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sábado, 7 de setembro de 2019

VINDITA SOCIAL - Por Michel Zaidan Filho

A ação de despejo movida pelo INCRA contra o MST, retomando a posse da fazenda Normandia (Caruaru) cumpre estritamente o programa de retaliação e criminalização dos movimentos sociais no Brasil, anunciado antes pelo senhor Jair Bolsonaro.

A exemplo das ações criminosas contra as terras dos indígenas, quilombolas, contra os negros, homossexuais, a escola pública e o meio-ambiente, este governo pratica um verdadeiro crime de lesa-sociedade.

O MST é um movimento social moderno, exaltado por personalidades do mundo inteiro. Faz parte de um comitê mundial dos povos da terra, tem sido um participante assíduo do fórum social mundial e contribuído, também, para o avanço da democratização das estruturas agrárias brasileiras.

A fazenda Normandia é uma verdadeira escola da mais alta importância para os trabalhadores rurais. As universidades públicas têm contribuído frequentemente com seus quadros para o trabalho de formação de agentes sociais. Tem sido também um laboratório de novas formas coletivas e solidárias de produção autossustentável. As cooperativas do MST ajudam a colocar comida boa e barata na mesa do povo brasileiro e ensina os princípios da agroecologia.

É lamentável sob todos os aspectos essa espécie de vindita social contra os movimentos sociais.  Tal medida só pode partir de uma mente insana a serviço dos grandes agro negociantes, das empresas de alimentos transgênicos e do agrotóxico. Poucos movimentos sociais granjearam tanta admiração e apoio da sociedade como o Movimento dos trabalhadores sem-terra. Foi ele considerado por Manuel Castels um movimento de “identidade de projeto” não apenas de “reação”.

Chico Buarque de Holanda, José Saramargo e Sebastião Salgado reconheceram o seu importante papel na sociedade. Abundam na universidade os estudos sobre a capacidade do MST produzir fatos políticos através do poder simbólico. Sua tríade: “terra, trabalho e vida” se opõe como nenhuma coisa a esse capitalismo rentista que faz da propriedade rural mera reserva de valor, enquanto milhares de brasileiros morrem de fome ou não tem um chão para plantar.

*Michel Zaidan Filho é cientista político e professor da UFPE.

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