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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O FENÔMENO CLARICE LISPECTOR

Clarice Lispector, que morreu em 1977, aos 57 anos,  é a escritora brasileira mais citada nas redes sociais, principalmente no Facebook. Milhares ou mesmo milhões de pessoas que nunca leram um livro da autora ficam reproduzindo suas frases e muitos chegam a atribuir a ucraniana-brasileira pensamentos que não foram formulados por ela.
A escritora, que se tornou um fenômeno literário pelos contos e romances como Perto do Coração Selvagem (lançado quando ela tinha apenas 19 anos), Maçã no Escuro, Água Viva, A Paixão Segundo G.H e A Hora da Estrela desperta até hoje uma forte paixão nos amantes da literatura, principalmente entre os jovens, pela prosa elegante e o tom intimista, mais interessado em desvendar a alma humana do que em contar uma história.
Clarice nasceu numa cidadezinha da Ucrânia, em 1920, e com menos de dois anos de idade veio para o Brasil, ficando primeiro em Maceió e depois no Recife, onde passou a infância. Depois da adolescência é que foi morar no Rio de Janeiro, onde ainda jovem começou a trabalhar em jornais e revistas.
Em 1943 ela escreveu seu primeiro livro, “Perto do Coração Selvagem”, que espantou o público e a crítica. O livro já trazia o estilo inconfundível e único de Clarice Lispector e quase ninguém entendeu a nova escritora, segundo ela mesmo deixou claro numa célebre entrevista à TV Cultura, no mesmo ano de sua morte.
Sérgio Milliet, um dos grandes nomes da crítica literária da época, ironizou até o nome da escritora que surgia, considerando seu sobrenome “desagradável” e avaliando que por certo era um “pseudônimo”, no que estava enganado.
“No começo ninguém me entendia. Hoje já me entendem. Mas dizem que sou hermética, por isso não posso ser popular”, revelou a escritora na citada entrevista à televisão.
Clarice Lispector disse que desde criança gostava de escrever “fábulas” e na adolescência produziu muita coisa, mas,  segundo ela,  de forma caótica.
A mãe da escritora, que morreu quando ela ainda era criança, escrevia contos e poesias, mas Clarice só veio a saber disso em 1977 (em dezembro desse ano a escritora morreu de um câncer), através de uma tia. Isso também foi revelado na TV Cultura.
Sua irmã mais velha, Elisa, também foi romancista e outra irmã, Tânia, escrevia livros técnicos.
A autora não revelava suas influências literárias nem os escritores contemporâneos de que gostava, mas na famosa entrevista que inspirou esta matéria chegou a citar o nome de Dostoiévski e confessou ter lido O Lobo da Estepe, de Herman Hesse, com 13 anos. “Tive um choque”, frisou.
Com relação à dificuldade que algumas pessoas tinham (muitos ainda têm) em compreender seus livros, Clarice considerou que sua obra devia ser avaliada mais pelo sentimento de que pela inteligência. “É uma questão de sentir”, enfatizou, dizendo que um professor de Literatura Brasileira do Rio de Janeiro leu quatro vezes “A Paixão Segundo G.H.” e não conseguiu entender nada, enquanto uma menina de 17 anos amava tanto o mesmo o romance que o tinha transformado no seu livro de cabeceira.
Das revelações da consagrada escritora, a brasileira mais lida no exterior depois de Machado de Assis, à frente de Jorge Amado e Guimarães Rosa, a mais espantosa foi a de que não se assumia como profissional. “Sou amadora e faço questão de continuar assim”, disse ao entrevistador, o jornalista Júlio Lerner.
Outro momento intrigante do seu bate papo com Lerner foi quando admitiu que ela mesmo não conseguia entender o conto “O Ovo e a Galinha”, um dos seus textos mais famosos, considerado uma verdadeira obra prima da literatura.
Fato é que Clarice e muitos dos seus escritos sempre foram um mistério. Ao ser perguntada porque fazia literatura ela saiu-se com esta: “Escrevo para não morrer. Quando não estou produzindo estou morta”.
Para a ucraniana que se considerava brasileiríssima, afinal de contas veio para o nosso país ainda um bebê os “adultos são tristes e solitários”.  Quem sabe a sua literatura intimista fosse uma tentativa de espantar a tristeza e a solidão.
Esse fenômeno da literatura brasileira e mundial causou impacto desde o início. Levou o já citado crítico Milliet a fazer considerações infelizes e o primeiro jornalista que leu um texto seu, Raimundo Magalhães, perguntou, estranhando o estilo único: “Foi você mesmo que escreveu? Não é uma tradução?”.
Clarice, que se considerava tímida e ousada ao mesmo tempo, veio da Ucrânia para o Brasil destinada a sacudir os alicerces da literatura nacional. E virou mito, tornou-se cult, personagem singular na internet, citada à exaustão pelo que escreveu ou não.
Algumas frases conhecidas de Clarice Lispector:
“A palavra é meu domínio sobre o mundo”.
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”.
“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”.
“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada”.
“Brasília…Uma prisão ao ar livre”.

Um comentário:

  1. PEGANDO A DEIXA DESTE FENÔMENO CLARICE, COM AUTORIZAÇÃO DELA, LISPECTOR, MANDO UM RECADO PARA A PILANTROPIA PETRALHA QUE SE ESCONDEM NO ANONIMATO PARA ME CRITICAR NO BLOG DO ROBERTO ALMEIDA. EIS A PÉROLA ESCRITA POR ELA: "Escrever é inumano, é percorrer linhas que escapam e transbordam para todos os lados. Para o ser desorganizado pelas linhas de fuga da escritura, escrever é fazer operar um inconsciente coletivo e inumano. É trazer de volta para a literatura e para o jornalismo povos que morrem e “Temas que morrem”... SIMPLESMENTE, ESPETACULAR!!!

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