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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

REFLEXÕES DE UM GARANHUENSE CONSCIENTE

Por Adriano Tenório

Ano novo chegando e automaticamente nosso “psicológico” vai renovando as esperanças em tudo que pensamos e vivemos.

Em 2018 teremos novas eleições depois de um processo completamente antidemocrático que transformou cidadãos em verdadeiros agressores descontrolados, loucos e sedentos por brigas a ponto de humilharem pessoas e desconstruírem algum tipo de vínculo social, inclusive amizades.

Quase não existe mais diálogo decente; o que existe são grosserias, xingamentos, ameaças e todo tipo de desrespeito em postagens nas redes.

Certamente será um ano de muitas mentiras, discussões e sujeiras. Infelizmente isso é inevitável e acredito que faz parte desse processo imundo em depuração. Li alguns desabafos sobre isso, me identifiquei e resolvi escrever também.

Não sei se minhas tentativas de esclarecimento dos fatos ajudam alguém. Sei que sou apenas mais uma pessoa comum no meio da multidão, mas me sinto leve e com o dever cumprido em expor minhas ideias e conclusões do que conheço. Porém, se consigo ajudar uma só pessoa, pra mim já é gratificante. Pessoalmente tenho aprendido muito com alguns nesse mundo dinâmico de informações.

Também sei que ao me manifestar acabo incomodando uns e gerando críticas de outros. Mesmo que não me digam nada. O mundo é feito de convergências e divergências. É normal. Só que nesse momento, tenho absoluta certeza que muitos que ainda não deram o braço a torcer, já começam a sentir no dia a dia as diferenças e consequências da manipulação que se envolveram, ingenuamente ou propositalmente.

A questão é que de uma maneira ou de outra, essas pessoas participaram de ações que levaram o que há de pior na política a governar o Brasil. Na boa, sem paixão ideológica ou partidarismo, sei que vocês sabem o que estou dizendo. Tudo que está acontecendo é parte de uma batalha pelo poder e pela permanência de esquemas corruptos. Não se enganem. E nesse jogo vale tudo. Penso que Lula será inviabilizado sim. “Eles” não agiram até aqui para perderem o poder rapidamente. Sabem e conhecem muito mais que nós a liderança, a força e o carisma de Lula.

Digo mais, também sei que vocês sabem (principalmente depois de conhecerem todos esses escândalos sem fim e que envolvem quase todos os políticos que ali estão) que realmente é quase impossível governar sem se melar de alguma forma. O sistema é todo contaminado e não é de hoje. Triste e nojenta realidade. Talvez a única opção seja fazer aquela conhecida “vista grossa” para não se comprometer ainda mais.

Não tem inocentes puritanos, mas tem quem evite a lama e trate o povo como gente de verdade, com maior sensibilidade e promovendo uma vida mais digna para a maioria. Ora, não é assim que Deus espera que devemos agir? Quem sabe algum dia a consciência humanista e política dos brasileiros sejam diferentes e melhores? Né?

Quero, assim como a maioria, que a justiça seja justa para todos. Infelizmente não é isso que vemos, ela não é imparcial e não vale para todos com o mesmo peso. Os setores conservadores, reacionários e mais um punhado de gente (lamentavelmente) estão se identificando com ideias retrógradas que são construídas justamente por grupos que não se importam com o desenvolvimento real da nação. Pelo contrário.

Assim, eliminando o Lula e o que ele representa, eles poderão ganhar essa parada e dominar como querem por muito tempo, afundando muito mais as classes menos favorecidas e também arrochando o nó da rédea da nossa classe média, principalmente na educação para que sejamos um povo despolitizado e subserviente.

Sempre foi assim, com exceção dos anos de Lula e Dilma. Um paradoxo na sociedade para que explorados votem nos exploradores. Essa é a mais pura realidade. Só que hoje não temos mais um Brizola, um Ulisses Guimarães e um Miguel Arraes para lutar pelos interesses de um Brasil mais justo para todos. Estamos órfãos de bons líderes.

Sei que minhas opiniões não mudarão a consciência das pessoas em relação a suas percepções. Nem tenho esse intuito. O que desejo é ver meus amigos mais envolvidos com a verdade nesse assunto que é, gostem ou não, o alicerce de tudo em nossas vidas e nas vidas das futuras gerações.

Isso não significa que concordem comigo em tudo ou que eu seja obrigado a concordar da mesma forma. Significa que todos poderão construir uma classe de representantes mais preparados no caráter e se sentirem orgulhosos de suas responsabilidades como cidadãos patriotas. Daquele jeito que muitos desejam quando falam de países evoluídos e menos corruptos.

Eu falo e acho que sempre falarei nesses assuntos porque nasci assim. É algo que gosto e que reconheço como maior importância nos nossos dias. Vejo como essencial participar da política, dos processos dela e das possibilidades que surgem nesse contexto, mas não vivo de politicagem. A propósito, muitos me questionam por não compartilhar das ideias estreitas deles.

Surpreendem-se por eu ser branco, de olhos azuis, de uma família tradicionalmente de classe social e economicamente melhor, ter sido criado com regalias que poucos tiveram, entre outras coisas. Realmente, se eu não tivesse tanta intimidade com a história, se não me importasse com os ensinamentos cristãos e se eu não fosse tão sensível com a miséria alheia, seria muito mais fácil para mim de agradá-los.

Entretanto, eles que estão equivocados. Uma pena. Resumindo o que penso, acredito que todos têm o direito sagrado de terem uma vida melhor. No mínimo igual a minha. Onde todos tenham as oportunidades de irem num hotel legal, num clube bom, num restaurante de comida farta e de qualidade, de vestir melhor...

Eu poderia simplesmente silenciar, mas não seria eu. Poderia me acomodar, pois apesar de não ser rico, vivo bem. Tenho minha pequena empresa que me rende um ganho razoável, não preciso de direitos trabalhistas ou da CLT e mesmo que venha a precisar faz parte, pago previdência privada e pública, tenho plano de saúde desde que nasci, estudei em escolas e faculdades particulares a vida toda, uso meu transporte particular e não o público, posso passear dentro e fora do país com mais facilidade que a maioria, tive conquistas felizes que são pessoais, e ainda tive um pai extraordinário que assegurou a vida da minha família e que me permite algum lastro etc, etc, etc. Tenho, tive ou terei dificuldades? Claro que sim.

Moro no Brasil e posso sofrer quando governos desse tipo tomam conta do país, afinal sou de classe média, não rico. Rico não sente o aperto dos aumentos da gasolina, dos remédios, das mensalidades escolares, das passagens aéreas ou dos pacotes de viagem.

Se você sente esse aperto como eu, entenda que você não é rico, brother. É um sofrimento diferente e que não vai me matar de fome e nem vai roubar minha dignidade. Diferentemente da maioria de outras classes. Governos que formatam seus planos e estratégias para facilitar e favorecer apenas uma minoria que detém o capital, enquanto tira dos pobres a esperança, o emprego pleno, o salário valorizado, a saúde, a educação, o transporte, o gás de cozinha, o acesso à paz e bem estar social...

Enfim, escrevo e defendo o meu ponto de vista visando um mundo melhor para uma grande massa de gente que historicamente é explorada. Escolhas foram feitas por cada um de nós. Agora experimentem esse país e vivam seus destinos.

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