Festival Viva Dominguinhos

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A valorização da música regional

domingo, 12 de março de 2017

O TRISTE DESTINO DO CANTOR PAULO SÉRGIO

ESPECIAL - Paulo Sérgio de Macedo nasceu em Alegre, no Espírito Santo, que fica a 60 km de Cachoeiro do Itapemirim, terra de Roberto Carlos.

Jovem ainda foi morar no Rio de Janeiro, com toda família. Seu pai era alfaiate e Paulo Sérgio poderia ter seguido a mesma profissão, pois herdou o talento paterno para lidar com roupas.

A vocação artística, porém, falou mais alto e quando surgiram as primeiras oportunidades Paulo sentiu que seu negócio era mesmo música, optando pela vida artística.

Quando o cantor lançou o seu primeiro disco, um compacto com o sucesso “Benzinho”, o movimento da Jovem Guarda já estava caminhando para o fim.

Com uma voz que lembrava um pouco a do maior ídolo da época, além da linha melódica e letras também parecidas, Paulo Sérgio passou a ser comparado ao “Rei” e críticos o chamaram de imitador.

O sucesso de Paulo Sérgio, que estourou de vez com o disco seguinte, trazendo a “Última Canção”, incomodou o homem que naquela época “mandava tudo para o inferno”.

Em 1968, como para dar uma satisfação aos fãs e uma resposta a quem “ameaçava seu reinado”, Roberto lançou o álbum “O Inimitável”, que a exemplo dos discos anteriores estourou de imediato com quase todas as faixas sendo bem executadas em rádios de todo o Brasil.

Nos anos 60 não havia MP3, celular, smartfone,  Youtube, CD, DVD e nem sonhavam ainda em inventar a internet.

O êxito de um artista, assim, era avaliado pela venda de discos (chamados de LPs) e pelo sucesso das músicas no rádio.

Os fãs ouviam seus ídolos nas rádios AMs, pois as FMs somente surgiriam na década seguinte e quem tocava muito nas emissoras se consagrava, terminando também por aparecer na televisão.

Paulo Sérgio era um rapaz simples, que sabia compor e tocava alguns instrumentos. Roberto Carlos era melhor compositor, cantor e intérprete, mas havia espaço para os dois na música brasileiros e o artista de Alegre também conquistou milhões de fãs por todo o país.

Em apenas 13 anos de carreira vendeu mais de 10 milhões de discos, um verdadeiro fenômeno.

Tinha os olhos meio tristes, como o conterrâneo famoso do Espírito Santo e nas suas músicas cantava sobretudo o amor.

Numa de suas baladas românticas que ficaram mais conhecidas, foi extremamente amargo na avaliação da vida. O momento de pessimismo começa no título da canção, intitulada “Não Creio em mais Nada”. 

Confira a letra da música:

Não sei o que faço, a minha vida é uma luta sem fim
Me sinto no espaço, o tempo todo a procura de mim
Há dias na vida, que a gente pensa que não vai conseguir
Que é bem melhor deixar de tudo e fugir
Que em outro mundo tudo vai resolver
Não sei o que faço, se volto agora ou continuo a seguir
Eu sinto cansaço e já não sei se vale a pena insistir
Há dias na vida que a gente pensa que não vai conseguir
Que é bem melhor deixar de tudo e fugir
Que outro mundo tudo vai resolver
Não creio em mais nada, já me perdi na estrada
Já não procuro carinho, me acostumei na caminhada sozinho
A vida toda só pisei em espinho, já descobri que o meu destino é sofrer
Há dias na vida que a gente pensa que não vai conseguir
Que é bem melhor deixar de tudo e fugir
Que outro mundo tudo vai resolver
Não creio em mais nada, já me perdi na estrada
Já não procuro carinho, me acostumei na caminhada sozinho
A vida toda só pisei em espinho, já descobri que o meu destino é sofrer

Não creio em mais nada, me acostumei na caminhada sozinho
A vida toda só pisei em espinho, já descobri que o meu destino é sofrer.

A canção,  mesmo triste e amarga,  foi tocada bastante nos rádios e o cantor a interpretou em vários shows, pois o público gostava.
Sem rebuscar muito o assunto, sem aprofundar a discussão, ignorando a filosofia, da sua maneira Paulo Sérgio refletiu talvez o sentimento de milhões de pessoas, uma vez que muitos vêm para este mundo como que destinados a sofrer.
É o destino dos “pobres e oprimidos”, que na maioria das vezes não têm consciência de que por trás do sofrimento pode estar um sistema político injusto que possibilita que poucos tenham muito e muitos não tenham quase nada.
Além de refletir aquele momento, a canção como que previu a tragédia que levaria o artista do nosso convívio tão precocemente.
Em 1980 Paulo Sérgio fez a sua última apresentação na televisão, no “Programa do Bolinha” e depois foi realizar shows no interior paulista. Num deles foi agredido por uma fã, que jogou até uma pedra e quebrou o para- brisa do seu carro.
O artista ficou muito nervoso e irritado com o episódio, na apresentação seguinte sentiu-se mal tão logo começou a cantar, a cabeça doía de estourar, os comprimidos tomados não adiantaram e ele foi levado a um hospital onde já chegou em coma.
Paulo Sérgio morreu de derrame cerebral com apenas 36 anos de idade, deixando duas filhas e um filho ainda menores de idade.
Rodrigo, filho do cantor, anos depois fez um dueto com o pai já falecido, graças aos recursos tecnológicos.
Numa canção triste, Paulo Sérgio recorda do nascimento do filho e da alegria que ele trouxe para ele e sua esposa Raquel. Rodrigo, então ainda criança, lamenta o dia em que o pai o deixou e “foi morar com Deus”.
Eu recordo com felicidade, dia mês
E hora em que você nasceu

Você trouxe tanta alegria fruto do amor de sua mãe e eu

Meu filho Deus que lhe proteja 

E onde quer que esteja eu rezo por você

Eu adoro ver você sorrindo

Seu sorriso faz de tudo eu esquecer.

Com meu peito cheio de saudade 
Eu lembro os bons momentos que você me deu

Não consigo esquecer o dia que você me deixou

E foi morar com Deus

Mas eu sinto a sua presença em tudo 
Que eu faço onde quer que eu vá
Na escola em casa ou na rua, qualquer coisa 
Que eu olho o seu rosto está

(estrofes da música “Meu Filho Deus que Lhe Proteja”).

Paulo Sérgio foi sepultado em São Paulo, em 1980, com uma multidão de fãs acompanhando o veículo que levou seu corpo e os (as) fãs formando um enorme coral que entoava os versos de a “Última Canção”.

Esta é a última canção que eu faço pra você
Já cansei de viver iludido só pensando em você
Se amanhã você me encontrar
De braços dados com outro alguém
Faça de conta
Que pra você não sou ninguém...

Há um vídeo no YouTube informando que Rodrigo, o Paulo Sérgio Júnior, morreu o ano passado, aos 42 anos. Não conseguimos, no entanto,  notícias em nenhum site ou no Google confirmando essa informação. Fica a dúvida, uma vez que na internet costumam inventar os maiores absurdos, postar as maiores mentiras sem o menor respeito as pessoas.

Se Rodrigo realmente morreu novo, como o pai, seguiu a sina triste do cantor e compositor nascido em Alegre, que bem antes da tragédia confessou: 

“Eu acho que meu destino é sofrer...”.

Por sugestão do jornalista Ruy Sarinho, que gostou muito da matéria especial sobre Paulo Sérgio, incluímos no post dois vídeos do artista no YouTube. No primeiro ele canta “Amor tem que ser Amor”, numa apresentação no antigo programa “Globo de Ouro”, em 1976:


O segundo vídeo traz foto e um áudio de Paulo, com a interpretação da canção “Não Creio em Mais Nada”, citada no texto:


3 comentários:

  1. Bom dia caro jornalista Roberto Almeda parabéns por ótimas postagens sempre estou divulgando seu trabalho aqui na rádio Líder jupi Fm.

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  2. Que bonita postagem, que bela matéria. Como é bom e saudável lembrarmos de Homens e Mulheres do Bem, trabalhadores, guerreiros cada qual na sua lida. Linda a postagem sobre Paulo Sérgio.
    Parabéns Roberto Almeida.

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