Um ex-funcionário de Izaías Régis, após se
desentender com o patrão foi ao Ministério Público e denunciou um tenebroso
esquema de corrução, envolvendo o prefeito e toda sua família.
O processo corre em segredo de justiça desde 2018,
mas vazou, não se sabe como, e o blogueiro Gidi Santos teve acesso a
cópias dos documentos , divulgados em primeira mão nesta quinta-feira.
Nome do denunciante foi preservado, mas desde já
ele pode ficar conhecido como o PC ou o Queiroz de Garanhuns.
PC se refere a Paulo César Farias, que denunciou o
esquema de roubo de Fernando Collor e morreu em circunstâncias misteriosas.
Fabrício Queiroz é o homem bomba da família
Bolsonaro, envolvido no esquema de rachadinhas da Assembleia Legislativa do Rio
de Janeiro.
Como nesses casos famosos da política nacional, o
homem que denuncia Izaías teria ajudado a operar o esquema de corrução do
atual prefeito, envolvendo lojas, postos de gasolina, carros de luxos,
apartamentos na capital e fazendas, além de praticamente toda família do
prefeito.
Ele trabalhou quase 30 anos com o empresário e
depois prefeito.
O mais grave na denúncia, que está sob
apuração do promotor Domingos Sávio, tendo sido encaminhada, dado à
gravidade do caso, ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao
Crime Organizado (GAECO) , ao Ministério Público Federal (MPF) e ao procurador
geral de Justiça de Pernambuco, Francisco Dirceu Barros, é que o PC de
Garanhuns teria sido ameaçado de morte.
“O próprio senador Armando
Monteiro e o secretário municipal Evilson e o deputado José Humberto (irmão de
Ricardo Teobaldo), conversaram com o prefeito Izaías Régis para ele acabar com
isso, mas ele disse que não pagava e se o senador quisesse que pagasse. Ele
disse que se eu procurasse a justiça ele mandava me matar, isso ele falou há
cerca de quinze dias, num restaurante do Recife; fiquei sabendo porque Evilson
disse a minha esposa”.
Esse relato consta da matéria
assinada por Gidi Santos e teria sido feito pelo ex-funcionário de
Izaías.
Após a publicação da reportagem, o
prefeito passou uma mensagem para o blogueiro avisando que iria processá-lo
pelas “mentiras divulgadas”. Gidi respondeu: “Então processe também o promotor
e o procurador geral da Justiça de Pernambuco”.
Blogueiro ainda escreveu para o
prefeito: “pensei que você também ia me ameaçar de morte”, se referindo ao
aviso que foi dado ao ex-funcionário de Izaías, que denunciou tudo no
Ministério Público.
Isso tudo é só a ponta do iceberg,
a documentação em poder do promotor tem em torno de 2.500 páginas, divididas em
oito volumes.
O que ocorre em Garanhuns, no
momento, tem lances semelhantes à Operação Lava Jato, que investigou e prendeu
grande figurões da política e do meio empresarial brasileiro.

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