Governo do Estado

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

VENDA DA ELETROBRÁS É CONSIDERADA UMA ABERRAÇÃO

Com a privatização da Eletrobrás, pelo Governo Temer, um setor estratégico da economia nacional vai passar às mãos do capital internacional. Tudo indica que os chineses vão comprar a empresa brasileira, construída 64 anos atrás, e considerada um dos principais patrimônios do país.

A iniciativa do peemedebista, que chegou ao poder não propriamente pelo voto, mas devido a manobras desse Congresso Nacional espúrio que temos aí, visa a atender interesses do mercado e fazer caixa, já que o rombo nas contas públicas extrapolou todos os limites.

Apesar das graves denúncias contra Temer, que não está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal por conta da péssima representação que temos na Câmara dos Deputados, a grande imprensa em peso comemora a privatização da Eletrobrás, com editorais laudatórios em jornais tradicionais, como O Globo, Folha de São Paulo e Estadão.

Normalmente o que esses veículos de comunicação defendem é de interesse dos mais ricos, dos patrões, de uma elite já privilegiada. E que traz prejuízos a maior parte da população.

A imprensa alternativa, os políticos mais à esquerda e até economistas de centro ou  da direita, como o ex-ministro Bresser Pereira, criticam o processo em curso por entender que está se entregando um patrimônio do Brasil a estrangeiros por um valor aquém do que realmente a empresa vale, com consequências negativas para o povo.

Muitos não têm dúvida,  também,  de que com a Eletrobrás gerida pela iniciativa privada, a conta de luz vai ficar bem mais cara para todos os brasileiros.

Sobre a privatização da empresa de energia elétrica, vale à pena refletir depois de ler o bom artigo assinado pelo jornalista Luís Nassif, que considera a decisão do governo como "uma aberração".

INICIATIVA ABERRANTE

O anúncio de venda da Eletrobras para fazer caixa é uma das iniciativas mais aberrantes do governo Temer. A ideia da “democratização do capital” e a comparação com a Vale e a Embraer é esdrúxula. Ambas estão na economia competitiva enquanto a Eletrobrás é uma concessionária de serviços públicos, estratégica para o país.

A avaliação de R$ 20 bilhões equivale a menos da metade de uma usina como Belo Monte. A Eletrobrás tem 47 usinas hidroelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa tão estratégica quanto a Petrobras.

A Eletrobras está sendo contruída desde 1953 e exigiu investimentos calculados em R$ 400 bilhões do povo brasileiro. Além da capacidade geradora, que equivale a meia Itaiupu, a Eletrobras controla linhas de transmissão, seis distribuidoras e a Eletronuclear, empresa estratégica que detém as únicas usinas nucleares brasileiras.

O modelo elétrico brasileiro é uma obra de engenharia fanrtástica, resultado do pensamento estratégico de especialistas como Octávio Marcondes Ferraz, Mário Thibau, Mário Bhering, um conjunto de técnicos da Cemig – que também corre risco idêntico.

No governo Fernando Henrique Cardoso, o desmonte irresponsável desse modelo promoveu um encarecimento brutal das tarifas, que acabou tiraqndo a competitividade brasileira em vários setores eletro intensivos. Lá, como ágora, moviam-se exclusivamente por visão ideológica, sem um pingo de preocupação com a lógica de um sistema integrado.

O comprador com toda probabilidade será um grupo chinês que por 20 bilhões de reais assumirá o provavelmente maior parque de geração hidroelétrica do planeta. É realmente inacreditável o nível de improvisação, cegueira estratégica, leviandade suspeita atrás desse tipo de decisão de quebra-galho financeiro.

Nos EUA, o parque hidroelétrico, que corresponde a 15% da matriz energética, é estatal federal, porque lá se acredita que energia elétrica, que envolve recursos hídricos são de interesse nacional e não podem ser privados. Lá há muito cuidado com água, rios e represas e nunca se pensou em privatizar.

A ideia de privatizar estava obvia quando a rainha das privatizações da Era FHC  Elena Landau foi colocada como presidente do Conselho da empresa. Há um mês pediu demissão para não ficar evidente demais sua presença com o anúncio da privatização, ligando a lembranças de sua atuação no governo tucano.


Para completar o pesadelo, o Ministro de Minas e Energia é um rapaz de 33 anos, formado em administração de empresas pela FAAP, sem qualquer especialização na área e representando o histórico Partido Socialista Brasileiro, de ilustres nomes como João Mangabeira, que deve estar se revirando na tumba com tal iniciativa por um "socialista" pernambucano.

*Foto: Contexto Livre

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