Governo do Estado

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sábado, 8 de abril de 2017

PARA ENTENDER MAIS DA AMÉRICA LATINA E DO BRASIL

Outro dia publicamos no blog uma pequena análise do livro “Caminhos Cruzados”, do escritor gaúcho Érico Veríssimo.
O romance mostra os dramas da classe média e o sofrimento dos mais pobres, principalmente dos desempregados e sem perspectiva de vida. Ao mesmo tempo retrata de uma forma caricata a burguesia nacional, escancarando as hipocrisias e egoísmos dos empresários, dos novos ricos e de todos que tendo quase de tudo “não estão nem aí” para os menos afortunados.
“Caminhos Cruzados é o segundo livro publicado por Érico,  de 1935, ano em que Getúlio Vargas deu um golpe de estado e instalou uma ditadura no país.
Trinta anos depois, em 1965, Veríssimo publicou o seu livro mais político, “O Senhor Embaixador”, primeiro romance do autor depois da trilogia “O Tempo e o Vento”, tida como a grande obra do escritor do Rio Grande do Sul.
Embora fosse moderado, equilibrado e até contido, Érico neste livro de meados dos anos 60 chega a ser panfletário, na sua crítica dura aos golpes de estado e às ditaduras ridículas da América Latina, implantadas normalmente com o apoio dos Estados Unidos.
Lúcido, coerente, Érico Veríssimo critica tanto a falta de escrúpulo da direita quando o fanatismo da esquerda, que quando chega ao poder, normalmente através de revoluções, na maioria das vezes instala um regime de terror e suprime as liberdades, sem nenhuma preocupação com o humanismo.
“O Senhor Embaixador” foi publicado um ano após o golpe militar de 1964 e representa, de certa maneira, um protesto do escritor contra a situação do país.
Embora a crítica seja à América Latina de maneira geral, inclusive os rumos da revolução cubana, que então tinha poucos anos, o Brasil também está incluído no contexto e já no final do livro Érico dá alguma estocadas nos descaminhos do país.
“O Brasil é um país saqueado. De fora para dentro. De dentro para fora...”, diz um personagem do livro, por sinal um brasileiro.
Prosseguindo na avaliação do próprio país, o personagem continua: “A simpatia no Brasil é a grande panaceia. E é nessa simpatia, nesse bom mocismo, que reside nossa desgraça como nação. No Brasil tudo está bom se o sujeito é simpático. Por simpáticos (e também irresponsáveis e levianos) esperamos que as coisas caiam do céu. Por simpatia votamos em homens incompetentes ou desonestos para os cargos públicos...”.
Mais de 50 anos depois, como esse pensamento continua atual. Érico sabia muito de Brasil, de pessoas, e sua obra serve para entender melhor a América Latina, os golpes de estado no continente, o Brasil de Castelo Branco e até o Brasil do presidente Temer, que representa, em última instância, mais um instrumento de golpe, um atalho (ou uma pinguela, como definiu o sociólogo Fernando Henrique Cardoso), para que setores da burguesia, da Casa Grande, mantenham intactos seus interesses ou o status quo, não importando que a maioria continue (ou volte) à Senzala.
Viva o país dos canalhas simpáticos! Ou dos presidente ilegítimos ou sorumbáticos!

Um comentário:

  1. SEMPRE vão existir os sistemas feudais que roubam tudo dos países subdesenvolvidos. Sejam estes da América Latina ou da África! Os Estados Unidos da América do Norte (EUA) e a Europa são os donos do mundo! Fazem o que bem querem contra os países atrasados e indolentes pela própria natureza! - Assim, quem escapar da "Casa Grande", será engolido pela Casa Branca e pela União Europeia! - 2. Grandes escritores, sociólogos e outros (as) homens e mulheres que PENSAM, SEMPRE alertaram para esses desastres! - Venham os desastres da direita cínica ou da deteriorada esquerda!




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