SEBRAE

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

A APOTEOSE DA INTOLERÂNCIA


Por Michel Zaidan Filho

Estive neste fim de semana em Garanhuns, a convite do Instituto histórico e Geográfico, para lançar a revista RUBER e fazer uma palestra sobre a história e a historiografia de Garanhuns.

Nas noites frias, chuvosas e cerradas da minha terra natal, o que mais ouvi foi reclamação. Parece que o governo do estado resolveu punir a cidade das sete colinas e do clima maravilhoso, por conta da sua baixa popularidade e aceitação pelos garanhuenses.

Fala-se da pouco afluência aos eventos, dos próprios convidados e sobretudo, da intolerância política e cultural da organização do FIG, em relação à programação do mesmo.

O ponto alto desse  descontentamento foi a explosão de  Daniela Mercury, quando ela fez  um discurso político contra os partidos, os administradores e o próprio governo de Pernambuco, em razão da censura à exibição de uma peça que faz uma leitura transexual sobre a vida de Jesus Cristo.

É curioso isso tudo. Numa cidade, onde a catedral do santo padroeiro da cidade (Santo Antônio) foi palco de vários espetáculos profanos, e onde foi lançado o livro sobre a morte do bispo D. Expedito Lopes, onde quase era realizado o congresso nacional dos integralistas e onde uma das maiores atrações turísticas é o santuário de Mãe Rainha, a explosão da cantora baiana acendeu uma luz na escuridão do festival.

Não é de hoje que se discute a sexualidade de Maria, de José e do próprio Jesus. Há quem afirme a bissexualidade do nazareno, ou da existência de uma prole com Maria Madalena. De todo jeito a relações do Cristianismo com as questões de gênero e de orientação sexual não são e nunca foram pacíficas.

Há na religião, como herdeira dos filósofos neoplatônicos e gregos uma vocação misógina muito grande, que põe as mulheres numa posição desconfortável. Isso para não falar   das influências do primo mais velho - o judaísmo - patriarcal, machocêntrico, como dizem as feministas. A Igreja Católica ainda precisa pedir perdão às mulheres, pela sua misoginia impenitente.

Na questão da orientação sexual, é pior.  Pura hipocrisia. Em razão do celibato adotado pela Igreja (que muitos explicam  por meras razões econômicas, sucessórias e legais), a Igreja tem sido conivente com o  crime de pedofilia, embora condene o homo erotismo, que não é crime é um direito civil e  humano: a escolha da orientação sexual.

Sou testemunha de que muitos homossexuais   são bons cristãos, sofrem com a discriminação sexual   e não querem morrer sem extrema-unção. Ou seja, não há nenhuma incompatibilidade entre gênero, identidade sexual e piedade ou confissão religiosa. Só a elaboração ascética e puritana   do Cristianismo paulino é que se tornou incompatível com o sexo, o gênero e a transexualidade.

Portanto, é perfeitamente compreensível a   crítica feita aos censores   do governador em relação ao direito (constitucional) da liberdade de expressão artística daqueles que propuseram fazer a leitura "heterodoxa" da vida do nazareno. 

Infelizmente, nestes tempos bicudos que nos foi dado a viver, com um governador rude, despojado de qualquer sensibilidade humana para essas questões (como para outras, aliás) é de se esperar essas e outras patranhas culturais. Mais grave ainda é quando essa campanha digna de Savanarola se insere dentro de uma política mesquinha de punir a cidade e seus   habitantes, em decorrência     de   legítimas discordâncias políticas e partidárias.

Chega de tanta intolerância, senhor governador!

*Na foto o professor Michel Zaidan na sua passagem recente por Garanhuns.

2 comentários:

  1. Quero lembrar ao senhor Michel Zaidan que toda a politicagem eleitoreira e hipócrita partiu do prefeito de Garanhuns! Seu Izaías se posicionou contra a exibição da peça, por puro oportunismo! E não venham esses politiqueiros falar em princípios religiosos e quejandos! - O que houve e está havendo aí em Garanhuns e adjacências é pura sacanagem de políticos inexpressivos, querendo tirar proveito na vida política! E do povo cínico que se diz religioso; e acende uma vela para o diabo e dá as costas pra Jesus! - 2. Quanto aos pecados das igrejas, estes são incontáveis e incontestáveis. O próprio Vaticano é um poço de corrupção! E até de crimes! - Não só foi na Idade Média! – No finalzinho do século XX, a Igreja Católica teve que desenterrar o corpo de um narcotraficante, que mandou pagar vultosa soma de dinheiro (um milhão de liras) par ser sepultado ao lado de papas, cardeais e outras "autoridades" de má reputação! - O narcotraficante foi Enrico De Pedis, chefe da organização criminosa Banda della Magliana; e quem fez o pagamento ao Vaticano foi a ex-amante deste, Sabrina Minardi. Em depoimento em 2008, Sabrina Minardi afirmou que foi Enrico De Pedis quem ordenou o sequestro de Emanuela Orlandi, a mando do arcebispo Paul Marcinkus, mandachuva do Banco do Vaticano (Instituto de "Obras Religiosas" IOR)! - Por que o vigário-geral do Vaticano: arcebispo Ugo Poletti, aceitou toda essa dinheirama para sepultar Enrico De Pedis na capela de Santo Apolinario?! Toda a Itália sabia que Enrico De Pedis era perigoso narcotraficante, com vários crimes nas costas! - Mas o Vaticano só queria o dinheiro para "investir" nos negócios sujos do Banco Ambrosiano, do ex-banqueiro Roberto Calvi, também assassinado! – Paul Marcinkus estava mandando um recado para o pai de Emanuela, Ercole Orlandi, porque Ercole "estava sabendo demais", segundo foi dito em testemunho público! Como Ercole Orlandi era conceituado funcionário do Vaticano, teve a filha morta, pra se manter calado. Mas, o Ministério Público da Itália obrigou o Vaticano a retirar o corpo de Enrico De Pedis da Capela de Santo Apolinario e manda-lo para os quintos dos infernos! Daí em diante, o Vaticano "deu o caso por encerrado"! – E o corpo Emanuela Orlandi nunca apareceu! O que é a grande mancha nos costados da Igreja Católica! – Porém, os beatos e a beatas de Garanhuns e arredores, talvez não saibam de nada disso. – Contudo, a diocese de Garanhuns sabe dessa história! – Então, não me venham querer tapar o sol com uma peneira furada! Aí não dá pra mim! - Só os ignorantes de todos os matizes é que aceitam essas patifarias religiosas! – O arcebispo Ugo Poletti quis justificar as propinas, dizendo que a capela estava precisando de reformas! – É muito cinismo daquele vigário, que o diabo também já levou pra si. /.


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  2. Verbas publicas não devem ser destinadas nem para artistas, nem para militantes "travestidos" de artista. SHows devem ser financiado pela iniciativa privada e não pelo governo. Sou 100% favorável de retirar o FIG das mãos de qualquer órgão governamental e passa-lo para as mãos dos empresários locais, que devem bancar com seu dinheiro e com ZERO de verba pública!

    SE ISSO ACARRETAR O FIM DO FIG PACIÊNCIA!!!

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