto, eu canto a vida

Só ela quem pode saber

A hora de cada partida

Pra o novo, de novo nascer.

Leitores, seguidores, amigos e amigas, sou o moço velho, o velho moço da composição de Silvio César. Já vivi muito, mas ainda tenho tudo pra viver. Com amor, sempre.

*Eu canto a vida, o título, também tomei emprestado de Flávia Wenceslau. 

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