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segunda-feira, 19 de junho de 2017

O MUNDO DO TRABALHO E A POLÍTICA


Por Michel Zaidan Filho*

Tive, ontem, a grata satisfação de ver realizada a tese de Antonio Gramsci que diz  "a hegemonia nasce  na fábrica", ou como o movimento sindical pode (e deve se transformar) numa escola de formação. Na   última quinta-feira (dia do feriado de Corpus Cristi), o Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco realizou na Guabiraba um grande encontro de delegados sindicais preparatório para as eleições da próxima diretoria da casa. O que mais me chamou a atenção foi o foco de interesse daqueles operários na Política (estadual e nacional), entendendo eles que não é possível   formular uma agenda sindical, por reposição salarial e outras questões, sem fazer uma discussão profu nda sobre a economia e a política do país. E como participaram animadamente dessas discussões!

Primeiro, se levantou a questão da grave crise representação política  que hoje vive  o Brasil, com o predomínio das corporações econômicas, religiosas e de vários matizes e interesses sobre o mandato popular. O que, por si só, desautorizaria a prerrogativa legiferante do chamado Poder Legislativo em legislar em benefício do povo. Grande parte dos nobres deputados e senadores, alvo da operação Lava-Jato, legisla hoje em causa própria ou em benefício de seus patrocinadores de campanha, numa espécie de destruição do instituto da representação política, que devia ser universal ou a serviço do interesse publico, republicano. Não a favor de bancos, frigóricos, igrejas, empresas, agro-exportadores etc.

Segundo, a grave crise de representação vem contribuindo a passos largos para a "desinstitucionalização da política", fazendo com que ela saia do parlamento, dos partidos, do voto popular nas eleições, e caminhe para as ruas, praticando um tipo de "jus esperniandi", uma atitude de indignação, revolta contra o desvirtuamento anti-republicano das instituições do país.

Terceiro, estaríamos diante   de uma modalidade de "Estado de exceção", com aparência democrática, onde um governo ilegitimo, antipopular, a serviço do mercado, procura utilizar o cargo e seus aliados, no Congresso, para obstrução da Justiça.  criminalizando e reprimindo as manifestações da sociedade civil contra si. Até as tropas do Exército Nacional foram requisitadas pelo Poder Executivo para impedir a liberdade de manifestação dos cidadãos e cidadãs indignados.

Quarto, crise na relação inter-institucional entre os Poderes, sobretudo entre o Judiciário e o Legislativo. O mau ativismo judicial, praticado pelos ministros que tomaram partido pelos políticos, abriu as portas para a desmoralização do Judiciário,  fazendo com que os deputados e senadores escolham a decisão que querem obedecer ou aceitar. A partidarização do Poder Judiciário colabora para perda de credibilidade dos ministros dos tribunais superiores. E instauram, no país, um clima de grande insegurança jurídica.


Quinto, o fim do ciclo político e a novidade das greves de trabalhadores no Brasil. Este sim o fato novo na política brasileira, depois de atrelamento do movimento sindical.

*Michel Zaidan Filho é professor da UFPE e cientista político.

**Foto: Carta Capital

Um comentário:

  1. Eu leio,eu vejo,eu escuto alguns serem contra aos Sindicatos de todas as categorias do Brasil.Vão ser burro assim pra lá de Bagdá.

    Prefeitos e vereadores,governadores e deputados estaduais,presidentes e deputados federais e senadores conseguem aumentos exorbitantes acima da inflação rapidinho e ligeirinho.

    Até 2002 os deputados federais ganhavam apenas mensalmente R$ 12.748,00.Deram um pulo em em 2006 já estavam em R$ 16.509,12.Depois subiram mais um degrau e foram para R$ 26.726,13 em 2010 quando criaram uma FALSA ISONOMIA SALARIAL.Achando pouco porque eles trabalham muito pelo povo aumentaram para R$ 33.763,00 em 2014.

    Em 2016 eles voltaram a quebrar a falsa isonomia salarial e aprovaram para os juízes R$ 39.293,00 o que em 2018 quando eles estiveram legislando em causa própria deverão ganhar iguais aos juízes R$ 39.293,00.

    Totalizando assim em 16 anos R$ 26.545,00 .Agora o salário mínimo subiu apenas em 15 anos R$ 737,00. Por isso que as elites do Brasil querem acabar com sindicalismo deixando que os Prefeitos,governadores e presidente os patrões reconheçam que os trabalhadores precisam de aumentos quando eles são incapazes de controlar A INFLAÇÃO QUE SOBE TODOS OS DIAS.

    Subiu gasolina,botijão de gás,salários dos políticos e dos trabalhadores devem permanecer congelados! Que hipocrisia!

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