AROLDO MELO DE ANDRADE, UM AMIGO QUE NUNCA PODEREI ESQUECER


Por Roberto Almeida

Poucos em Capoeiras sabem da forte ligação minha com Aroldo Melo de Andrade, que nos deixou, ontem, aos 63 anos.

Estava internado no Hospital Getúlio Vargas, no Recife e foi de lá que nos disse adeus.

Não morreu, propriamente, passou para o outro lado, onde poderá rever a mãe, dona Maria Alice, chamada pelo Pai há pouco mais de um ano.

Poderá abraçar o irmão mais novo, Adelson, assassinado brutalmente quando tinha apenas 21 anos de idade, nos anos 80.

E ainda tem o Arnon, o irmão mais velho, que partiu em 2006, aos 55 anos.

Gildo, pai de todos eles, deixou Capoeiras de luto faz quase 20 anos.

Ele foi dono de farmácia e sabia de coisas que alguns médicos desconheciam, Antes de Dr. Odon chegar em Capoeiras,  Gildo Marques de Andrade receitava como um doutor e quase sempre acertava.

Contava histórias e dava risadas enormes, dessas de encher a sala.

Aroldo era o mais quieto dos irmãos, embora tivesse também o bom humor do pai, herdado por todos da família.

Na minha infância, em Capoeiras, os meus melhores amigos eram Ricardo, o Cacau, Beto de Superpino, Jorge de Seu Lula (hoje meu compadre) e Aroldo.

Eles me chamavam de Bebeto. Aroldo e Beto mesmo depois de adultos me tratavam pelo apelido carinhoso da infância.

Fiquei longe desses amigos queridos por um tempo, pois tive de fazer um estágio na capital. A visita por lá demorou quase 18 anos.

"Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves, dentro do coração", disse Milton Nascimento, em Canção da América.

Certíssimo, trago todos eles aqui, na mente, na alma.

Tem uma história de Aroldo que parece ficção, mas foi a mais pura verdade.

Quando eu tinha nove anos, isso há mais de 50 anos, vim morar em Garanhuns.

Meus pais tinham comprado uma casa na Rua XV e nós - três irmãos, na época - íamos estudar no Colégio Diocesano.

Aroldo, ao saber que o amigo, só alguns meses mais velho do que ele, se mudara para outra cidade, foi firme na sua decisão de criança: pegou o caminho Capoeiras-Garanhuns, a pé, para rever Bebeto.

Já tinha percorrido mais da metade da estrada, na companhia de outro garoto, quando Eronides Borrego, meu padrinho, passou em sua camionete e conheceu o filho de Gildo, perto da barragem já próxima a Garanhuns.

Aroldo foi trazido a minha casa na Rua XV, inocentemente conversamos sobre a minha nova vida, quando falei principalmente do primeiro filme que tinha assistido no Cine Jardim, contando com entusiasmo a história de "Joselito" - se a memória não me trai foi o longa que conferi na matinê do melhor cinema de Garanhuns na época.

Não faz tanto tempo assim que fui visitar Aroldo. Ele estava em casa, com Dona Maria, pesando mais de 100 quilos e precisando perder peso, pois tinha dificuldades até de andar.

Notei que ficou feliz, com minha presença e conversamos como nos velhos tempos. A história de sua fuga para Garanhuns sempre era relembrada por nós, com bom humor.

Poucos meses depois que estive com os dois,  Maria Alice, amiga-irmã de minha mãe, fez sua viagem.

E agora Aroldo foi se encontrar com ela. E Adelson e Arnon, todos eles queridos por mim e por quase todos em Capoeiras.

A Vera, Lúcia, Vanusa, Vânia, Gildinho, Ana, Tonho, todos da família Andrade, os meus mais sinceros sentimentos.

Aroldo está em paz, está com Deus, com os irmãos. Um dia todos iremos nos juntar a eles.

Escrever este texto não foi fácil. Quase impossível segurar as lágrimas. Ao lembrar do menino que fez quase todo o caminho Capoeiras-Garanhuns a pé. Simplesmente para ver/rever o amigo Bebeto.

Deus cuide bem de Aroldo, que aqui nem sempre teve vida fácil, porém sempre teve o coração grande, foi amigo dos amigos até o fim da vida e por isso merece todas as homenagens e ficará para sempre nas nossas lembranças.

*Foto do Facebook de Ana Andrade, irmã de Aroldo. 

3 comentários:

  1. Quinze dias que minha mãe foi chamada por Deus para o descanso eterno, saudades imensas, tristeza nenhuma. Hoje parte para eternidade meu grande amigo da infância e pre- adolescência Aroldo de Gildo (berrouto) como chamávamos. A família enlutada, meus sentimentos, convivi com todos. Já se encontra junto a seus pais e irmãos, na morada eterna, vamos orar Por ele e pela família, amém senhor

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  2. Que belas palavras, fica aqui meus parabéns a você pela bela homenagem ao amigo de infância.

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